ZTCT2009: Figures (Os Números da Vigem)

Posted on fevereiro 21, 2010

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Bem, eu ia fazer o texto da conclusão da viagem quando me lembrei de uma coisa. Eu carreguei comigo a viagem toda um “Diário de Bordo”, um diário mesmo, de capa de couro, bonito, que ganhei nas compras que fiz na Banana Republic lá em Londres ainda. Eu usei ele mais para fazer anotações importantes durante o trajeto, alguns gastos, km’s andados, melhor rota de um lugar para outro e algumas curiosidades que encontrei pelo caminho. Achei que seria importante compartilhar esses números, afinal, nem só de homem vive o pão: a substância é sempre necessária.

Não vou reproduzir o diário na íntegra, porque afinal, quem quer saber que de Carcassonne para Saint-Tropéz eu peguei a N113 E80 até Arles, e depois fui pela N568 e depois pela A55? Vou tirar alguns detalhes técnicos, mas vou deixar o resto, tanto para os curiosos, quanto para quem gostaria de repetir ou fazer uma viagem similar à minha. Alguns dados que faltam em algumas partes, estão presentes em outras, e isso se dá ao fato deu às vezes esquecer de anotar, ou não ter começado à anotar ainda, enfim, espero que me perdoem essas falhas, afinal, vale lembrar que eu estava com a cabeça em aproveitar a viagem.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Les Mosqueters: Emília, Maini, Ricardo e Carroooooliiiine. Castelo de São Jorge, Lixboa.

Trecho 1: Lisboa (Portugal) – Salamanca (Espanha) – Poitiers (França)

Dia: 21 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite (Poitiers)

Distância: 1406 Km’s

Tempo de Viagem: 15 hrs (aproximadamente)

Observações: Bem, para quem não sabe, eu comecei esta viagem com um grupo de amigos daqui de Brasília, um que ainda mora aqui (Ricardo) mais duas amigas, sendo uma que mora agora em Lisboa mesmo (Emília), e outra que agora mora em Roma (Maini).  A idéia era ir até Paris, e eu até tentei ir de uma vez só, tanto que só paramos em Salamanca (norte da Espanha) para um almoço rápido e seguimos. Todavia, não deu. Eu nunca tinha dirigido tanto em sequência até então, e eu experimentei um cansaço surreal. Dormimos em Poitiers mesmo, a cidade da famosa batalha de Poitiers, Carlos Martel, etc.

No outro dia seguimos para Paris. Fiquei dois dias descansando para conseguir me recuperar do cansaço que senti. De resto, foi bacana ir novamente a Salamanca (tinha ido a primeira vez em 2007, quando da minha primeira ida à Zooropa), e a diversão no caminho valeu à pena todo o esforço.

Capa do novo disco da Nancy: Ricardo, Maini, Emília, Eron.(Versailles, FR)

Trecho 2: Poitiers – Paris

Dia: 22 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 5 dias (Paris).

Distância: 338 Km’s

Tempo de Viagem: (?)

Observações:  Dessa parte da viagem eu nada sei. Explico: estava exausto, jogado no colo da Maini no banco de trás. Mal tive ânimo pra fazer algumas fotos, enquanto o Ricardo dirigiu até Paris, e fez isso ilegalmente, sendo que segundo ele, ele está há mais de dois anos sem habilitação. Eu cheguei a perguntar isso antes de sairmos, em Lisboa, e ele me disse que tinha carteira sim. Claro, só não me explicou os detalhes.

Olha, na verdade, você quase não é parado pra nada na Europa ocidental. Isso de blitz-polícia-mão-no-capô-documentação-meliante quase não rola. No começo você fica todo cheio de preocupações. Depois de um tempo lá você relaxa mais, manda uns direitos-humanos na galera e fica tudo em paz. Claro que não recomendo isso, mas também não é para se desesperar se perder um documento se estiver viajando por terra. Dificilmente vão pedir documentação tua outra que não seja dinheiro. Passaporte pedem só quando você pega um ferry para mudar de um país pro outro, como fiz da Itália pra Grécia. Agora na estrada em si, muuuuuuito difícil quererem saber quem é você.

Por favor: mais flor. (Nantes)

Trecho 3: Paris – Nantes (França)

Dia: 26 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 3 dias (Nantes).

Distância: 387 Km’s

Tempo Gasto: 2 hrs e 40 m (aproximadamente)

Observações: Bem, depois de cinco dias em Paris com o pessoal, resolvi pegar a estrada. Por que Nantes? Ok… eu nem ia contar isso, mas vai! Fui por motivos do coração: em Lisboa eu conheci uma francesa, e fiquei um tempinho com ela. Identidades à parte, acho que uma viagem dessa fica incompleta sem esses causos. Claro que não pode ser SÓ isso, mas vai, somos humanos certo? Certo é que fiquei alguns dias com ela em Nantes, e depois fui deixá-la em Bordeaux, onde ela tinha uma entrevista de emprego: ela é sommelière,  formada em engenharia rural, e trabalha com vinhos. A foto que está no post “Nantes & Bordeaux“, onde tem um prato de ostra, o nariz que aparece do outro lado da mesa é o dela. Andamos juntos pela cidade, nesses típicos passeios proustianos: visitei lugares da infância dela, etc. Apesar de breve, a srta. X… deixou boas marcas e me ajudou com alguns conselhos à respeito de onde ir na França, e o que comer.

Nuit, oui. (Catedral - Bordeaux)

Trecho 4: Nantes-Bordeaux (França)

Dia: 28 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite

Distância: 346 km’s

Tempo de Viagem: 3 hrs (aproximadamente)

Observações: Passei uma noite em Bordeaux só, tive tempo para um jantar com a X apenas, e logo fui pra cama. Não estava muito bem [ahhh, as separações! No msn expressamos isso com um (U)] Vi a catedral da cidade e depois fui atrás de um hotel e dormi. No outro dia peguei estrada. Pelo menos tomei o famoso vinho de Bordeaux, e aprovei, claro. Acho que foi até esse o motivo da minha brevidade com a moça francesa: estávamos conversando quando ela me falava da excelência dos vinhos franceses, e eu fui obrigado à discordar, dizendo que preferia os italianos, no caso os sicilianos. Ela tentou redarguir, mas aí eu bati a mão no peito, num típico gesto romano, e lembrei para ela quem tinha ensinado os franceses a arte do vinho. Ela se calou, vencida, mas provavelmente ressentida também…

La Cité (Carcassonne, vista interna)

Trecho 5: Bordeaux – Carcassonne (França)

Dia: 29 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite.

Distância: 335 Km’s

Tempo de viagem: 2 hrs e 30 min (aproximadamente)

Observações: A idéia era só passar em Carcassonne, mas quando eu parei um carro numa colina pra comer e vi uma cité cidade medieval inteira, qua talis eram as cidades à época, fiquei pasmo e resolvi ficar. Hospedei-me em um hotel em uma antiga casa da nobreza do lugar, dentro da fortificação, e quando dormi tive a impressão de recuar no tempo. Carcassonne é a cidade dos Cátaros, última fortaleza deles antes da dizimação com a benção católica, e por isso a cidade até hoje tem um clima muito bacana.  Passei 2 dias lá batendo perna, vendo castelo, comprando livro e camiseta, além de me entupir de história (religiosa). Para quem vai à França recomendo DEMAIS uma visita lá. Depois de Paris, para mim, é o lugar para se ver na França. A não ser que você queira dar uma de novo-rico e ir esquiar: aí o paradeiro é Chamonix mesmo.

Barriga-on-Canvas (Saint-Tropéz)

Trecho 6: Carcassonne – Saint-Tropéz (França)

Dia: 30 de Agosto de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite.

Distância: 415 Km’s

Tempo de Viagem: 4 hrs (aprox.)

Observações: Cote d’azur, finalmente!  A idéia era ficar algum tempo em Saint-Tropéz, mas dado minha desilusão com o lugar, só dormi mesmo. O lugar é bacana, acho eu, pra quem chega de iate e pára ele no porto, de frente pra loja enooooooorme das HAVAIANAS (sim, a maior loja de lá que eu vi, por sinal), deve ser bacana. Mas não achei as praias lá essas coisas, então capei o gato. Além do que, paguei para dormir num quarto VAGABUNDO (vagabundo tipo, cama, ventilador que mais parecia uma hélice de helicóptero atingida por um scud, e um banheiro “será?”) 110 euros. Não dava né? Como meu iate só existe na minha cabeça, fui embora. E fiz certo: por ter saído cedo pude aproveitar o caminho, e para mim Cote d’Azur É o caminho, não os lugares: fiz paradas e paradas para tomar banho de mar e ficar olhando a vista.

Atores que encontrei andando por Cannes.

Trecho 7: Saint-Tropéz – Cannes – Nice (França)

Dia: 31 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 5 dias.

Distância: 114 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 11:04 / Chegada às 20:36]

Observações: Poisé, levei um dia inteiro para chegar em Nice, um dia inteiro pra andar pouco mais de 100 km. O motivo disso foi o que falei anteriormente: paradas e mais paradas. Não só isso, no meio do caminho existe uma cidade muito interessante chamada CANNES. Tinha acabado de rolar o festival de cinema de lá, e eu aproveitei para dar umas voltas, tirar fotos, comprar uma toalha que ostento com muito orgulho onde está escrito CANNES – FRENCH RIVIERA. Ok, terceiromundismos à parte, Cote d’Azur é demais, não dá pra ficar correndo no carro (eu corri, mas foi uma questão nerd de me lembrar das pistas do Need For Speed 2) e fingindo que a vista não existe. Se você quer gastar uns 15 dias no verão europeu, vá pra Nice, alugue um carro e fique zanzando pelas praias públicas (sim, tem praias que você só entra se pagar, ou estiver consumindo no estabelecimento que a praia está)  de San Juan Le Pin, Cannes, etc. Qualquer lugar é lindo. Só tome cuidado com a gente pelancuda que vai pra praia e fica de top-less ou pelado, ofendendo qualquer padrão de beleza que você possa ter.

Fiquei 5 dias em Nice porque a cidade merece também: muito agradável, pitoresca, e os franceses lá são menos enjoados que o normal do francês. Na verdade, o francês é muito legal desde que você fale a língua deles. Eu arranhava, ou quando muito, entendia eles conversando comigo, então não sofri tanto. Mas quando tava com preguiça ou querendo agilizar as coisas, e buscava o inglês, bem, eles no geral eram preguiçosos também e mal humorados. Todavia, ignore isso e COMA: na França se come demasiadamente bem, bem MESMO, esquema “uhuuuu, vou morrer!”. Nice não fica atrás, principalmente no quesito “seafood”.

❤ Polarizador! (Monaco)

Trecho 8: Nice – Monte Carlo – Genova (Itália)

Dia: Sexta-Feira, 04 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite e 1 dia.

Distância: 193 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 16:57 de Mônaco / Chegada às 20:27 em Genova]

Observações: Entre Nice e Genova estava Mônaco, e claro que eu ia parar lá, nem que fosse para gastar uma tarde, e foi o que eu fiz. Andei com o carro em cima do circuito de Fórmula 1, comprei lembrancinhas, fui no castelo, e no resto fiquei apreciando a riqueza do lugar: perdi a conta de quantas ferraris vi. No resto, não acho que seja uma cidade para mais de um dia, realmente não é. A não ser, claro, que aquele seu iate que estava em Saint-Tropéz esteja te esperando no porto. Acho que para quem é rico deve ser divertido lá, mas tenho lá minhas dívidas… digo, dúvidas!

Depois dessa tarde em Monaco, chegamos em Genova. Sim, chegamos: a partir de agora e até Roma, uma amiga que fiz em Nice estava me acompanhando. Amiga mesmo, pessoa querida com quem pude partilhar a viagem até onde ela podia ir. Rimos muito, nos divertimos e trocamos informações. Ela é brasileira, e estava morando na França para estudar/trabalhar, e foi minha guia em Mônaco e em outras cidades de Cote d’Azur. Foi ótimo poder contar com companhia, e eu devo muito a ela, pela leveza e alegria que trouxe para a viagem: querida D…, onde você estiver, fica meu carinho para ti!

Essa placa estava no Castelo Sforzza, em Milão. O motivo? Não sei... mesmo.

Trecho 9: Genova – Milão

Dia:  05 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite 1 dia

Distância: 140 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 15:20 / Chegada às 16:25]

Observações: Milão tem nada pra fazer. Sério, tirando a Catedral (Duomo), que é uma belíssima obra de arte do gótico, e o Castelo dos Sforzza, não sobra muita coisa. Tanto que ela é considerada a menos italiana das cidades italianas, ou a mais “européia”, no sentido de se parecer com Londres. Sim, lá tem muita loja, que provavelmente você que está viajando com dinheiro contado não vai comprar nada. Por isso, meu passeio durou uma tarde e um pedaço do outro dia, depois disso, pegamos estrada de novo.

...

Trecho 10: Milão – Florença

Dia:  06 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 4 dias aproximadamente (Florença)

Distância:  304 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 17:51  / Chegada às 21 hrs ]

Observações: O que eu tinha para falar de Florença, eu falei no post que fiz sobre a cidade: simplesmente demais. Se você vai à Itália e não for à Florença, sério, pede pra sair 02, que tu é MOLEQUE!

Duomo (Siena)

Trecho 11: Florença – Pisa – Siena

Dia:  09 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite (Siena)

Distância:  221 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 16:55  / Chegada às 23 hrs (aprox) ]

Observações: Bem, eu tinha que ver a torre torta de Pisa, claro. Nada demais, realmente, além do que você paga quase o preço do LOUVRE pra subir lá em cima (sim, é aberto pra visitantes, 15 de cada vez). Foi legal a sensação de subir escadas estreitas numa torre torta, mas madre di dio, 15 euros? Fala sério! Ah sim, se acostumem a serem assaltados cada vez que forem num lugar histórico/cultural na Itália. Enquanto na França os preços são moderados, e em Londres todos os museus são de graça, na Itália pra ver a casa do Dodge de Veneza você desembolsa 13 euros.

Dormimos em Siena, e como os Palios já tinham passado, no outro dia fui visitar a Catedral de lá, que por sinal é MUITO bonita. Obra do Di Cambio, se não me falha a memória. Foi uma das construções religiosas mais bonitas que vi na Itália.

coleseu-hmmm

Trecho 12: Siena – Roma

Dia:  10 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 10 dias (Roma)

Distância:  243 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 11:15  / Chegada às 19 hrs aproximadamente ]

Observações: Bem, finalmente chegava em Roma. Também falei tudo que podia falar no post que fiz. Todavia, aqui a minha companheira de viagem querida teve que ir embora, de volta para Paris. Deixei ela no aeroporto, nos despedimos, e a partir de então a viagem seria só eu e Deus. Curti Roma deveras, e toda a expectativa que tive minha vida toda de conhecer a pérola da Lazzio foi recompensada. Fiz amigos ótimos, entupi-me de cultura e história e saí de lá revigorado.

Vale dizer para quem vai passar um tempo na Europa, por favor, não vá para lugares como Roma, Paris, para ficar um, dois dias. Eu digo que é MIL VEZES melhor ir para poucos lugares e conhecer bem, do que ficar na loucura de ir num monte de lugar em férias de um mês. Tire umas 4, 5 capitais ou cidades no máximo, leia antes de ir para saber o que quer ver, e vá. Eu digo isso, porque gastei 10 dias em Roma, e acho que não vi quase NADA do que a cidade tem para oferecer, nada mesmo.

alvo-de-vulcão (Napoli)

Trecho 13: Roma – Nápoles

Dia:  20 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 4 dias (Napoli)

Distância:  227 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 18:35  / Chegada às 22 hrs]

Combustível Gasto: 479.2 L

Observações: Bem, a partir de então eu comecei a anotar quanto combustível estava gastando: 480 Litros quase até então. Uma boa média dado o tanto que rodei e ainda ia rodar. Enfim, de qualquer maneira, deixa eu relatar um fato que é curioso e importante. Uma viagem dessa é cansativa. Acredite, quando você chega ao fim dela, você chega QUERENDO que ela acabe. Pois bem, e em alguns momentos você precisa descansar mesmo. Eu fiquei 4 dias em Napoli por causa do HOTEL. Sério, foi o melhor hotel que me hospedei a viagem toda. Um quatro estrelas de frente pro mediterrâneo, que eu pensei que ia me custar mil milhões de dólares, mas não: Hotel Miramar, se não me engano. Eu digo o nome do hotel, porque eu cheguei lá, fui recebido por um italiano que falava português e me agradeceu a chance de treinar comigo. Mais tarde, fui convidado pelo DONO do hotel (sim, ele fica lá, conversando com os clientes) pessoa super distinta, para tomar um champagne e assistir uma partida de futebol da Inter x Napoli. A cama era uma maravilha, eu podia tomar o “café da manhã” a hora que quisesse, todos eram corteses e educados e saudavelmente curiosos sobre minha viagem. Enfim, sei quem em dois dias eu tinha visto tudo que tinha pra ver na cidade (Museu Arqueológico Nacional, por sinal, um dos melhores que fui na viagem toda… considerado um dos mais importantes da Europa), e o resto eu fiquei lá, andando pela marina, vendo barcos fantasmas atracando.

Quem vai à Itália e quer ser bem tratado, vá a Napoli. Para mim, são os italianos mais bacanas que conheci.

Costa de Amalfi, perto de Sorrento.

Costa de Amalfi, perto de Sorrento.

Trecho 14: Napoli – Pompéia – Sorrento

Dia:  24 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite

Distância:  50 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 14:11 / Chegada às 21 hrs ]

Observações: Bem, como eu tinha feito a volta por Cote d’Azur, resolvi conhecer a Riviera Italiana, a Costa de Amalfi. Bonito, mas sinceramente, não chega aos pés de Cote d’Azur não. O certo é que no meio do caminho tinha Pompéia, e aproveitei para dar aquela parada para rever velhos amigos mortos pelo Vesúvio.

Salerno? Merda!

Trecho 15 : Sorrento – Salerno

Dia:  25 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite

Distância:  40 Km’s aprox.

Tempo de Viagem: [Saída às 11:42   / Chegada às 19 hrs]

Observações: Fiz a volta na Costa de Amalfi e dormi em Salerno. Foi bonito e bacana, mas confesso que o frio do outono já tava chegando e tornando qualquer banho de mar complicado: tomei só um, perto de Positano. Minha ansiedade também estava aumentando: estava só a alguns dias de pegar o ferry-boat pra Grécia, e estava com dificuldades de me concentrar em ver mais coisas por conta disso.

Parei prum lanche num posto de gasolina, antes de pegar a auto-estrada rumo Brindisi, e quando olhei pro lado vi isso aí.

Trecho 16: Salerno – Paestum – Brindisi

Dia:  26 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite

Distância:  400 Km’s (aprox.)

Tempo de Viagem: [Saída às 11:58  / Chegada às 19:56 ]

Observações: Paestum vale a visita mesmo, mesmo se você vai pra Grécia. E pra mim, foi como uma introdução ao que eu ia ver. Depois de passar uma tarde lá, peguei a estrada, peguei uma garoa fina cruzando a parte montanhosa ali da Calábria, e cheguei a Brindisi. Descansei um dia, e no outro fui comprar a passagem e comprei pro dia seguinte, então acabei ficando três dias em Brindisi. Ansiedade tava ESPUMANDO na boca, sério. Eu olhava pros barcos e ficava me imaginando entrando num bicho daquele para cruzar o adriático e ir pra GRÉCIA. Céus, sério, só de lembrar eu fico ansioso de novo! Eu lembro que Brindisi tinha uma praça com jovens bêbados, e lembro de ir num café comer pizza. De resto era eu e o mar e o pensamento ISSA MULEKE TÁ CHEGANDO!

O problema de se ir pra Grécia é esse: debaixo de cada pedra tem história, filosofia, e uma sacerdotisa de Delfos para te alegrar a viagem.

Trecho 17 : Brindisi (Itália) – Patraso (Grécia) – Atenas (Grécia)

Dia:  28 de Setembro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite (Ferry cruzando o Adriático rumo a Patraso) ; 20 dias (Atenas)

Distância:  500 Km’s aprox. (pelo mar: Brindisi – Patraso) + 210 Km’s (por terra: Patraso – Atenas)

Tempo de Viagem: [Saída às 19 hrs  / Chegada às 11 hrs]

Observações: O depoimento que fiz no deck do navio explica a sensação que tive. De resto, alguns toques: viajar de ferry é MUITO bom e gostoso, mesmo que aconteça tempestade no meio do mar (eu peguei uma, mas cruzando as ilhas gregas, e foi DEMAIS!). Eu não tenho essas frescuras de seasickness, então curti muito a primeira vez que viajava de barco assim. Barcos grandes no geral você nem sente que tá dentro. Na hora de dormir, fica ouvindo o ronco do motor enorme ecoando pelas paredes de metal, e o balanço bem macio do mar é como colo de mãe.

A viagem de barco durou algo em torno de 15, 17 hrs. É mais lento sim, mas dentro da Grécia existem os chamados “superboats” e uma viagem dessa cai para quase metade do tempo. Eu aconselho fortemente a quem for pra lá se tocar pro mediterrâneo e tentar andar de barco seja pra onde for. No verão então, não tem uma gota de chuva, e mesmo os medrosos vão esquecer os medos e ficar imaginando quantas tiremes cruzaram aquele mar, carregadas de especiarias, egípcios, soldados romanos, etc.

http://www.amor.gr.<3 (Tessalônica)

Trecho 18 : Atenas – Tessalônica (Grécia)

Dia: 19 de Outubro de 2009.

Tempo de Estadia:  3 dias (Tessalônica)

Distância:   503 Km’s

Tempo de Viagem: [Saída às 12:45  / Chegada às 16:50]

Observações: Depois de quase um mês por Atenas e as Ilhas Gregas, eu segui viagem. Não vou fazer aqui um detalhamento dos passeios que fiz pelas ilhas gregas, mas vale alguns toques. Atenas é uma cidade barata, agora se você vai pra Grécia no verão, prepare-se pra gastar grana. Eu não fui, na verdade, cheguei lá na meia estação verão-outono. Isso me proporcionou ficar em hotéis bons, por preços bons e até bem baratos. Em Santorini, que é a ilha mais famosa, eu fiquei por coisa de 40 euros um quarto DUPLO. Mikonos foi por aí também. Agora, os mesmos quartos no verão, sobem pra faixa dos 200 a 300 euros a diária. O dono do hotel que ficamos em Mikonos (Em Atenas o Nathan, amigo meu australiano que morava comigo em Londres, foi lá se juntar comigo) nos mostrou a tabela de preços, e o mesmo quarto que estávamos subia isso tudo quando no verão. O motivo é que a procura é muita e as ilhas são pequenas, quando muito com 50 km’s de diâmetro. Então, se você quer ir pra lá, pegar um bom tempo, não morrer de calor e não gastar tanta grana, faça como eu fiz: chegue no começo de outubro ou finais de setembro.

Atenas é na mesma linha. Mas como você tem mais opções de procura por hotéis, é mais fácil, claro. Eu aconselho para quem vai pra lá ficar na Akropolis. É onde está o Parthenon, a antiga Ágora, o Templo de Zeus, etc. Eu não consigo descrever a sensação quando abri a janela do meu quarto do hotel, e na minha esquerda, lá em cima, estava o Parthenon, lindamente iluminado num final de tarde/começo de noite, sob um céu azul escuro de pano de fundo. Eu me arrepiei inteiro e tudo que eu conseguia me repetir era “Eu estou aqui mesmo? Isto está realmente acontecendo?”. Se você quer experimentar o mesmo, faça como eu fiz.

Incrivelmente bem-humorado, apesar de tudo. (Macedônia)

Trecho 19 : Tessalônica – Macedônia – Fronteira com a Sérvia – Macedônia – Igoumenitsa (Grécia)

Dia:  22 Outubro de 2009.

Tempo de Estadia: nenhum.

Distância:  960 Km’s aprox.

Tempo de Viagem: [Saída às 08:56   / Chegada às 19 hrs]

Observações: Bem, o post anterior a este está cheio de depoimentos meus que gravei sobre esse que foi o “momento da verdade” da viagem. A idéia era cruzar o leste europeu, mas não deu. Então, fica a dica: é realmente bem complicado cruzar esse leste distante europeu. Eu não tentei ir via Bulgária (pela Macedônia) ou mesmo Romênia (que faz fronteira com a Grécia). Próxima vez vou tentar. Mas o certo é: pela Sérvia, só com visto. E conseguir um visto Sérvio vai ser algo meio complicado. Como eu disse, parte das minhas viagens eu faço sem muito planejamento mesmo. Foi um erro não saber que tinha que ter esse visto? Sim, mas um erro que me fez bem. Basta lembrar o quão complicado é o leste europeu, as guerras, genocídios, etc.

De qualquer maneira fui até a fronteira da Macedônia com a Sérvia e fui obrigado a voltar. Sentei o pé no acelerador e consegui chegar à tempo de pegar o ferry que saía de Igoumenitsa rumo a Ancona na Itália. Enfim, ao fim, tudo certo! Mas anote esse conselho muito sério: ande pela Europa Ocidental de carro sem ser incomodado, mas quando for rumo ao leste, se prepare. E aí eu te pergunto: você tá viajando pra relaxar não é, e vai buscar stress de graça? A não ser que a viagem seja uma dessas (como a minha) que você busca SIGNIFICADOS de vida, experiências importantes para te fazerem crescer mesmo e a todo custo, então vá. Digo de antemão, que minha próxima viagem por lá eu vou começar em Atenas, alugar um carro e ir parar com ele no EGITO, cruzando Turquia, Líbano, Israel, etc. Eu ia fazer isso desta vez, mas não dava e eu já tava cansado demais de viajar para aproveitar realmente uma viagem assim.

Em suma, escolhas: faça a sua, mas esteja preparado para os revezes.

em algum lugar da Itália... dirigindo freneticamente

Trecho 20 : Igoumenitsa – Ancona (Itália) – Veneza (Itália)

Dia:  22 de Outubro de 2009.

Tempo de Estadia: 1 noite (no barco: Igoumenitsa – Ancona) 1 dia e 1 noite (Veneza).

Distância:  800 km aprox (por mar: Igoumenitsa – Ancona) 380 Km’s (por terra: Ancona – Veneza)

Tempo de Viagem: [Saída às 20hrs (Igoumenitsa) / Chegada às 19 hrs (dia 23, Veneza)]

Observações: Depois do “revés sérvio” veio uma sensação em mim de que era o momento de encerrar a viagem. O ritmo agora ficava mais acelarado. Depois de cruzar o adriático de novo, desta vez no sentido inverso, cheguei em Ancona, desci o carro do barco e ia pegar estrada. Desta vez, um oficial da polícia de fronteira italiana quis encher o saco DE NOVO por conta dos números (04/2009) que tinha na minha placa, dizendo que a licença estava vencida. Eu expliquei melhor sobre isso num dos depoimentos que fiz quando da tentativa de cruzar o leste, porque fui barrado na Grécia por conta disso, o que inclusive atrasou minha viagem. Eu como já sabia que não era nada demais, disse para ele que estava tudo bem e pedi meu passaporte que queria seguir viagem. Sim, depois de tanto tempo viajando e querendo terminar a viagem, você começa a ficar mais sensível para grosserias e começa a exercer o seu direito FUNDAMENTAL de ir e vir, desde que esteja na lei. Eu estava, então pedi licença e fui embora.

Veneza? Bem, segunda vez lá e eu já tinha visto tudo. Também, Veneza é uma cidade que, eu costumo dizer, vale a pena visitar com o amor da sua vida. O meu não tava lá, então que deabos ia ficar lá vendo casal se beijando em gôndola pela segunda vez? Ok, não é amargura da minha parte, mas eu acho Veneza tão (ou mais) romântica como (que) Paris, só que Paris tem mil museus que te distraem disso, você-criatura-solteira. Veneza não meu cumpadi, e aí fica só tu, aquelas ruas de água, uma poesia no ar e som das gôndolas e barcos cruzando com casais abraçados.

eu, gravata

eu, gravata (Nice, Foto roubada da Dani!)

Trecho 21 : Veneza – Nice (França)

Dia:  24 de Outubro de 2009.

Tempo de Estadia: 8 dias (Nice).

Distância:  576 Km’s.

Tempo de Viagem: [Saída às 13:43 hrs/ Chegada às 19 hrs]

Observações: Voltei a Nice pra rever uma amiga e reencontrar a cidade muito querida. Fiquei oito dias saindo, tomando cerveja, rindo. Como disse anteriormente, uma viagem sem esses momentos lúdicos é tão estafante quanto um semestre numa universidade: experimente ficar mais de 8 hrs por dia enfiado dentro de museu lendo cada placa de busto e cada legenda de quadro, que você vai sentir isso. De resto, foi muito bom dirigir pelo meio e ao redor dos Alpes italianos. Sensacional mesmo, principalmente no trecho de Brescia-Genova, para pegar a auto-estrada ao longo da margem do mediterrâneo. Quem gosta de dirigir, vai sentir um prazer especial de se ver em meio a uma paisagem tão bonita em uma estrada tão boa!

más que un club

Trecho 22 : Nice – Barcelona (Espanha)

Dia:  01 de Novembro de 2009.

Tempo de Estadia: 3 dias (Barcelona)

Distância:  661 Km’s.

Tempo de Viagem: [Saída às 11:13 hrs/ Chegada às 18:30 hrs]

Observações: Já tinha ido a Barcelona, e fui lá para rever uma outra amiga também, essa uma querida que fiz em Lisboa. Revi alguns lugares, mas fui mais para comprar lembranças para meus cunhados e amigos que gostam de futebol como eu. A loja do Barcelona é simplesmente demais, sem querer ser consumista, mas quem curte futebol e vai a Barça, TEM QUE ir no Camp Nou, ainda mais para assistir um jogo. Eu fiz isso: vi um Barça x Mallorca e foi algo que me marcou bastante!

Dica importante para Barcelona: NÃO ESTACIONE O CARRO E ESQUEÇA DE PAGAR! Sim, meu carro foi guinchado porque não desci pra renovar o “parquímetro” e tive que pagar mais de 100 euros para tirar ele do depósito. Esse é um outro problema da europa: você gasta horrores com estacionamento. Claro que como bom brasileiro eu tentava fugir disso, e até fui multado DUAS VEZES no mesmo lugar em Roma! Fui multado uma vez, larguei a multa lá e fui passear, quando voltei, tinha uma outra multa: eu só consegui rir! Mais pra frente eu vou falar disso de multa, mas o certo é que quando você é GUINCHADO, como eu fui… não tem para onde correr: você desembolsa grana e pronto, não tem choro.

"Toca do Cachorrão", no Bairro-Alto (Lisboa), é simplesmente o melhor lugar para samba e cachorro-quente de toda a história da humanidade. Marcão & Vinícius: saudades de vocês, putos! Obrigado por tudo, por tudo MESMO!

Trecho 23 : Barcelona – Lisboa

Dia:  4 de Novembro de 2009.

Tempo de Estadia: 9 dias (Lisboa)

Distância:  1261 Km’s.

Tempo de Viagem: [Saída às 16:22 (hr de Madrid)/ Chegada às 02:21 (hr de Lisboa)]

Observações: Eu não queria dormir em Madrid, na verdade já estava BEM ansioso agora para acabar a viagem. Queria rever minha Lisboa querida, voltar pra Baixa, subir pro Bairro-Alto e sim, falar português: impressionante como uma viagem dessa também te deixa com saudades de coisas simples, como falar tua língua. Por isso fiz compras de comida, bebidas, e só parei o carro para ir no banheiro e colocar gasolina. Passei por dentro de Madrid, revi alguns lugares pela janela do carro (já conhecia Madrid de anterior viagem) e fui direto até Lisboa. Cheguei de madrugada, mas a cidade estava acordada, esperando-me chegar. Fui para um hotel na baixa, no Rossio, e dormi como um neném.

No outro dia, coisa importante de se falar, fui procurar uma concessionária do carro que estava usando. Por que? Meu amigo ou amiga, você realmente acha que depois desse tempo todo viajando o carro ia estar ILESO? Não, não estava. Então fui atrás de mascarar alguns danos na pintura, trocar um pisca lateral que arranquei manobrando o carro PUTO no depósito de Barcelona. Consegui achar uma láááááááá em Telheiras, sem querer, e conversei com os caras e eles me deram uma força: o jeitinho brasileiro  é também o jeitinho luso! Mascarei os danos, depois deixei minhas tralhas todas num outro hotel.

Fui devolver o carro com aquele frio na barriga. Mas o pessoal da locadora estava tão impressionado com o tanto que andei e para onde fui, que fui recebido meio como herói: “Ah!, o gajo que estava na Grécia!” A mulher nem olhou o carro direito, os amassadinhos e arranhões. Entreguei o carro mais sujo que tudo, claro, e quando ela pegou a chave eu… sem sacanagem, saí CORRENDO! Desliguei o celular e fui pro hotel e fiquei um tempo tenso! Hoje eu lembro disso e dou risada, claro, mas tudo que me faltava era chegar dessa viagem toda e ter que desembolsar grana pra pagar arranhão em pintura de carro!

Agora é a parte que você pergunta: e as MULTAS? Tomei algumas sim, mas não paguei nenhuma. Já é a segunda vez que viajo de carro por lá e não pago nada de multa. O porquê disso eu não sei explicar, sei que multa de velocidade, estacionamento, o que fosse, nunca chega. Claro que isso não dá aval para ninguém abusar, porque foi nessa que meu carro foi guinchado em Barcelona e eu me ferrei: quase não comprei uma camisa do barça por conta disso. De qualquer maneira fica o registro. Se acontecer de você tomar uma multa, relaxe.

Depois dessa saga pra devolver o carro, outra começava: ARRUMAR MALA! Céus! Gastei quase uma semana fazendo isso. Estressante, ainda mais quando você está vindo de mudança. Eu aconselho a planejar com antecedência, separar bem as coisas, que senão você paga excesso. Transfirir as coisas pesadas pra mala de mão ajuda bastante. No meu caso, pude contar com a ajuda da Emília querida, e do Sérgio, que estavam vindo pro Brasil e trouxeram duas malas pesadíssimas minhas! Queridos, mais uma vez, obrigado por isso!

Depois disso tudo, dia 14 de novembro às 10:15 da manhã estava embarcando de volta pra Brasília. Resumidamente, ficam aqui os números gerais de toda essa minha odisséia, que tantas lições e coisas maravilhosas me trouxeram:

o b r i g a d o ! ! !

Zooropa Tour 2009

Trechos: 23

Número de Países: 6

Número de Cidades: 30 (sem contar as paradas pequenas em outras cidades)

Tempo da Viagem: 2 meses e 23 dias.

Distância Percorrida: 11.044.10 Km’s (contando deslocamento dentro das cidades)

Combustível gasto: 1.010 Litros

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