ZTCT2009: Costa di Amalfi, Paestum, Brindisi e o Deck Azul.

Posted on outubro 28, 2009

3


DSC_1369

Costa di Amalfi: Positano.

Bem, vamos voltar aos trabalhos, que agora sossegou. Estou no caminho da volta já, neste momento na França. Tenho só mais alguns posts e aí fecho essa etapa da minha vida e do blog.

Costa de Amalfi é conhecida por ser a Riviera Italiana. Logo, não tenho muito o que falar que não esteja nos vídeos e nas fotos que fiz de lá. Sinceramente, acho que esses lugares a natureza, a paisagem, o azul do céu falam por si e são todo argumento, com toda legitimidade auto-inclusa no olho de quem viu. Como eu poderia te descrever um almoço em Positano, olhando o mar arrebentar na pedra? A parada com o carro pra ver a Ilha de Capri ao fundo, o barco cortando o azul infinito de um mar que tanta gente já navegou, gente que a gente chama de antepassados? A noite de sono no hotel com vista para o Vesúvio, que me  encarava como o olho de Polifemo, lá atrás, mas mesmo assim tão perto que não tive medo de passar frio de noite?

 

DSC_1416

Praia em Amalfi.

Em suma, eu prefiro deixar algumas fotos aqui que marcam esse momento de descanso para a cabeça e deleite pros olhos. A Costa de Amalfi realmente é espetacular pela beleza. O banho que tomei no mar, logo depois de Positano, também valeu para relaxar músculos e cabeça da caminhada sobrenatural em Pompéia.

 

DSC_1377

Eu me pergunto como eles cravavam essas cidades na pedra, dessa maneira.

Bem, passei uma noite em Sorrento, depois fiz a volta na Costa e fui para Salerno. Dormi lá e no outro dia acordei e fui para Paestum. É uma antiga colônia grega, assim como Pompéia e tantas cidades romanas. O interessante é que lá há os mais bem conservados templos gregos da Itália. Novamente, foi lição de arquitetura e da relação dela com a religião.

 

DSC_1521

Templo de Ceres. Paestum

Passei uma tarde lá olhando os templos e pensando no que a Grécia me reservava. Sim, nesse momento da viagem eu só pensava na Grécia, nos deuses, nas praias, no ferry, etc. Paestum foi como uma introdução, um prefácio pro que eu ia ver lá do outro lado do Adriático. Falar muito agora vai tirar a graça do que vou falar depois, e não só isso, seria também cair em repetição: apesar da riqueza arqueológica da antiga cidade, Paestum é parte da regra, ou seja, típica cidade romana do período clássico.

 

DSC_1465_1

Eu & Templo de Netuno (Vulgo Poseidon, nada amigo de Odisseus)

Depois disso, peguei o carro e cobri voado a distância até Brindisi, no salto da bota da Itália. Dormi uma noite lá, no outro dia fui comprar meu ticket para fazer a viagem. Dormi mais uma noite e de tardezinha fui até o porto. Era a primeira vez que andava de Ferry-Boat, primeira vez que via um de tão perto assim, já que no Brasil nem temos esse costume de viajar assim, então eles residem como lendas, criaturas mitológicas que habitam o porto de Santos.

 

DSC_1545

Grraaaauuuurrr! (Elli T. Pireus)

Cheguei cedo e fiquei lá observando os caminhoneiros entrarem de marcha-ré pela boca de engolir automóvel do barco gigante. Quando foi minha vez, entrei, estacionei o carro, peguei minha sacola com os itens pra noite e fui pra minha cabine. Deixei tudo lá e fui pro deck ver o navio deixar o cais. Não tenho como descrever também a sensação de ver a terra ir ficando pequenina, até ficar tão miúda que cabia na cabeça de um alfinete. De ouvir o navio bater na água, e de estar sentado lá sozinho, olhando a lua. Desci, bati papo com os gregos, tomei uma cerveja, e aí veio a idéia de fazer o depoimento. Peguei  a cam, voltei de novo para o deck e fiz o vídeo.

Foi um dos melhores momentos meus-comigo-mesmo da viagem, porque ali eu estava só, passando uma experiência totalmente nova num lugar totalmente novo. Eu estou escrevendo aqui, fecho os olhos, e consigo sentir o vento batendo em mim, ouço a água, sinto tudo de novo. Isso nunca vai sair de mim, nunca. Toda a vez que eu quiser, é só fechar os olhos e eu estou de novo naquele deck pintado de azul, com as cadeiras de ferro, sentado, vendo a luz refletir no mar, a costa da Itália beeeem ao longe. Sou eu em cima do Mar de Adriano, o mar que me levou pra Grécia querida, que tanto bem e tantas experiências fantásticas me trouxe. Eu pensava que a viagem estava ótima, mas a Grécia me fez rever conceitos como “tá bom” “demais” e “puta que pariu… sensacional!”.

 

DSC_1555

Companheiro de viagem.

Uma viagem como essa é cheia de momentos mágicos, lugares mágicos. Mas uma coisa que eu fui aprendendo, e que agora está se consolidando em mim, é curtir mais ainda o simples. Nos posts anteriores eu falei de museus, quadros, igrejas, lugares mil. Neste eu falei disso um pouco, mas tudo serviu para chegar aqui e eu te contar da cadeira de ferro no deck azul. Eu não consigo sintetizar o poder daquela cadeira de ferro no deck azul, e por isso gravei o vídeo para falar de tudo, porque falando de tudo eu não falava da cadeira em específico. Eu fecho os olhos agora e lembro da paz do céu aberto de noite de lua cheia no meio do mar. Olho pra baixo da minha mesa aqui e láaaaa embaixo vejo o mar batendo na proa branca do barco da cadeira de ferro do deck azul. Todo lugar que eu for, eu já te disse isso, eu estou de novo na cadeira de ferro do deck azul. Para isso, basta fechar os olhos.

 

DSC_1590

Terra à vista: Patraso, Grécia.

Depois de algum tempo de solilóquio, eu desci pra minha cabine. Deitei ao som da lua lá fora, iluminando a água. Fechei os olhos e não sonhei, porque sonho geralmente é o nome daquilo que a gente quer pra gente, que se deseja, que se espera. Tudo que eu queria estava acontecendo comigo. Por isso, nesse dia eu dormi e quando fechei os olhos, tudo que eu vi foi um céu azul infinito, e um menino em órbita que flutuava numa cadeira.

 

DSC_1604

Parákalo Hellas!!!

No outro dia acordei na terra dos meus deuses pessoais. Patraso, meu destino, se desenhava no horizonte como uma dessas águias que Zeus manda para avisar os mortais do inevitável que está para acontecer. Com a minha câmera comecei a registrar os augúrios do dia que começava. O barco aportou, retirei meu carro. Do lado de fora, vi uma placa escrita assim:

ΑΘΗΝΑ -> (Atenas ->)

Olhei, balancei a cabeça num gesto de incredulidade, e quando engatava a quinta-marcha pensei de mim para comigo mesmo:

“É deusa, CHEGAMOS!”

Lá do alto Atena sorriu: mais alguns quilômetros eu entraria debaixo das cobertas do berço da civilização ocidental.

 

DSC_1584

(Y)

Mas isso é papo para a próxima Odisséia.

Anúncios