ZTCT2009: Genova & Milano

Posted on setembro 18, 2009

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"- A Itália é à esquerda", informou-me Garibaldi.

"- A Itália é à esquerda", informou-me Garibaldi.

Che bella cosa, na jurnata ‘e sole, foi entrar na Itália viu?

Tem quem acredite nessas coisas, tem quem não, mas depois de tanto lugar diferente que eu estive, eu já tomei como ponto pacífico para mim que cada lugar, cidade e país tem uma “atmosfera” que lhe é peculiar. E não é de cultura que estou falando, é algo que está intrínsico num raison d’etre que extrapola os limites do olhar convencional que lançamos quando nos adrentamos no território-do-outro. Se você me perguntar então diretamente para dizer o que é isso, eu te digo sem rodeios que é a energia do lugar mesmo. Hoje eu vi um vídeo duma criatura esquisita que um pessoal do Panamá, acho (eu não quero ver o vídeo de novo, desculpem) e fiquei pensando no quanto de coisa que a gente ainda tem por descobrir. Por isso, e até em nome da finada criatura, eu me sinto confortável para te dizer que cada pedacinho de chão deste mundo nosso é diferente, e essa diferença a gente sente na pele, e no espírito também.

Ok, onde eu estava mesmo?? Ah sim, Itália....

Ok, onde eu estava mesmo?? Ah sim, Itália....

Por isso, foi entrar na Itália que eu me senti diferente. Mais alegre, disposto… e não imaginei que ia me sentir feliz de deixar a França, além do que, estava na Riviera, em Cote d’Azur. Mas sim, fiquei feliz mesmo. A Itália tem um sei-lá-o-que nela mais simples e mais expontâneo. O italiano não é do tipo que guarda pra si o que pensa, e se irrita facilmente para daqui cinco minutos estar tudo bem. Enfim, eu confirmei os esteriótipos típicos, como falar com as mãos, alto, serem emotivos, passionais, etc. E minha conclusão disso tudo? Eu adorei, e estou adorando.

Quem nasce em Gênova é genovês, certo? Poisé... casa de um dos mais ilustres: Cristovão Colombo. Vi o túmulo dele em Sevilha, e agora a casa dele em Gênova. Mission Acomplished, capitano.

Quem nasce em Gênova é genovês, certo? Poisé... casa de um dos mais ilustres: Cristovão Colombo. Vi o túmulo dele em Sevilha, e agora a casa dele em Gênova. Mission accomplished, capitano.

Coloquei Gênova e Milão juntos, porque foram duas cidades que estive bem pouco, apenas para conhecer mesmo e ver os pontos principais. A idéia não era parar mesmo, como fiz em Florença (próximo post). Por isso, nada de grandes estudos, apenas alguma elocubrações de janela do carro e alguns comentário au passant, com os quais espero mesmo assim trazer algumas informações.

Simplicidade e beleza: por isso eu gosto tanto do renascentismo italiano.

Simplicidade e beleza: por isso eu gosto tanto do renascentismo italiano.

Gênova até hoje tem o jeito que imagino tinha quando seus senhores cruzavam o mediterrâneo e forçavam os reis de Portugal, Espanha, e demais engraçadinhos europeus, a procurarem contornar a África para fazerem comércio. Cidade costeira, clima de cidade costeira e mediterrânea, com gente acostumada a lidar com estrangeiros. Isso, pra dizer a verdade, é no geral das cidades grandes italianas: como bons ex-romanos que são, adoram fazer comércio, e em nome dele, toleram as diferenças que por ventura apareçam. Mas fora isso, para mim foi bom sair do livro e andar pelas ruas daquela que foi uma das cidades onde o capitalismo primeiramente atracou. De lembrar das minhas aulas de História Econômica Geral, do século XIV e XV, e de imaginar pessoas de roupas de veludo, chapéu com pena, passando apressadas rumo ao porto da cidade, que agora abriga enormes navios de cruzeiro e demais embarcações turísticas. De descer as ruas da cidade e notar a arquitetura renascentista florentina e sua influência que deve ter chegado pelo mesmo mar que chegava o dinheiro que alimentava e fazia de Gênova, juntamente com Veneza e Napoles, uma das pérolas comerciais do mediterrâneo.

Um óasis cultural no meio de tanta loja.

Um oásis cultural no meio de tanta loja.

E aí eu deixo Gênova para ir pra Milão. Deixo uma cidade tipicamente italiana, na verdade, muito responsável por nos informar pelo jeito de ser italiano pós-imperial e vou para a cidade que é considerada “a menos italiana de toda Itália”. Sim, Milão realmente não parece Itália. Pólo de moda, na verdade tinha momentos que eu andava por lá e ficava me perguntando se não estava em Picadilly Circus, ou em Oxford St. É uma cidade cara, que eu particularmente não vi tantos atrativos, porque eu estou aqui em busca de história. Quero enfiar a mão debaixo de pedra e perguntar para seu-escorpião que mora embaixo qual era a cor do cavalo branco do corso tinhoso. Não fiquei 2 dias lá, apenas pro tempo de chegar e dormir, dá check-out e ir no Castello Sforza e no Duomo, naquilo que foi uma tentativa de  justamente resgatar a história da vitrine da Dolce&Gabana, ou de dentro da bolsa da Victor-Hugo.

Não é a toa que levava mais de século pra ficar pronta cada empreitada dessa.

Não é a toa que levava mais de século pra ficar pronta cada empreitada dessa.

De qualquer maneira, eu estava feliz de já estar dentro deste país. Depois dos passeios rápidos, mirei o carro rumo a Firenze. Fui cheio de expectativas, que não só se confirmaram como foram extrapoladas: a cidade que imortalizou Leonardo (que na verdade era de “Vinci”, uma cidadezinha perto de Florença) e deu berço para outro imortal, Michelângelo, abriu suas portas e portais para mim e me convidou a mergulhar de corpo e alma no Renascentismo. Tão intensa foi esse conúbio entre mim e a cidade, que saí de lá com temas que vou incorporar em minha futura tese de doutorado….

Falando no homem: Pietá Rondanini, de Michelângelo Buonarroi.

Falando no homem: Pietá Rondanini, de Michelângelo Buonarroi. Museu do Castelo Sforza, Milão.

Mas isso é coisa do próximo post, não é mesmo?

Amém

Amém.

Baccios!

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