ZTCT2009: Monaco.

Posted on setembro 13, 2009

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Principado de "Minha Nega"? (AHAHAHAHAHAH, ÓTIMA ESSA HEM!)

Principado de "Meu Nego"? (AHAHAHAHAHAH, ÓTIMA ESSA HEM!)

Vou falar de Monaco separadamente, porque logo depois entrei na Itália e uma nova etapa da viagem começou. Monaco é uma espécie de portal entre os dois mundos, o francês e o italiano. Agora que conheço ambos os países com mais propriedade, posso afirmar isso. E por ter essa função de médium entre-países, que eu preferi falar separadamente.

Panorâmica da Bahia de Monte Carlo. À esquerda, do lado da piscina, é onde começa o GP de Monaco (Vide próxima foto). Mais pra cima é o túnel (vou colocar foto de dentro daqui a pouco). Do lado, a explicação porque não fui de yatch pra lá: não tinha onde estacionar papai.

Panorâmica da Bahia de Monte Carlo. À esquerda, do lado da piscina, é onde começa o GP de Monaco (Vide próxima foto). Mais pra cima é o túnel (vou colocar foto de dentro daqui a pouco). Do lado, a explicação porque não fui de yatch pra lá: não tinha onde estacionar papai.

A passada por lá foi rápida, passei um dia, mas não dormi lá. Cheguei, almocei, perambulei, comprei camiseta de fórmula um, chaveirinho, etc. Fui no castelo, vi a estátua do tal do Príncipe Albert, que nunca foi uma figura de muito peso na minha vida, tirei fotos da vista. Depois disso, peguei o carro, e claro, fui fazer o circuito de fórmula um. Essa parte foi djóia, afinal, eu cresci nos 80, acordando cedo no domingo pra ver corrida com meu pai. Sou do tempo do Piquet, nunca fui muito fã do Senna, tirando o campeonato de 1992 e o GP do Brasil que ele ganhou com a segunda e a sexta marcha só, com o Prost tirando 1, 2 segundos por volta no final. Quando ele levantou o troféu cansado, com uma mão, quase caindo, eu lembro até hoje da expressão contrariada mais respeitosa de fã do Piquet do meu pai dizendo “É…”

Essas marcas brancas no chão, são do grid de largada.

Essas marcas brancas no chão são do grid de largada.

Mas voltando à cidade em si, como eu disse, ela é meio caminho andado pra França e pra Itália. Tem aquele ar esnobe de francês-Chamonix-em-Março/Abril e um jeito mais solto e incauto italiano de Ferrari sem capota. Ao mesmo tempo que você vê esse dinheiro todo, e por estar lá, acaba sendo bem tratado. Fui comer e um restaurante, e estava com uma camisa da Inglaterra, e o dono do restaurante acenou pra mim, me ofereceu ler a carta. Eu fui, li, gostei e sentei pra comer. O garçon chegou falando um inglês impecável, perguntando-me se eu era inglês. Eu disse que não, e quando disse que era brasileiro ele se espantou “nossa” eu perguntei o porque do espanto, e ele me disse “é raro ver brasileiros por aqui”. E eu fiquei sem saber o que dizer, mas vi que o comentário não foi maldoso, foi de certificação de um fato. Logicamente ele adivinhou que eu não atravessei o atlântico e entrei por Gilbraltar de barco caro, mas me tratou muitíssimo bem. Era francês, falamos de futebol claro, e ele polidamente elogiou o time brasileiro, lembrando de 1998 sutilmente. E eu sutilmente lembrei ele das 5 estrelas no peito da nossa camisa, 4 a mais que a deles, e ele riu e foi anotar meu pedido. Tá pensando o que cumpadi? Que cruzei mais de 10.000 km pra ouvir vagabundo de Monaco falar mal do BRASIL? Se liga. Ao menos ele não cuspiu no meu peixe, porque ele preparou o prato na minha frente (especialidade de lá, vide a próxima foto).

Uma das melhores refeições que fiz na viagem. Detalhe é que ele prepara tudo isso na tua frente, num passe de mágica tira as espinhas do peixe, prepara os vegetais, tudo. Teve até tempo pra provocar o garçom do estabelecimento do lado, que eu ia comer lá, tava olhando o cardápio, quando o dono desse lugar que eu comi me chamou pra comer lá. E você pensando que esse tipo de malandragem nunca ia acontecer na Zooropa, não é mesmo?

Uma das melhores refeições que fiz na viagem. Detalhe é que ele prepara tudo isso na tua frente, num passe de mágica tira as espinhas do peixe, prepara os vegetais, tudo. Teve até tempo pra provocar o garçom do estabelecimento do lado, que eu ia comer lá, tava olhando o cardápio, quando o dono desse lugar que eu comi me chamou pra comer no restaurante dele. E você pensando que esse tipo de malandragem nunca ia acontecer na Zooropa, não é mesmo?

Enfim, fora isso, não tem muito mais que eu possa falar, e mesmo que eu acha que vá se ver lá. A não ser que você tenha chegado em um yatch,  pode dar uma esticada no Cassino de Monte Carlo, perder um milhão, e voltar pro barco e se consolar na siliconada bronze-côte d’azur que tá contigo.

Castelo de neguinho príncipe vagabundo. Achei de um mal gosto tremendo. Fico imaginando o o Arnolfo Di Cambio diria.

Castelo de neguinho príncipe vagabundo. Achei de um mal gosto tremendo. Fico imaginando o que o Arnolfo Di Cambio diria.

Sim, o ponto alto de lá, sociologicamente falando, é que eu pude observar RIQUEZA. Sim, com maiúscula. Eu vinha de Côte d’Azur, Riviera, Cannes, Hotel Carlton, Praias Privadas, e pensava que tinha visto tudo. E aí você chega em Monaco, e lá de cima vê os apartamentos esquema asa sul que o pessoal paga zilhões para ter. Olha pro porto, só yatch… os carros? Loja da Ferrari e da Porsche, e inúmeros passeando pela rua. Vi uma F40 amarela, e um modelo novo vermelho, um do lado do outro. Vi 5 amigos, dois porsches e 3 ferraris parados no trânsito, conversando. Você olha as lojas, restaurantes, e aí você entende o que é ser rico. Aí no Brasil o sujeito ganha uns trocos no comércio dele, no escritório, ou passa num concurso, compra um carro importado, e aí pensa “tô rico”, e com esse pouco que tem se perde. Aqui se vê riqueza de bilhão. Mostraram pra mim um BILIONÁRIO, tão rico que tinha loja dele que tinha fechado e ele não sabia. Tipo rico incauto, pelo o que me disseram. Gente que estaciona na frente de loja na champs-elysée e pede pelaamordeDeus pra comprar mais de uma bolsa Victor Hugo por dia, e quando recebe não de resposta, paga pra estranhos entrarem na loja e comprar (uma oriental-sei-lá-de-onde comprou 11).

O famoso túnel de Monte Carlo!

O famoso túnel de Monte Carlo!

Monaco é o ápice disso tudo. Muito dinheiro mesmo. Rico simples, rico nariz em pé, rico que não fala com ninguém, rico o que seja, mas tudo rico. E aí você tem a oportunidade de pensar tanto no valor do dinheiro como no valor daquilo que já tem. Pensa se vale a pena ser enjoado tendo pouco ou muito, ou se vale mais a pena dividir o que tem e espalhar alegria. Se é bacana sentir o ronco da ferrari fazer eco no coração vazio, ou se é melhor escutar a voz de alguém querido falando atrás de ti no banco da lambreta.

oi princesa, quer tc?

oi princesa, quer tc?

Dinheiro, money ou $$$. Chame como quiser, eu posso te afirmar pelas pessoas que conversei com milhões de cifras no bolso, que nenhuma delas era um pouco mais ou menos feliz por conta dele. Pelo que percebi, não é o tanto que você tem, mas o que você faz dele. Se duvida de mim, pergunte para a parede de um apartamento de verão vazio de Monte Carlo se ele não preferia a casa cheia de criança barulhenta ao ruído tímido de poeira deitada uma sobre a outra.

Juro que não entendi a estátua, nem a gratidão. Mas ok...

Juro que não entendi a estátua, nem a gratidão, mas ok. Acho que é mania de príncipe-menor com vontade de Carlos Magno. Deve ser isso.

Até mai$

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