ZTCT2009: Nantes & Bordeaux.

Posted on setembro 6, 2009

1


O começo de uma saga reeducativa...

O começo de uma saga reeducativa. Detalhe pra taça de vinho BRANCO.

É muito mais complicado do que eu pensei atualizar este blog enquanto estou na viagem. Mesmo fazendo paradas estratégicas em cidades, e ficando mais de um dia, é bem complexo. Cada lugar que eu estou é novo, cheio de descobertas. É TANTA coisa que eu sinceramente nem sei por onde começar muitas vezes. Mas hoje é mais tranqüilo, que vou falar de duas cidades que passei no caminho, fiquei pouco e foquei mais em relaxar do que explorar de fato.

Uma curiosidade: sim, é uma roda de capoeira. Sim, são brasileiros. Isso foi em Nantes, mas vi também em Nice. Eles trabalham como artistas de rua, fazem acobracias, lutam, e depois passam o pandeiro pedindo contribuições.

Uma curiosidade: sim, é uma roda de capoeira. Sim, são brasileiros. Isso foi em Nantes, mas vi também em Nice. Eles trabalham como artistas de rua, fazem acobracias, lutam, e depois passam o pandeiro pedindo contribuições. Eu estava de camisa da seleção nesse dia, e eles me convidaram para entrar na roda. Eu mandei logo um "sou do jiu-jitsu cumpadi" e um deles virou para mim e disse pra gente fazer um chão pros turistas. Juro que foi verdade, mas se dissesse que topei, estaria mentindo.

Nantes é cidade da Bretagne, condado de Mr. Victor Hugo. Hugo sempre falou do amor dele pela Bretanha, e Balzac sempre avisou pra tomar cuidado com as mulheres de lá. Foi lembrando dos dois que mirei o carro e saí de Paris e comecei de fato a minha viagem. A cidade é muito agradável, tranqüila, e foi lá pela primeira vez que vi uma boulangerie mesmo, daquelas que eu pensava que só existiam em filme. Pães de todos os formatos, gostos e cheiros. Além disso, muito vinho, muita gastronomia. O povo eu achei tranqüilo, na verdade, não tenho problemas em lidar com franceses no geral. Eu tenho um francês de aliança francesa básico, o que para eles soa como sinal de respeito. Foi o que notei: fale um francês ruim antes de tentar falar outra língua, ou se se sentir confiante e estiver em Paris, fale inglês ou espanhol. De qualquer maneira, eles lembram um pouco os ingleses na cultura de costa, do fish n’ chips e da simplicidade cockney de pescador.

moçaeuqueroesseetambémaqueleeumpedaçodooutroetemqualmaisquenãoescolhitemcaféquerotambémtôcomfomepãoadoropão

moçaeuqueroesseetambémaqueleeumpedaçodooutroetemqualmaisquetôcomfomepãoadoropão

Passei dois dias em Nantes, fui a cafés, e o ponto alto da viagem foi a visita à catedral da cidade. Não pelo gótico que tantas vezes já vi, ou por esse ou aquele detalhe interior. Mas foi pelo fato que pela primeira vez ouvi alguém tocando aqueles orgãos de catedral, esquema Phantom of the Opera. Eu estava lá, andando, e derrepente começa aquele som absurdo, ecoando pelas paredes, batendo no rosto dos santos locais e vindo parar no meu ouvido. Eu me senti como a serpente do conto árabe, hipnotizado, até mesmo abobalhado. Para completar, quem executava as músicas estava escondido pelo tamanho do instrumento, e estava no alto da catedral, e um andar isolado. Ou seja, isso só adicionava um clima fantasmagórico e ancestral a tudo. Eu ali, parado, recebendo a luz colorida de um vitral, ouvindo o som do orgão como a que tocar sozinho. Eu gravei isso, e depois, quando voltar, jogo tudo no youtube e vocês vão entender melhor o que passei.

Catedral de Nantes

Catedral de Nantes...

Após Nantes, fui a Bordeaux. Fui lá apenas para passar mesmo, que já tinha passado lá na vinda para Paris. O que falar de Bordeaux que não seja o óbvio? Fui lá para sentar num restaurante e pedir o “vinho da casa” e aprender um pouco mais sobre essa cultura. Na verdade, tive a oportunidade de fazer amizade com pessoas que trabalham com vinho, tanto no plantio como na apreciação, e pude aprender muita coisa. Desde como identificar coisas que antigamente passavam mais que batido, como o jeito certo de tomar, copos, tudo mais. Enfim, adicionei mais capital aos meu conhecimentos bonvivantistas, que é parte da minha personalidade, e quem me conhece sabe o tanto que aprecio e valorizo boa mesa, boa comida, o bem vestir, o bem viver, etc.

Catedral de Bordeaux. Qualquer semelhança é mero estilo.

... e a Catedral de Bordeaux. Qualquer semlhança não é mera coincidência, é estilo mesmo.

Fiz fotos da catedral e a bastille de Bordeaux. Nada demais, tanto que fiz só o externo. Novamente, a ida a Bordeaux valeu pela gastronomia. Em Nantes eu finalmente consegui começar a gostar de vinho branco (não conseguia largar a ditadura do rouge). Bordeaux eu continuei nisso. Além disso, em Nantes comecei todo um processo de reeducação alimentar, no sentido de largar velhos hábitos que tinha como comer rápido e muito. Sim, eu passei a vida toda achando frescura o jeito francês de comer. Achava que eles comiam nada e pagavam caro na comida. Bem, hoje em dia tudo que eu posso fazer é pedir desculpa pela heresia. Basta falar que estou no meio da Itália agora, e ontem fiz uma refeição em Milano, e o senhor que atendeu ficou impressionado que eu comia metade de um prato, bem calmo, e pedia o outro. Ele ficou achando que era problema na comida. E eu tive que explicar, dizer que não, que gosto de comer de pouco em pouco, saborear e não me empanturrar. Ok, amigo, amiga e família minha que me leu até agora deve estar do outro lado da tela com cara de “nãaaaoo creeeeio!” Poisé, vive la france mes amies.

emoçomevêdoisnãotrêstemcomumacaixaépramimepraminhamãeepramimdenovoaiamovinho

emoçomevêdoisnãotrêstemcomumacaixaépramimepraminhamãeepramimdenovoaiamovinho

Como se percebe, estou tentando colocar o blog no mesmo lugar que estou, mas está complicado. Vou tentar acelerar as coisas e amanhã falar de Cote d’Azur inteira, de todos os lugares que lá fiquei. Depois disso vem Mônaco e o começo da Itália.

Bisous!

Bisous!

Au revoir, por enquanto.

Anúncios