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	<title>quatro tradições</title>
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	<description>alcova, avião, livro e pout-pourri sociológico</description>
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		<title>Dois Causos: Maxixe &amp; Direito na Velha República.</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 20:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Corta-jaca&#8221;, ou o &#8220;Maxixe de Milady&#8221;. &#160; A menos de vinte dias de terminar o governo, aconteceu um fato pitoresco no Palácio do Catete. Ouvindo Catulo da Paixão Cearense reclamar junto ao presidente de que a música popular nunca fora tocada no palácio, a primeira-dama, Nair de Teffé resolveu inovar. A conselho de seu professor Emílio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=751&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>&#8220;Corta-jaca&#8221;, ou o &#8220;Maxixe de Milady&#8221;.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_755" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/materia03_chiquinha-gonzaga.jpeg"><img class="size-full wp-image-755" title="materia03_Chiquinha-Gonzaga" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/materia03_chiquinha-gonzaga.jpeg?w=594&#038;h=451" alt="" width="594" height="451" /></a><p class="wp-caption-text">Em sua casa de campo, a grande autora (influência dos grandes musicos decadentistas modernos, como &quot;É o Tchan&quot; e &quot;Aviões do Forró&quot;) recebeu a equipe de nosso blog, onde posou para fotos nas vestes que foram copiadas pela grande atriz americana, estrela de &quot;O Pecado Mora ao Lado&quot;.</p></div>
<p style="text-align:justify;">A menos de vinte dias de terminar o governo, aconteceu um fato pitoresco no Palácio do Catete. Ouvindo Catulo da Paixão Cearense reclamar junto ao presidente de que a música popular nunca fora tocada no palácio, a primeira-dama, Nair de Teffé resolveu inovar. A conselho de seu professor Emílio Pereira, incluiu um número nacional no pequeno recital que apresentou aos seus confidados da noite de 26 de setembro. Depois de dedilhar a &#8220;Rapsódia&#8221; de Liszt ao piano, e cantar &#8220;Le chant du gondolier&#8221; acompanhada pelo maestro Ernani Figueiredo, ela tocou ao violão o tanguinho &#8220;Gaúcho&#8221;, da veneranda compositora Chiquinha Gonzaga (então com 75 anos), sendo muito aplaudida.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que &#8220;Gaúcho&#8221;, além de o título sugerir uma homenagem a Pinheiro Machado, nada mais era do que a versão instrumental do supostamente lascivo &#8220;Corta-jaca&#8221;, lançado vinte anos antes pela estrelíssima Pepa Ruiz na Revista <em>Zizinha Maxixe</em>, e posteriormente gravada pela banda do Corpo de Bombeiros. A rigor, podia ser considerado um maxixe, ritmo então insistentemente atacado como indecente pela Igreja Católica. Dirigido por Viriato Correia, <em>A Rua</em>, novo verspertino saído de uma dissidência de <em>A Noite</em>, botou o assunto em manchete.</p>
<p style="text-align:justify;">Já no dia seguinte, Rui Barbosa fazia um discurso no Senado, condenando que,</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">diante da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, que vem a ser ele, sr. presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces não enrubesçam, que a mocidade se ria.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Assim foi-se Hermes da Fonseca, perna fina e bunda seca, tido como burro e azarento, rei da urububaca, tantas vezes ironizado em charges e revistas do ano. Seu quadriêncio, lembremos, começou com um <em>Tannhäuser </em>interrompida pelos canhões de João Cândido e terminou assim, em ritmo de chanchada, condenado por um dos seus únicos atos de simpatia. Não deixou saudades, mas um grande anedotário.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Os Autores de Direito e o Direito das Bengalas. </strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_757" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/27638.jpg"><img class="size-full wp-image-757" title="27638" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/27638.jpg?w=594&#038;h=370" alt="" width="594" height="370" /></a><p class="wp-caption-text">Procurado por nossa redação para prestar esclarecimentos do envolvimento de seu irmão em tamanha balbúrdia, fomos informados, por sua assessoria, que Arthur Bernardes estaria ausente do país, a realizar &quot;uma grande viagem&quot;.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Estes eventos se passam em 1916, durante uma polêmica aberta com a criação da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), que tinha como seu presidente João do Rio. Tal sociedade foi criada logo foi aprovada a Lei de Direitos Autorais (3.701/16) que finalmente deu aos autores alguns subsídios para sua luta contra a ação dos empresários/produtores, que se apropriavam das peças, e muitas vezes as alteravam ao seu bel prazer, na busca pelo lucro fácil.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Na <em>soirée</em> de 17 de abril, assim que entrou em cena, o ator (Froés, cupincha do partido dos empresários que vinha difamando João do Rio e a SBAT) recebeu em plena cara uma gargalhada sarcástica de Oduvaldo Vianna, que ocupava um camarote, ao lado de Abadie Farias Rosa, Bezerra de Feitas, outros membro da SBAT e jornalistas. Percebendo do que se tratava, Froés começou um discurso contra João do Rio e Viriato, interrompido com vaias que a claque não conseguiu sufocar, seguidas por saraivada de ovos, tomates e verduras podres. A um gesto do empresário, os empregados da companhia tentaram expulsar os baderneiros, mas tudo degringolou em grossa pancadaria, com a adesão de parte da platéia. Cadeiras voavam. Leopoldo Froés deu uma banana para os espectadores, antes de desaparecer estrategicamente. Uma coadjuvante, aos gritos de &#8220;público filho da puta!&#8221;, quebrou a sombrinha na cabeça de Vianna. Na platéia estava presente o dr. Olegário, irmão de Arthur Bernardes, o presidente de Minas Gerais. Indignado, chamou a polícia, que invadiu o teatro, suspendendo a peça e prendendo os beligerantes. Levados para a 5ª delegacia, foram soltos pela estratégica interferência de João do Rio, que, avisado, ligou pessoalmente para o chefe de polícia, o jornalista e literato baiano Aurelino Leal. Detido em mangas de camisa quando jantava na Praça Tiradentes, Froés mandou devolver o dinheiro dos ingressos.</p>
<p style="text-align:justify;">Não saberemos nunca o que as partes confabularam sob a mediação do delegado Albuquerque Mello, mas a verdade é que pararam as gracinhas nos anúncios (contra João do Rio e a SBAT), e, aos poucos, os empresários passaram a reconhecer os direitos autorais e a tabela da SBAT.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:right;">(Extraídos de: João Carlos Rodrigues &#8211; <em>João do Rio).</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/751/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/751/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=751&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O João, o Paulo e o Mário do Rio: a invenção do nosso-moderno.</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 04:44:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociologismos.]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_740" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/joc3a3o-do-rio-no-picinez1.jpeg"><img class="size-full wp-image-740" title="JOÃO DO RIO-NO PICINEZ" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/joc3a3o-do-rio-no-picinez1.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O caricaturista do Rio e do Brasil.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Li recentemente um <a href="http://antropologiadascoisas.blogspot.com/2011/01/leitura-de-domingo-pena-do-etnologo.html">artigo</a> sobre o namoro não assumido entre a Etnologia e a Ficção, e lembrando dos trabalhos do João do Rio, fiquei a pensar que na verdade, toda a ciência, e mesmo a vida, não escapa de algum invencionismo: ninguém menos que Weber disse que &#8220;o exagero é a minha profissão&#8221;, e na vida é normal ao contador de conto aumentar um ponto. João do Rio foi nosso primeiro etnólogo, e como primeiro tinha o direito de dar o rumo das coisas. Fez isso ao juntar relato com ficção, observação com omissão, investigação com necessidade de ganhar seu pão. Com isso, talvez, foi o mais humano de nossos cientistas sociais. Ele mesmo era uma invenção, um psedônimo (nasceu Paulo Barreto), uma mentira bem contada, com várias caras, travesti: gay, homem, jornalista, literato, ninguém sabe ao certo. Assim nasceu nossa etnologia: no relato de alguém versado na arte da dissimulação. Assim também nasceria o Brasil-Moderno.</p>
<p style="text-align:justify;">João do Rio foi singular, não só pela figura que era, pelos ódios e amores que despertou, mas principalmente pela denúncia e mesmo o (auto)retrato que pintou da sociedade brasileira aos tempos do surgimento dessas correntes, entre elas, o Modernismo. Um Rio de Janeiro que queria ser a Paris usando Lisboa como referência: O Rio do &#8220;bota-abaixo&#8221; de Rodrigo Alves, da sua primeira Avenida, do Teatro Municipal que Arthur Azevedo lutou por 10 anos para ver em pé, do nacionalismo estético exacerbado de Coelho Neto. Esse Rio era um Rio inventado, criado, circunscrito, delimitado em espaço reduzido, porque só assim ele podia existir. Era o &#8220;Rio do Centro&#8221;, que funcionava como pequena vitrine da ansiedade de uma elite desinformada, para não dizer burra, que queria fazer das ruas um teatro de aparências daquilo que não eram, e nunca iam ser: europeus.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_741" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/centro6.jpeg"><img class="size-full wp-image-741" title="centro6" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/centro6.jpeg?w=594&#038;h=463" alt="" width="594" height="463" /></a><p class="wp-caption-text">O Rio de Janeiro, ou Paris, ou Lisboa, ou.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Esse era o Rio-ficção. O Rio-mais além, bem sabemos, assim com hoje, era uma cidade com contornos muito mais amplos. Era um Rio pobre, miserável, trôpego. Era mulato, judeu e cheirava à fumaça de ópio: desde começos, a cidade conviveu com a exclusão e as drogas. Essa cidade &#8220;real&#8221;, ela mesma, apesar de se impor como presença, era por sua vez travestida para poder parecer suportável: o carnaval, mais que um espetáculo, surge como exorcismo catártico e coletivo, como se a cidade inteira se sentasse no divã, e a folia confirmasse o sorriso irônico de algum pai da psicanálise.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_742" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/carnaval-antigo-02.jpeg"><img class="size-full wp-image-742" title="Carnaval Antigo 02" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/carnaval-antigo-02.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- Não sinhõ, o sinhõ tá nos confundinu. Nós samos a big-band do Sinatra, e estamos aqui fora por conta do calor que tá fazenu no Municipal.</p></div>
<p style="text-align:justify;">A <em>Exposição Nacional</em> de 1908 foi para o Rio de Janeiro a primeira tentativa pedagógica de aproximar as elites ignorantes da cidade com a &#8220;experiência-Brasil&#8221;. Idealizada por Afonso Pena, consistia numa exposição à moda do que conhecemos hoje em dia como &#8220;Feira dos Estados&#8221;: uma verdadeira cidade foi erguida na Praia Vermelha (Urca), onde cada estado da federação teve direito a um pavilhão. Pela primeira vez aos cidadão da Capital Nacional foi oferecida a oportunidade de sair um pouquinho da <em>champs-elysée</em> imaginária de cada dia e colocar o pé no terreiro: apresentações folclóricas, comidas típicas, e até mesmo uma banda de índios bororós (ensaiados por um padre salesiano) teve vez. Apesar de ter sido recebida com desconfiança pelos ditos-ricos e pela gente da imprensa, contou com o entusiasmo de João do Rio, que usando da sua pena, fez sua exegese, não sem &#8211; claro!- perder a chance de mandar um recado para quem falava francês:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;">- Mas então, Minas não tem porto de mar?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;">- Infelizmente, minha senhora. Apesar do Brasil ter as costas largas, Minas é um dos quatro estados centrais, sem porto de mar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;">- Quatro, só?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;">- Infelizmente, quatro só. Apesar do Brasil ter muitos estados, os outros não aderiram no movimento de horror ao oceano.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_743" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/1204899122_f.jpeg"><img class="size-full wp-image-743" title="1204899122_f" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/1204899122_f.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Exposição de 1908. Foto aérea tirada pelos Irmãos Wright.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Todavia, apesar da contribuição visível da <em>Exposição </em>para o alargamento dos horizontes daqueles que pensavam e daqueles que não pensavam em &#8220;Brasil&#8221; em pleno século XX, não devemos tomá-la apressadamente como causa, e sim como sintoma. O ambiente saturado dos modismos europeus, as mudanças na sociedade carioca, entre outros fatores, tornaram a atmosfera favorável para a busca do novo: o <em>spleen</em> burguês chegava ao Brasil, e com ele, chegava também o remédio que a Europa já vinha experimentando há algum tempo, a dizer, o &#8220;culto do exótico&#8221;. Artistas brasileiros, e americanos no geral, já faziam vida em Paris, se apresentando. Geraldo, seresteiro brasileiro, cantava e dançava no ponto <em>chiq</em> da cidade, o <em>Abbaye d&#8217;Albert</em>, o seu maxixe &#8220;Vem cá mulata&#8221;. Então, assim como Paris, O Rio de Janeiro, por meio da <em>Exposição</em>, vai aprender também a importar do Brasil novos divertimentos, e durante os três meses que funcionou a sua principal contribuição foi suar o pó de arroz dos rostos bem cuidados dos brancos de mentirinha, ao colocar toda a gente para sambar os novos ritmos.</p>
<p style="text-align:justify;">A miscigenação, o <em>tupi or not tupi</em>, o verde-amerelo, tudo isso chega paulatinamente, e vem ao som da banda. O espetáculo dessa nova descoberta do Brasil é&#8230; um espetáculo! O Brasil vai se descobrindo na rua, vai se beijando nas esquinas no dia de folia, no decandentismo expontâneo que solapavam velhas práticas, no risinho abafado das novas casacas, nas volúpias de um liberalismo crescente, que por fim se transformaram em nossa distinção cultural: sem as hipocrisias do velho-mundo presas aos calcanhares -por ter ele caído de moda-, o brasileiro acabou se assumindo no discurso fácil do calor sensual dos trópicos e das curvas das morenas e morenos.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_744" class="wp-caption aligncenter" style="width: 479px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/carnaval-1.jpeg"><img class="size-full wp-image-744" title="carnaval-1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/carnaval-1.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O encontro das etnias sob a supervisão do Estado brasileiro se repete até hoje em dia, ainda em fevereiro.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Essa é a herança que os modernos de 22 assumiram. São eles agora que tentam dar um tom estético e mesmo artístico a essa confusão de cores recém-descobertas. Entretanto, muitos deles faziam isso como tantos outros: como brincantes. Aquele que realmente viu nesse fenômeno a eclosão do Brasil foi Mário de Andrade: Ele, que se recusava viajar para Europa por dizer que muito tinha que conhecer de seu país; Ele, que lidou com a política enquanto cultura e a cultura enquanto política; Ele, que estudou e realmente divulgou em tons atuais esse Brasil, buscando não ordenar fatos, mas contar o caos que aparecia entre causos e rodas de violão. O resto deles, penso eu, surfaram a onda usando a educação refinada e o dandismo sofrido de casaca em verão, herdado de seus antecessores.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_745" class="wp-caption aligncenter" style="width: 601px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/a-gramatica-de-mario-de-andrade-fale-lingua-brasileira.jpeg"><img class="size-full wp-image-745" title="A-GRAMATICA-DE-MARIO-DE-ANDRADE-Fale-lingua-brasileira" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/a-gramatica-de-mario-de-andrade-fale-lingua-brasileira.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- en garde, Riô</p></div>
<p style="text-align:justify;">Por isso, tenho para mim que o Modernismo de 22 é dissociado de seu ambiente histórico e mesmo físico (esquece-se o Rio, fala-se das escadarias de São Paulo) como forma de se apropriar de um discurso e colocar cabresto em cavalo doido. O modernismo, tal como foi vivido pelo país, foi o encontrado inusitado de rio com mar (literalmente!), da cidade com um país, não algo pensado por senhores bonitos e damas esguias que gostavam da sensação <em>sans-coupé </em>do conversível do Oswald. Tanto isso é verdade, que mesmo João do Rio, tão defensor da <em>Exposição</em>, disse mais cedo, ao falar da <em>intelligentsia</em> com a qual andava a braços, que</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#888888;">&#8220;Éramos talvez uns 10 traquinas com idéias de elegância, estudando a maneira <em>fashion</em> de andar, o tom <em>up-to-date</em> de cumprimentar, com o interesse que nos atirávamos às capaz amarelas das brochuras francesas. A nossa opinião sobre o Brasil fizera-se definitiva: tínhamos decretado que não existia (&#8230;). Nós éramos estrangeiros&#8221;.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">O &#8220;desterro&#8221; sempre foi marca dos nossos escolados, que mesmo quando &#8220;antropofágicos&#8221;, o são numa tentativa de tentar acalmar as neuroses e tique-nervosos que atacam a mão que escreve, quando ao tratar com o que vem de fora.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_746" class="wp-caption aligncenter" style="width: 244px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/joaquim-nabuco.jpeg"><img class="size-full wp-image-746" title="joaquim-nabuco" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/joaquim-nabuco.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- O Sra. pode por favor não me chamar de Joaquim na frente das crianças?</p></div>
<p style="text-align:justify;">Por isso, o Modernismo marca o momento que o Brasil se vicia no Brasil, que começamos a usar e abusar de nossas próprias drogas, de nos contaminarmos de doenças da terra, e de passarmos uns pros outros, em formas de comichões sexuais e passeios demorados pelas cozinhas. Veio de encontros culturais que se posicionavam acima, e mesmo alheios às vontades dos cérebros. Mário de Andrade foi inteligente, mais que isso, foi malandro, e se tornou um catalogador, um mero escrivão do que assistia, e não um teimoso criador de manifestos que tentavam dar o tom da próxima nota.</p>
<p style="text-align:justify;">Aos eternos profetas do atraso, fica claro que o Brasil só realmente começa a aparecer enquanto experiência moderna. Para os fãs dos inteligentes, fica a frustração disso ter acontecido entre o tambor e o rebolar da tua parenta, em dia de feriado. Feliz, ou infelizmente, pensar demais parece não ser coisa que combina com o verão.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_747" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/coelho_netto.jpeg"><img class="size-full wp-image-747" title="Coelho_Netto" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2011/01/coelho_netto.jpeg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Antes do photoshop, existiu o mulato.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Agora licença, que o calor é muito e preciso fazer minha <em>toilette. </em></p>
</div>
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		<title>As Idéias enquanto Sistema: Cetro, Cajado e Competição</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 08:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociologismos.]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazer sociologia do conhecimento é, em primeira mão, apontar para os elementos sociais na construção do saber. É lembrar que além de toda biografia, do gênio, reside o meio social com suas demandas, na figura de uma época e/ou lugar. Todavia, em verdade, o campo mais nebuloso das ciências sociais, como um todo, é o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=703&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_709" class="wp-caption aligncenter" style="width: 539px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/athens1.gif"><img class="size-full wp-image-709" title="athens1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/athens1.gif?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Na foto, três intelectuais da velha guarda atenienses (da esquerda pra direita): Raymond Aron, Olavo de Carvalho e Chicó.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Fazer sociologia do conhecimento é, em primeira mão, apontar para os elementos sociais na construção do saber. É lembrar que além de toda biografia, do gênio, reside o meio social com suas demandas, na figura de uma época e/ou lugar. Todavia, em verdade, o campo mais nebuloso das ciências sociais, como um todo, é o que trata das estruturas do ato cognitivo. Basta lembrar que o próprio nascimento da sociologia se deu não apenas como a busca dos pais e mães da disciplina em colocá-la como forma válida de entender o real (a sociologia enquanto ciência): sua vinda ao mundo se deu em um momento que havia um questionamento maior do conhecimento em si, sua dinâmica, seus atores, e até mesmo sua legitimidade. Esperava-se, como se espera, que as ciências sociais contribuíssem, ao setorizar as dinâmicas socias do conhecimento, para uma maior qualidade na resposta à crítica romântica ao ideais do saber científico.</p>
<p style="text-align:justify;">Há quem diga que &#8220;as idéias sempre têm sua própria trajetória&#8221;, como que se por trás da história do acúmulo de saber existisse uma espécie de mão invisível smithiana, a guiar os rumos, os cérebros, as escolhas. Não duvido da força de um gênio criador: uma das lições do pós-modernismo é lembrar para o caráter &#8220;relativamente&#8221; autônomo de algumas idéias, que ao virem ao mundo, se tornam entidades únicas, até mesmo subversivas em relação ao seu criador ou criadores. Todavia, há de se lembrar para o perigo do radicalismo do relativismo-redutor, que busca emancipar sem explicar devidamente outros mecanismo que possuem também, por sua vez, poder de voz na criação e irradiação da idéia.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_710" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/d_jaques_derrida.jpg"><img class="size-full wp-image-710" title="d_jaques_derrida" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/d_jaques_derrida.jpg?w=594&#038;h=510" alt="" width="594" height="510" /></a><p class="wp-caption-text">- relativize-me, ou te devoro, tesudinho!</p></div>
<p style="text-align:justify;">Antonio Cândido é famoso pela sua tese, na qual coloca a literatura enquanto sistema: autor, obra, público e meio estão todos juntos e todos tem algo a dizer. Acho que a afirmação é válida também se ampliarmos para a produção das idéias como um todo: conhecer enquanto sistema.</p>
<p style="text-align:justify;">A idéia aqui seria mostrar um pouco da construção histórica da percepção social da importância do conhecimento. Nem sempre &#8220;saber&#8221; foi visto como fonte de poder, pois para isso a própria idéia de &#8220;poder&#8221; teve de ser trabalhada, alicerçada e ampliada para que incluísse aqueles que dedicavam uma parcela maior do seu tempo em uma investigação da realidade. Por trás do conhecimento existe o todo um &#8220;campo&#8221;, como mostrou Bourdieu, com seu habitus próprio e seus atores, que historicamente vêm se movimentando, em estratégias de consolidar e mesmo aumentar o escopo do seu lugar social.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Pensamento Social nos Impérios Agrários e a Democracia Grega: cetro, cajado e competição.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_716" class="wp-caption aligncenter" style="width: 346px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/dilma-e-serra.jpg"><img class="size-full wp-image-716" title="dilma-e-serra" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/dilma-e-serra.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Detalhe da famosa obra de Rafael Sanzio &quot;A Escola de Atenas&quot;: Platão (esq) aponta o céu, como que a dizer os rumos que a filosofia da política econômica do país devem tomar. Aristóteles (dir), aponta a terra, como que a pedir calma e benção a satanás, seu paizinho.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Inicialmente, o conhecimento em si mesmo não era considerado algo que tivesse valor. Os rudimentos do que hoje conhecemos por astronomia, engenharia, matemática, etc, estavam intimamente ligados a atividades práticas ou religiosas, que ditavam as aplicações e rumos do desenvolvimento desse conhecimento. A dicotomia &#8220;serve / não serve&#8221; era predominante, assim como a do &#8220;puro/impuro&#8221;, na lógica do tabu, direcionava e restringia até onde o saber poderia ir.</p>
<p style="text-align:justify;">Para que um conhecimento social se desenvolva e vá além dos limites do saber tradicional transmitido, duas coisas precisam acontecer. Primeiro, as sociedades precisam crescer em racionalização (ou desencantar-se, como diria Weber). O aspecto <em>savoir-faire</em> do conhecimento tradicional precisa ser mais enfatizado: modos de fazer antigos e comprovademente eficazes são assimilados aos códices sagrados. A religião, desde os seus primórdios, surge não apenas como elemento regulador da relação sagrado/profano, mas também como fonte do conjunto de saberes de um determinado povo. Com o tempo, e com a concerrência de outros conhecimentos, a religião pôde se &#8220;especializar&#8221; melhor em seu campo de atuação, todavia, essa relação entre saber prático (ecônomico) e religião não perdeu sua força: para isso basta lembrar, com Weber, da importância do protestantismo para o capitalismo, e do capitalismo para o protestantismo. Ambos só vingaram porque puderam se apoiar um no outro.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_714" class="wp-caption aligncenter" style="width: 358px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/soft-tyranny9.jpg"><img class="size-full wp-image-714" title="soft-tyranny9" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/soft-tyranny9.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- &quot;t-t-t-t-t-t-time is moooooney!&quot;. Palavra do Senhor. </p></div>
<p style="text-align:justify;">Todavia, pode-se repetir uma prática sem se ter noção, ou mesmo sem se importar com os princípios que regem essa prática (a fábrica moderna é exemplo disso, ensinou Marx). Por isso, uma segunda condição para o desenvolvimento do conhecimento é a emergência de um grupo de especialistas intelectuais com capacidade e permissão para criar sua própria comunidade, com fins a buscar o conhecimento em si mesmo. Tiveram seu surgimento durante os Impérios Agrários, pois somente neles o clero pôde se descolar do resto da sociedade e se organizar como grupo autônomo &#8211; organizador dos ritos e tidos como os únicos capazes de interpretar e produzir símbolos. A antiga figura do xamã seria a partir de então dividida entre outros membros, também eles agora com poder de fala sobre o sagrado, formando assim uma classe de especialistas.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a formação desse grupo (clero), a etapa seguinte é criar uma pedagogia da aceitação, que possibilitasse a legitimação do status quo. Política, religião e educação tiveram que ser articuladas de forma a possibilitar a criação e a manutenção dessa comunidade de intelectuais, que descolados das atividades práticas, podiam gozar de um ócio aristotélico e direcionar suas atividades para alguma investigação. Naturalmente esse conhecimento vinha desde o início a serviço da ideologia: o saber como afirmação, nunca como negação. Negar era o primeiro e o maior dos atos de heresia, arma revolucionária por excelência. Mas colocando-se à parte esses momentos de exceção histórica, visto que essas comunidades de especialistas eram patrocinadas pelo Estado, o ato de conhecer era antes de tudo um ato de subserviência ao cetro, ou ao cajado: pesquisava-se o que era conveniente.</p>
<div id="attachment_713" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/bushcelebratesgreekindependencedaywhite6yy-7yzjic_l.jpg"><img class="size-full wp-image-713" title="Bush+Celebrates+Greek+Independence+Day+White+6YY-7yZJIc_l" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/bushcelebratesgreekindependencedaywhite6yy-7yzjic_l.jpg?w=594&#038;h=400" alt="" width="594" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">- AHAHAHAHHAHAHA, ENTÃO... ALGUÉM SABE A DIFERENÇA ENTRE O MICHAEL JACKSON E UM PADRE CATÓLICO? AHAHAHAHAHAH</p></div>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, mudanças no campo político permitiriam algum avanço no conhecimento social. O modelo de democracia grega foi importante ao mexer nas estruturas e na forma que o conhecimento se relacionava com o poder, que por sua vez acabaram por contribuir para transformações nos métodos de acúmulo social do conhecimento.</p>
<p style="text-align:justify;">A Grécia é tida como o modelo maior da nossa civilização ocidental, e claro, da democracia. Louvamos a filosofia grega, mas pouco é questionado sobre quais elementos da sociedade grega que permitiram a emergência, e mesmo a revolução filosófica que acontecia em suas ágoras e mercados. Normalmente se acentua o gênio dos pré e pós socráticos, e do homem que marcou foi o marco para essa transformação profunda no saber ocidental.</p>
<p style="text-align:justify;">Todavia, mais do que fruto da vontade humana, os novos rumos nasceram do conjunto, da reunião daquilo que chamamos de &#8220;modo de ser&#8221; de um determinado povo, ou seja, a cultura. A configuração grega das cidades-estado criou uma autonomia e liberdade para que os cidadãos vivessem suas particularidades culturais, mas,  principalmente, tirava dos gregos a força moldadora que um regime de centralidade política poderia criar. Cada cidade se governava quando em paz, e quando em guerra, as alianças surgiam. A figura do tirano podia ser eleita ou convocada em tempos de crise social, mas nos tempos de calmaria, as cidades-estado eram uma arena de disputa entre os partidos políticos. O regime democrático permitia aos &#8220;cidadãos-iguais&#8221; lutarem por cargos, e a principal ferramenta nessa disputa era a oratória: ganhava quem também sabia falar bem.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_715" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/greece-21.jpg"><img class="size-full wp-image-715" title="greece-2" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/greece-21.jpg?w=594&#038;h=403" alt="" width="594" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Uma moderna aula de retórica grega, ou o &quot;velho e bom método de fixar uma idéia na cabeça de neguinho&quot;.</p></div>
<p style="text-align:justify;">É esse o motivo da crítica que vemos na obra de Sócrates / Platão aos sofistas: eram eles os responsáveis por treinar os jovens e velhos políticos para a arena política. Mas esse descontentamento do grupo dos filósofos contra os sofistas, também tem um aspecto político: mais do que um certo idealismo e uma visão purista do que venha a ser conhecimento, essa crítica  podia ser também um certo ciúme de grupo visto como marginal: Sócrates tomou a cicuta, Platão exilou-se.</p>
<p style="text-align:justify;">O certo é que essa competição entre os partidos criou um ambiente de incentivo à criatividade e a configuração do panorama político permitia a esses indivíduos uma certa autonomia, já que os senhores do momento vinham e iam. Independente do lado, a disputa era generalizada: filósofos versus filósofos versus sofistas versus outros sofistas, todos buscando preponderância. A democracia, ao incentivar a competição, forneceu a arena para que os saberes fossem disputados. Em vez de um grupo de especialistas defendendo um determinado saber que respondia à manutenção de um determinado saber tradicional, no caso grego (claro, com suas ressalvas) emerge o &#8220;pluralismo de verdades&#8221; dos grupos politicamente conflitantes: cada cabeça, uma sentença.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_717" class="wp-caption aligncenter" style="width: 530px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/305718_f520.jpg"><img class="size-full wp-image-717" title="305718_f520" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/305718_f520.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- Fui!</p></div>
<p style="text-align:justify;">É nesse momento que nasce a ciência social grega, que em verdade surge como uma ciência da história: antigos generais gregos escrevem tratados de &#8220;história séria&#8221;, onde os feitos da nação são lembrados. Se Homero foi responsável, nos dizeres de Adorno, por unir as narrativas e os mitos gregos, Tucídides e Heródoto uniram o povo grego em uma só história. Isso só foi possível porque a busca pela retórica demagógica acabou por incentivar um maior cuidado com a investigação dos valores gregos, que por seguinte, levaram a uma investigação das bases históricas desses mesmos valores.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a ciência histórica, os gregos iniciam o importante movimento de documentar a atividade humana. Logicamente isso criou as bases para que as investigações feitas ganhassem em capacidade discursiva. O conhecimento social se alicerçava em um solo mais firme, já que paulatinamente ia se percebendo e construindo novos aspectos das identidades coletivas, que por sua vez demandavam saberes mais específicos, respeitando os ditames das culturas das quais emergiam.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_718" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/7364_640px.jpg"><img class="size-full wp-image-718" title="7364_640px" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/7364_640px.jpg?w=594&#038;h=729" alt="" width="594" height="729" /></a><p class="wp-caption-text">NOTA: As opiniões desta tirinha não refletem o pensamento dos dirigentes da &quot;Democracia INC LTDA PELOSINTERESSESECONÔMICOS &amp; CIA&quot;, e são de responsabilidade dos seus criadores.</p></div>
<p>(Continua: &#8220;O Sistema das Idéias no medievo e renascença&#8221;)</p>
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		<item>
		<title>O Patíbulo como Vocação II &#8211; Re(re)ativando</title>
		<link>http://tea2break.wordpress.com/2010/05/07/o-patibulo-como-vocacao-ii-rereativando/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 08:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois bem, depois deste tempo todo cobrindo a minha viagem e escrevendo sobre ela, vou voltar a postar aqui. Enfrentei uma certa dificuldade quanto a retomar minhas atividades blogueiras, porque me questionava sobre a validade continuar com este blog, ou iniciar outro. Este blog começou como um noticiário do período que eu ia morar em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=692&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_693" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/leo-tolstoy-001.jpg"><img class="size-full wp-image-693" title="Leo-Tolstoy-001" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/leo-tolstoy-001.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- Não vai me dizer que tava com medinho de entrar no octagon das idéias novamente, seu mencheviquezinho.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Pois bem, depois deste tempo todo cobrindo a minha viagem e escrevendo sobre ela, vou voltar a postar aqui. Enfrentei uma certa dificuldade quanto a retomar minhas atividades blogueiras, porque me questionava sobre a validade continuar com este blog, ou iniciar outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Este blog começou como um noticiário do período que eu ia morar em Zooropa, terra dos bufões. Estava em Londres, agora-terra dos Conservadores e demais animais do <em>laissez-faire</em>, e fui colocando o que via por lá, aliado a alguma análise social. Depois comecei a <em>tour</em>, oportunidade fantástica, e misturei os relatos com um tanto de quase-lirismo e uma ainda sociologia teimosa. Agora que estou de volta no Brasil, me questionava se valia a pena realmente continuar com isto aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_697" class="wp-caption aligncenter" style="width: 604px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/stalin-lenin-kalinin-1919.jpg"><img class="size-full wp-image-697" title="Stalin-Lenin-Kalinin-1919" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/stalin-lenin-kalinin-1919.jpg?w=594&#038;h=307" alt="" width="594" height="307" /></a><p class="wp-caption-text">Apesar dos comentários contrários da mídia marrom russa, o dono do blog foi flagrado em foto de vida passada, acompanhado de alguns colegas de faculdade, usando vermelho, cor da moda outono-inverno de 17.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Acho que sim. Estou nas portas de começar meu doutorado, lendo muito, estudando muito, e naturalmente acabo por refletir em tudo que aconteceu, sob as luzes dos autores novos que me chegam. Tenho muito o que dizer, e também a treinar, já que agora minha prosa acadêmica tem que se revestir de uma competência maior, se quero continuar galgando a escada acadêmica do saber infinito e da arrogância e soberba sempre presentes, marcas dos egos imaculados dos senhores de toga.</p>
<p style="text-align:justify;">A idéia agora é trazer alguns temas de caráter mais sociológico, mas claro, com aquele espaço para tangenciar outras marés, ou fofocas. Acaba o <em>teabreak </em>para começar o <em>quatro tradições</em>. &#8220;Quatro Tradições&#8221; são o número de correntes sociológicas vistas como &#8220;clássicas&#8221;: a tradição do conflito (Marx e Weber, ideologia, mobilização, idéias enquanto armas); a teoria racional-utilitarista (escolha; ingleses e demais liberais); a tradição durkheimiana (o francês pai da sociologia, solidariedade, símbolos e rituais sociais) e a tradição microinteracionista (a sociedade está na própria mente; o cotidiano enquanto palco da realidade social; interacionismo simbólico). A partir de agora, o exercício é de adotar e adaptar essas tradições com as minhas.</p>
<p style="text-align:justify;">No mais no mais, quero agradecer o pessoal que o meu <em>dashboard </em>ali acusa de estar visitando com frequência isto aqui, mesmo no meu período de ausência demorada. O carinho e as discussões são sempre bem vindas.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_698" class="wp-caption aligncenter" style="width: 484px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/bralds_marx-s-2.jpg"><img class="size-full wp-image-698" title="bralds_marx-s-2" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/05/bralds_marx-s-2.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">- peace out</p></div>
<p style="text-align:justify;">Sigamos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/692/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=692&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Stalin-Lenin-Kalinin-1919</media:title>
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		<title>ZTCT2009: Figures (Os Números da Vigem)</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 06:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem, eu ia fazer o texto da conclusão da viagem quando me lembrei de uma coisa. Eu carreguei comigo a viagem toda um &#8220;Diário de Bordo&#8221;, um diário mesmo, de capa de couro, bonito, que ganhei nas compras que fiz na Banana Republic lá em Londres ainda. Eu usei ele mais para fazer anotações importantes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=625&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Bem, eu ia fazer o texto da conclusão da viagem quando me lembrei de uma coisa. Eu carreguei comigo a viagem toda um &#8220;Diário de Bordo&#8221;, um diário mesmo, de capa de couro, bonito, que ganhei nas compras que fiz na Banana Republic lá em Londres ainda. Eu usei ele mais para fazer anotações importantes durante o trajeto, alguns gastos, km&#8217;s andados, melhor rota de um lugar para outro e algumas curiosidades que encontrei pelo caminho. Achei que seria importante compartilhar esses números, afinal, nem só de homem vive o pão: a substância é sempre necessária.</p>
<p style="text-align:justify;">Não vou reproduzir o diário na íntegra, porque afinal, quem quer saber que de Carcassonne para Saint-Tropéz eu peguei a N113 E80 até Arles, e depois fui pela N568 e depois pela A55? Vou tirar alguns detalhes técnicos, mas vou deixar o resto, tanto para os curiosos, quanto para quem gostaria de repetir ou fazer uma viagem similar à minha. Alguns dados que faltam em algumas partes, estão presentes em outras, e isso se dá ao fato deu às vezes esquecer de anotar, ou não ter começado à anotar ainda, enfim, espero que me perdoem essas falhas, afinal, vale lembrar que eu estava com a cabeça em aproveitar a viagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Dito isso, vamos ao que interessa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_637" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_0039.jpg"><img class="size-full wp-image-637" title="DSC_0039" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_0039.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Les Mosqueters: Emília, Maini, Ricardo e Carroooooliiiine. Castelo de São Jorge, Lixboa.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 1: Lisboa (Portugal) &#8211; Salamanca (Espanha) &#8211; Poitiers (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 21 de Agosto de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite (Poitiers)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 1406 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: 15 hrs (aproximadamente)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, para quem não sabe, eu comecei esta viagem com um grupo de amigos daqui de Brasília, um que ainda mora aqui (Ricardo) mais duas amigas, sendo uma que mora agora em Lisboa mesmo (Emília), e outra que agora mora em Roma (Maini).  A idéia era ir até Paris, e eu até tentei ir de uma vez só, tanto que só paramos em Salamanca (norte da Espanha) para um almoço rápido e seguimos. Todavia, não deu. Eu nunca tinha dirigido tanto em sequência até então, e eu experimentei um cansaço surreal. Dormimos em Poitiers mesmo, a cidade da famosa batalha de Poitiers, Carlos Martel, etc.</p>
<p style="text-align:justify;">No outro dia seguimos para Paris. Fiquei dois dias descansando para conseguir me recuperar do cansaço que senti. De resto, foi bacana ir novamente a Salamanca (tinha ido a primeira vez em 2007, quando da minha primeira ida à Zooropa), e a diversão no caminho valeu à pena todo o esforço.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_638" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8041.jpg"><img class="size-full wp-image-638" title="DSC_8041" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8041.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Capa do novo disco da Nancy:  Ricardo, Maini, Emília, Eron.(Versailles, FR)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 2: Poitiers &#8211; Paris</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 22 de Agosto de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 5 dias (Paris).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-weight:normal;"><em>Distância</em>: 338 Km&#8217;s</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="font-weight:normal;"><em>Tempo de Viagem</em>: (?)</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>:  Dessa parte da viagem eu nada sei. Explico: estava exausto, jogado no colo da Maini no banco de trás. Mal tive ânimo pra fazer algumas fotos, enquanto o Ricardo dirigiu até Paris, e fez isso ilegalmente, sendo que segundo ele, ele está há mais de dois anos sem habilitação. Eu cheguei a perguntar isso antes de sairmos, em Lisboa, e ele me disse que tinha carteira sim. Claro, só não me explicou os detalhes.</p>
<p style="text-align:justify;">Olha, na verdade, você quase não é parado pra nada na Europa ocidental. Isso de blitz-polícia-mão-no-capô-documentação-meliante quase não rola. No começo você fica todo cheio de preocupações. Depois de um tempo lá você relaxa mais, manda uns direitos-humanos na galera e fica tudo em paz. Claro que não recomendo isso, mas também não é para se desesperar se perder um documento se estiver viajando por terra. Dificilmente vão pedir documentação tua outra que não seja dinheiro. Passaporte pedem só quando você pega um ferry para mudar de um país pro outro, como fiz da Itália pra Grécia. Agora na estrada em si, muuuuuuito difícil quererem saber quem é você.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_640" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8326.jpg"><img class="size-full wp-image-640" title="DSC_8326" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8326.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Por favor: mais flor. (Nantes)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 3: Paris &#8211; Nantes (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 26 de Agosto de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>: 3 dias (Nantes).</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 387 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo Gasto</em>: 2 hrs e 40 m (aproximadamente)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, depois de cinco dias em Paris com o pessoal, resolvi pegar a estrada. Por que Nantes? Ok&#8230; eu nem ia contar isso, mas vai! Fui por motivos do coração: em Lisboa eu conheci uma francesa, e fiquei um tempinho com ela. Identidades à parte, acho que uma viagem dessa fica incompleta sem esses causos. Claro que não pode ser SÓ isso, mas vai, somos humanos certo? Certo é que fiquei alguns dias com ela em Nantes, e depois fui deixá-la em Bordeaux, onde ela tinha uma entrevista de emprego: ela é <em>sommelière</em>,  formada em engenharia rural, e trabalha com vinhos. A foto que está no post <a href="http://tea2break.wordpress.com/2009/09/06/ztct2009-nantes-bordeaux/">&#8220;Nantes &amp; Bordeaux</a>&#8220;, onde tem um prato de ostra, o nariz que aparece do outro lado da mesa é o dela. Andamos juntos pela cidade, nesses típicos passeios proustianos: visitei lugares da infância dela, etc. Apesar de breve, a srta. X&#8230; deixou boas marcas e me ajudou com alguns conselhos à respeito de onde ir na França, e o que comer.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_641" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8360.jpg"><img class="size-full wp-image-641" title="DSC_8360" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8360.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Nuit, oui. (Catedral - Bordeaux)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 4: Nantes-Bordeaux (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 28 de Agosto de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 346 km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: 3 hrs (aproximadamente)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Passei uma noite em Bordeaux só, tive tempo para um jantar com a X apenas, e logo fui pra cama. Não estava muito bem [ahhh, as separações! No msn expressamos isso com um (U)] Vi a catedral da cidade e depois fui atrás de um hotel e dormi. No outro dia peguei estrada. Pelo menos tomei o famoso vinho de Bordeaux, e aprovei, claro. Acho que foi até esse o motivo da minha brevidade com a moça francesa: estávamos conversando quando ela me falava da excelência dos vinhos franceses, e eu fui obrigado à discordar, dizendo que preferia os italianos, no caso os sicilianos. Ela tentou redarguir, mas aí eu bati a mão no peito, num típico gesto romano, e lembrei para ela quem tinha ensinado os franceses a arte do vinho. Ela se calou, vencida, mas provavelmente ressentida também&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8476.jpg"><img class="size-full wp-image-642" title="DSC_8476" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8476.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">La Cité (Carcassonne, vista interna)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 5: Bordeaux &#8211; Carcassonne (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 29 de Agosto de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 335 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de viagem</em>: 2 hrs e 30 min (aproximadamente)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: A idéia era só passar em Carcassonne, mas quando eu parei um carro numa colina pra comer e vi uma <em>cité</em> cidade medieval inteira, <em>qua talis</em> eram as cidades à época, fiquei pasmo e resolvi ficar. Hospedei-me em um hotel em uma antiga casa da nobreza do lugar, dentro da fortificação, e quando dormi tive a impressão de recuar no tempo. Carcassonne é a cidade dos Cátaros, última fortaleza deles antes da dizimação com a benção católica, e por isso a cidade até hoje tem um clima muito bacana.  Passei 2 dias lá batendo perna, vendo castelo, comprando livro e camiseta, além de me entupir de história (religiosa). Para quem vai à França recomendo DEMAIS uma visita lá. Depois de Paris, para mim, é o lugar para se ver na França. A não ser que você queira dar uma de novo-rico e ir esquiar: aí o paradeiro é Chamonix mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_643" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8580.jpg"><img class="size-full wp-image-643" title="DSC_8580" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8580.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Barriga-on-Canvas (Saint-Tropéz)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 6: Carcassonne &#8211; Saint-Tropéz (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 30 de Agosto de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 415 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: 4 hrs (aprox.)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Cote d&#8217;azur, finalmente!  A idéia era ficar algum tempo em Saint-Tropéz, mas dado minha desilusão com o lugar, só dormi mesmo. O lugar é bacana, acho eu, pra quem chega de iate e pára ele no porto, de frente pra loja enooooooorme das HAVAIANAS (sim, a maior loja de lá que eu vi, por sinal), deve ser bacana. Mas não achei as praias lá essas coisas, então capei o gato. Além do que, paguei para dormir num quarto VAGABUNDO (vagabundo tipo, cama, ventilador que mais parecia uma hélice de helicóptero atingida por um <em>scud</em>, e um banheiro &#8220;será?&#8221;) 110 euros. Não dava né? Como meu iate só existe na minha cabeça, fui embora. E fiz certo: por ter saído cedo pude aproveitar o caminho, e para mim Cote d&#8217;Azur <em>É</em> o caminho, não os lugares: fiz paradas e paradas para tomar banho de mar e ficar olhando a vista.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_649" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8702.jpg"><img class="size-full wp-image-649" title="DSC_8702" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8702.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Atores que encontrei andando por Cannes.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 7: Saint-Tropéz &#8211; Cannes &#8211; Nice (França)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 31 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 5 dias.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 114 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 11:04 / Chegada às 20:36]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Poisé, levei um dia inteiro para chegar em Nice, um dia inteiro pra andar pouco mais de 100 km. O motivo disso foi o que falei anteriormente: paradas e mais paradas. Não só isso, no meio do caminho existe uma cidade muito interessante chamada CANNES. Tinha acabado de rolar o festival de cinema de lá, e eu aproveitei para dar umas voltas, tirar fotos, comprar uma toalha que ostento com muito orgulho onde está escrito CANNES &#8211; FRENCH RIVIERA. Ok, terceiromundismos à parte, Cote d&#8217;Azur é demais, não dá pra ficar correndo no carro (eu corri, mas foi uma questão nerd de me lembrar das pistas do <em>Need For Speed 2</em>) e fingindo que a vista não existe. Se você quer gastar uns 15 dias no verão europeu, vá pra Nice, alugue um carro e fique zanzando pelas praias públicas (sim, tem praias que você só entra se pagar, ou estiver consumindo no estabelecimento que a praia está)  de <em>San Juan Le Pin</em>, <em>Cannes</em>, etc. Qualquer lugar é lindo. Só tome cuidado com a gente pelancuda que vai pra praia e fica de top-less ou pelado, ofendendo qualquer padrão de beleza que você possa ter.</p>
<p style="text-align:justify;">Fiquei 5 dias em Nice porque a cidade merece também: muito agradável, pitoresca, e os franceses lá são menos enjoados que o normal do francês. Na verdade, o francês é muito legal desde que você fale a língua deles. Eu arranhava, ou quando muito, entendia eles conversando comigo, então não sofri tanto. Mas quando tava com preguiça ou querendo agilizar as coisas, e buscava o inglês, bem, eles no geral eram preguiçosos também e mal humorados. Todavia, ignore isso e COMA: na França se come demasiadamente bem, bem MESMO, esquema &#8220;uhuuuu, vou morrer!&#8221;. Nice não fica atrás, principalmente no quesito &#8220;seafood&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_650" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8902.jpg"><img class="size-full wp-image-650" title="DSC_8902" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_8902.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&lt;3 Polarizador! (Monaco)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 8: Nice &#8211; Monte Carlo &#8211; Genova (Itália)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: Sexta-Feira, 04 de Setembro de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite e 1 dia.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>: 193 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 16:57 de Mônaco / Chegada às 20:27 em Genova]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Entre Nice e Genova estava Mônaco, e claro que eu ia parar lá, nem que fosse para gastar uma tarde, e foi o que eu fiz. Andei com o carro em cima do circuito de Fórmula 1, comprei lembrancinhas, fui no castelo, e no resto fiquei apreciando a riqueza do lugar: perdi a conta de quantas ferraris vi. No resto, não acho que seja uma cidade para mais de um dia, realmente não é. A não ser, claro, que aquele seu iate que estava em Saint-Tropéz esteja te esperando no porto. Acho que para quem é rico deve ser divertido lá, mas tenho lá minhas dívidas&#8230; digo, dúvidas!</p>
<p style="text-align:justify;">Depois dessa tarde em Monaco, chegamos em Genova. Sim, chegamos: a partir de agora e até Roma, uma amiga que fiz em Nice estava me acompanhando. Amiga mesmo, pessoa querida com quem pude partilhar a viagem até onde ela podia ir. Rimos muito, nos divertimos e trocamos informações. Ela é brasileira, e estava morando na França para estudar/trabalhar, e foi minha guia em Mônaco e em outras cidades de Cote d&#8217;Azur. Foi ótimo poder contar com companhia, e eu devo muito a ela, pela leveza e alegria que trouxe para a viagem: querida D&#8230;, onde você estiver, fica meu carinho para ti!</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_651" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9063_1.jpg"><img class="size-full wp-image-651" title="DSC_9063_1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9063_1.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Essa placa estava no Castelo Sforzza, em Milão. O motivo? Não sei... mesmo.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 9: Genova &#8211; Milão</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  05 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite 1 dia</p>
<p><em>Distância</em>: 140 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 15:20 / Chegada às 16:25]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Milão tem nada pra fazer. Sério, tirando a Catedral (Duomo), que é uma belíssima obra de arte do gótico, e o Castelo dos Sforzza, não sobra muita coisa. Tanto que ela é considerada a menos italiana das cidades italianas, ou a mais &#8220;européia&#8221;, no sentido de se parecer com Londres. Sim, lá tem muita loja, que provavelmente você que está viajando com dinheiro contado não vai comprar nada. Por isso, meu passeio durou uma tarde e um pedaço do outro dia, depois disso, pegamos estrada de novo.</p>
<p style="text-align:justify;">
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<div id="attachment_655" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9302.jpg"><img class="size-full wp-image-655" title="DSC_9302" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9302.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">...</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 10:</strong> <strong>Milão &#8211; Florença</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  06 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 4 dias aproximadamente (Florença)</p>
<p><em>Distância</em>:  304 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 17:51  / Chegada às 21 hrs ]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: O que eu tinha para falar de Florença, eu falei no <a href="http://tea2break.wordpress.com/2009/09/22/ztct2009-firenze/">post</a> que fiz sobre a cidade: simplesmente demais. Se você vai à Itália e não for à Florença, sério, pede pra sair 02, que tu é MOLEQUE!</p>
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_656" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9838.jpg"><img class="size-full wp-image-656" title="DSC_9838" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_9838.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Duomo (Siena)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 11: Florença &#8211; Pisa &#8211; Siena</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  09 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite (Siena)</p>
<p><em>Distância</em>:  221 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 16:55  / Chegada às 23 hrs (aprox) ]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, eu tinha que ver a torre torta de Pisa, claro. Nada demais, realmente, além do que você paga quase o preço do LOUVRE pra subir lá em cima (sim, é aberto pra visitantes, 15 de cada vez). Foi legal a sensação de subir escadas estreitas numa torre torta, mas <em>madre di dio</em>, 15 euros? Fala sério! Ah sim, se acostumem a serem assaltados cada vez que forem num lugar histórico/cultural na Itália. Enquanto na França os preços são moderados, e em Londres todos os museus são de graça, na Itália pra ver a casa do Dodge de Veneza você desembolsa 13 euros.</p>
<p style="text-align:justify;">Dormimos em Siena, e como os <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Palio_di_Siena">Palios</a></em> já tinham passado, no outro dia fui visitar a Catedral de lá, que por sinal é MUITO bonita. Obra do Di Cambio, se não me falha a memória. Foi uma das construções religiosas mais bonitas que vi na Itália.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_657" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_0338.jpg"><img class="size-full wp-image-657" title="DSC_0338" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_0338.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">coleseu-hmmm</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 12: Siena &#8211; Roma </strong></p>
<p><em>Dia</em>:  10 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 10 dias (Roma)</p>
<p><em>Distância</em>:  243 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 11:15  / Chegada às 19 hrs aproximadamente ]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, finalmente chegava em Roma. Também falei tudo que podia falar no <a href="http://tea2break.wordpress.com/2009/10/14/ztct2009-roma/">pos</a>t que fiz. Todavia, aqui a minha companheira de viagem querida teve que ir embora, de volta para Paris. Deixei ela no aeroporto, nos despedimos, e a partir de então a viagem seria só eu e Deus. Curti Roma deveras, e toda a expectativa que tive minha vida toda de conhecer a pérola da Lazzio foi recompensada. Fiz amigos ótimos, entupi-me de cultura e história e saí de lá revigorado.</p>
<p style="text-align:justify;">Vale dizer para quem vai passar um tempo na Europa, por favor, não vá para lugares como Roma, Paris, para ficar um, dois dias. Eu digo que é MIL VEZES melhor ir para poucos lugares e conhecer bem, do que ficar na loucura de ir num monte de lugar em férias de um mês. Tire umas 4, 5 capitais ou cidades no máximo, leia antes de ir para saber o que quer ver, e vá. Eu digo isso, porque gastei 10 dias em Roma, e acho que não vi quase NADA do que a cidade tem para oferecer, nada mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_658" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1130_1.jpg"><img class="size-full wp-image-658" title="DSC_1130_1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1130_1.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">alvo-de-vulcão (Napoli)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 13: Roma &#8211; Nápoles</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  20 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 4 dias (Napoli)</p>
<p><em>Distância</em>:  227 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 18:35  / Chegada às 22 hrs]</p>
<p><em>Combustível Gasto</em>: 479.2 L</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, a partir de então eu comecei a anotar quanto combustível estava gastando: 480 Litros quase até então. Uma boa média dado o tanto que rodei e ainda ia rodar. Enfim, de qualquer maneira, deixa eu relatar um fato que é curioso e importante. Uma viagem dessa é cansativa. Acredite, quando você chega ao fim dela, você chega QUERENDO que ela acabe. Pois bem, e em alguns momentos você precisa descansar mesmo. Eu fiquei 4 dias em Napoli por causa do HOTEL. Sério, foi o melhor hotel que me hospedei a viagem toda. Um quatro estrelas de frente pro mediterrâneo, que eu pensei que ia me custar mil milhões de dólares, mas não: <em>Hotel Miramar</em>, se não me engano. Eu digo o nome do hotel, porque eu cheguei lá, fui recebido por um italiano que falava português e me agradeceu a chance de treinar comigo. Mais tarde, fui convidado pelo DONO do hotel (sim, ele fica lá, conversando com os clientes) pessoa super distinta, para tomar um champagne e assistir uma partida de futebol da Inter x Napoli. A cama era uma maravilha, eu podia tomar o &#8220;café da manhã&#8221; a hora que quisesse, todos eram corteses e educados e saudavelmente curiosos sobre minha viagem. Enfim, sei quem em dois dias eu tinha visto tudo que tinha pra ver na cidade (Museu Arqueológico Nacional, por sinal, um dos melhores que fui na viagem toda&#8230; considerado um dos mais importantes da Europa), e o resto eu fiquei lá, andando pela marina, vendo barcos fantasmas atracando.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem vai à Itália e quer ser bem tratado, vá a Napoli. Para mim, são os italianos mais bacanas que conheci.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_659" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1285.jpg"><img class="size-full wp-image-659" title="DSC_1285" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1285.jpg?w=594" alt="Costa de Amalfi, perto de Sorrento."   /></a><p class="wp-caption-text">Costa de Amalfi, perto de Sorrento.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 14: Napoli &#8211; Pompéia &#8211; Sorrento</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  24 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite</p>
<p><em>Distância</em>:  50 Km&#8217;s</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 14:11 / Chegada às 21 hrs ]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, como eu tinha feito a volta por Cote d&#8217;Azur, resolvi conhecer a Riviera Italiana, a Costa de Amalfi. Bonito, mas sinceramente, não chega aos pés de Cote d&#8217;Azur não. O certo é que no meio do caminho tinha Pompéia, e aproveitei para dar aquela parada para rever velhos amigos mortos pelo Vesúvio.</p>
<p style="text-align:justify;">
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<div id="attachment_660" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1429.jpg"><img class="size-full wp-image-660" title="DSC_1429" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1429.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Salerno? Merda!</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 15 : Sorrento &#8211; Salerno </strong></p>
<p><em>Dia</em>:  25 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite</p>
<p><em>Distância</em>:  40 Km&#8217;s aprox.</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 11:42   / Chegada às 19 hrs]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Fiz a volta na Costa de Amalfi e dormi em Salerno. Foi bonito e bacana, mas confesso que o frio do outono já tava chegando e tornando qualquer banho de mar complicado: tomei só um, perto de Positano. Minha ansiedade também estava aumentando: estava só a alguns dias de pegar o <em>ferry-boat</em> pra Grécia, e estava com dificuldades de me concentrar em ver mais coisas por conta disso.</p>
<div id="attachment_661" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1536.jpg"><img class="size-full wp-image-661" title="DSC_1536" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1536.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Parei prum lanche num posto de gasolina, antes de pegar a auto-estrada rumo Brindisi, e quando olhei pro lado vi isso aí.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 16: Salerno &#8211; Paestum &#8211; Brindisi</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  26 de Setembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite</p>
<p><em>Distância</em>:  400 Km&#8217;s (aprox.)</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 11:58  / Chegada às 19:56 ]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Paestum vale a visita mesmo, mesmo se você vai pra Grécia. E pra mim, foi como uma introdução ao que eu ia ver. Depois de passar uma tarde lá, peguei a estrada, peguei uma garoa fina cruzando a parte montanhosa ali da Calábria, e cheguei a Brindisi. Descansei um dia, e no outro fui comprar a passagem e comprei pro dia seguinte, então acabei ficando três dias em Brindisi. Ansiedade tava ESPUMANDO na boca, sério. Eu olhava pros barcos e ficava me imaginando entrando num bicho daquele para cruzar o adriático e ir pra GRÉCIA. Céus, sério, só de lembrar eu fico ansioso de novo! Eu lembro que Brindisi tinha uma praça com jovens bêbados, e lembro de ir num café comer pizza. De resto era eu e o mar e o pensamento ISSA MULEKE TÁ CHEGANDO!</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="_mcePaste" style="text-align:center;">
<div id="attachment_664" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_18331.jpg"><img class="size-full wp-image-664" title="DSC_1833" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_18331.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">O problema de se ir pra Grécia é esse: debaixo de cada pedra tem história, filosofia, e uma sacerdotisa de Delfos para te alegrar a viagem.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 17 : Brindisi (Itália) &#8211; Patraso (Grécia) &#8211; Atenas (Grécia)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-weight:normal;">Dia</span></em><span style="font-weight:normal;">:  28 de Setembro de 2009.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-weight:normal;">Tempo de Estadia</span></em><span style="font-weight:normal;">: 1 noite (Ferry cruzando o Adriático rumo a Patraso) ; 20 dias (Atenas)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-weight:normal;">Distância</span></em><span style="font-weight:normal;">:  500 Km&#8217;s aprox. (pelo mar: Brindisi &#8211; Patraso) + 210 Km&#8217;s (por terra: Patraso &#8211; Atenas)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-weight:normal;">Tempo de Viagem</span></em><span style="font-weight:normal;">: [Saída às 19 hrs  / Chegada às 11 hrs]</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-weight:normal;">Observações</span></em><span style="font-weight:normal;">: O <a href="http://www.youtube.com/watch?v=e8cAz3s7edk">depoimento</a> que fiz no deck do navio explica a sensação que tive. De resto, alguns toques: viajar de ferry é MUITO bom e gostoso, mesmo que aconteça tempestade no meio do mar (eu peguei uma, mas cruzando as ilhas gregas, e foi DEMAIS!). Eu não tenho essas frescuras de <em>seasickness</em>, então curti muito a primeira vez que viajava de barco assim. Barcos grandes no geral você nem sente que tá dentro. Na hora de dormir, fica ouvindo o ronco do motor enorme ecoando pelas paredes de metal, e o balanço bem macio do mar é como colo de mãe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:normal;">A viagem de barco durou algo em torno de 15, 17 hrs. É mais lento sim, mas dentro da Grécia existem os chamados &#8220;superboats&#8221; e uma viagem dessa cai para quase metade do tempo. Eu aconselho fortemente a quem for pra lá se tocar pro mediterrâneo e tentar andar de barco seja pra onde for. No verão então, não tem uma gota de chuva, e mesmo os medrosos vão esquecer os medos e ficar imaginando quantas tiremes cruzaram aquele mar, carregadas de especiarias, egípcios, soldados romanos, etc.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:normal;"> </span></p>
<div id="attachment_669" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2662_1.jpg"><img class="size-full wp-image-669" title="DSC_2662_1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2662_1.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">www.amor.gr.&lt;3 (Tessalônica)</p></div>
</div>
<div>
<div style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 18 : Atenas &#8211; Tessalônica (Grécia)</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dia</em>: 19 de Outubro de 2009.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Estadia</em>:  3 dias (Tessalônica)</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Distância</em>:   503 Km&#8217;s</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 12:45  / Chegada às 16:50]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Depois de quase um mês por Atenas e as Ilhas Gregas, eu segui viagem. Não vou fazer aqui um detalhamento dos passeios que fiz pelas ilhas gregas, mas vale alguns toques. Atenas é uma cidade barata, agora se você vai pra Grécia no verão, prepare-se pra gastar grana. Eu não fui, na verdade, cheguei lá na meia estação verão-outono. Isso me proporcionou ficar em hotéis bons, por preços bons e até bem baratos. Em Santorini, que é a ilha mais famosa, eu fiquei por coisa de 40 euros um quarto DUPLO. Mikonos foi por aí também. Agora, os mesmos quartos no verão, sobem pra faixa dos 200 a 300 euros a diária. O dono do hotel que ficamos em Mikonos (Em Atenas o Nathan, amigo meu australiano que morava comigo em Londres, foi lá se juntar comigo) nos mostrou a tabela de preços, e o mesmo quarto que estávamos subia isso tudo quando no verão. O motivo é que a procura é muita e as ilhas são pequenas, quando muito com 50 km&#8217;s de diâmetro. Então, se você quer ir pra lá, pegar um bom tempo, não morrer de calor e não gastar tanta grana, faça como eu fiz: chegue no começo de outubro ou finais de setembro.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:normal;">Atenas é na mesma linha. Mas como você tem mais opções de procura por hotéis, é mais fácil, claro. Eu aconselho para quem vai pra lá ficar na <em>Akropolis</em>. É onde está o Parthenon, a antiga Ágora, o Templo de Zeus, etc. Eu não consigo descrever a sensação quando abri a janela do meu quarto do hotel, e na minha esquerda, lá em cima, estava o Parthenon, lindamente iluminado num final de tarde/começo de noite, sob um céu azul escuro de pano de fundo. Eu me arrepiei inteiro e tudo que eu conseguia me repetir era &#8220;Eu estou aqui mesmo? Isto está realmente acontecendo?&#8221;. Se você quer experimentar o mesmo, faça como eu fiz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-weight:normal;"> </span></p>
<div id="attachment_670" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2668.jpg"><img class="size-full wp-image-670" title="DSC_2668" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2668.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Incrivelmente bem-humorado, apesar de tudo. (Macedônia)</p></div>
</div>
</div>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 19 : Tessalônica &#8211; Macedônia &#8211; Fronteira com a Sérvia &#8211; Macedônia &#8211; Igoumenitsa (Grécia)</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  22 Outubro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: nenhum.</p>
<p><em>Distância</em>:  960 Km&#8217;s aprox.</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 08:56   / Chegada às 19 hrs]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Bem, o <a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/">post anterior a este </a>está cheio de depoimentos meus que gravei sobre esse que foi o &#8220;momento da verdade&#8221; da viagem. A idéia era cruzar o leste europeu, mas não deu. Então, fica a dica: é realmente bem complicado cruzar esse leste distante europeu. Eu não tentei ir via Bulgária (pela Macedônia) ou mesmo Romênia (que faz fronteira com a Grécia). Próxima vez vou tentar. Mas o certo é: pela Sérvia, só com visto. E conseguir um visto Sérvio vai ser algo meio complicado. Como eu disse, parte das minhas viagens eu faço sem muito planejamento mesmo. Foi um erro não saber que tinha que ter esse visto? Sim, mas um erro que me fez bem. Basta lembrar o quão complicado é o leste europeu, as guerras, genocídios, etc.</p>
<p style="text-align:justify;">De qualquer maneira fui até a fronteira da Macedônia com a Sérvia e fui obrigado a voltar. Sentei o pé no acelerador e consegui chegar à tempo de pegar o ferry que saía de Igoumenitsa rumo a Ancona na Itália. Enfim, ao fim, tudo certo! Mas anote esse conselho muito sério: ande pela Europa Ocidental de carro sem ser incomodado, mas quando for rumo ao leste, se prepare. E aí eu te pergunto: você tá viajando pra relaxar não é, e vai buscar stress de graça? A não ser que a viagem seja uma dessas (como a minha) que você busca SIGNIFICADOS de vida, experiências importantes para te fazerem crescer mesmo e a todo custo, então vá. Digo de antemão, que minha próxima viagem por lá eu vou começar em Atenas, alugar um carro e ir parar com ele no EGITO, cruzando Turquia, Líbano, Israel, etc. Eu ia fazer isso desta vez, mas não dava e eu já tava cansado demais de viajar para aproveitar realmente uma viagem assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Em suma, escolhas: faça a sua, mas esteja preparado para os revezes.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_671" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2672.jpg"><img class="size-full wp-image-671" title="DSC_2672" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_2672.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">em algum lugar da Itália... dirigindo freneticamente</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 20 : Igoumenitsa &#8211; Ancona (Itália) &#8211; Veneza (Itália)</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  22 de Outubro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 1 noite (no barco: Igoumenitsa &#8211; Ancona) 1 dia e 1 noite (Veneza).</p>
<p><em>Distância</em>:  800 km aprox (por mar: Igoumenitsa &#8211; Ancona) 380 Km&#8217;s (por terra: Ancona &#8211; Veneza)</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 20hrs (Igoumenitsa) / Chegada às 19 hrs (dia 23, Veneza)]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Depois do &#8220;revés sérvio&#8221; veio uma sensação em mim de que era o momento de encerrar a viagem. O ritmo agora ficava mais acelarado. Depois de cruzar o adriático de novo, desta vez no sentido inverso, cheguei em Ancona, desci o carro do barco e ia pegar estrada. Desta vez, um oficial da polícia de fronteira italiana quis encher o saco DE NOVO por conta dos números (04/2009) que tinha na minha placa, dizendo que a licença estava vencida. Eu expliquei melhor sobre isso num dos depoimentos que fiz quando da tentativa de cruzar o leste, porque fui barrado na Grécia por conta disso, o que inclusive atrasou minha viagem. Eu como já sabia que não era nada demais, disse para ele que estava tudo bem e pedi meu passaporte que queria seguir viagem. Sim, depois de tanto tempo viajando e querendo terminar a viagem, você começa a ficar mais sensível para grosserias e começa a exercer o seu direito FUNDAMENTAL de ir e vir, desde que esteja na lei. Eu estava, então pedi licença e fui embora.</p>
<p style="text-align:justify;">Veneza? Bem, segunda vez lá e eu já tinha visto tudo. Também, Veneza é uma cidade que, eu costumo dizer, vale a pena visitar com o amor da sua vida. O meu não tava lá, então que deabos ia ficar lá vendo casal se beijando em gôndola pela segunda vez? Ok, não é amargura da minha parte, mas eu acho Veneza tão (ou mais) romântica como (que) Paris, só que Paris tem mil museus que te distraem disso, você-criatura-solteira. Veneza não meu cumpadi, e aí fica só tu, aquelas ruas de água, uma poesia no ar e som das gôndolas e barcos cruzando com casais abraçados.</p>
<div id="attachment_672" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/eu-gravata.jpg"><img class="size-full wp-image-672" title="eu, gravata" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/eu-gravata.jpg?w=594" alt="eu, gravata"   /></a><p class="wp-caption-text">eu, gravata (Nice, Foto roubada da Dani!)</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 21 : Veneza &#8211; Nice (França)</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  24 de Outubro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 8 dias (Nice).</p>
<p><em>Distância</em>:  576 Km&#8217;s.</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 13:43 hrs/ Chegada às 19 hrs]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Voltei a Nice pra rever uma amiga e reencontrar a cidade muito querida. Fiquei oito dias saindo, tomando cerveja, rindo. Como disse anteriormente, uma viagem sem esses momentos lúdicos é tão estafante quanto um semestre numa universidade: experimente ficar mais de 8 hrs por dia enfiado dentro de museu lendo cada placa de busto e cada legenda de quadro, que você vai sentir isso. De resto, foi muito bom dirigir pelo meio e ao redor dos Alpes italianos. Sensacional mesmo, principalmente no trecho de Brescia-Genova, para pegar a auto-estrada ao longo da margem do mediterrâneo. Quem gosta de dirigir, vai sentir um prazer especial de se ver em meio a uma paisagem tão bonita em uma estrada tão boa!</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_673" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/img_0398.jpg"><img class="size-full wp-image-673" title="IMG_0398" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/img_0398.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">más que un club</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 22 : Nice &#8211; Barcelona (Espanha)</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  01 de Novembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 3 dias (Barcelona)</p>
<p><em>Distância</em>:  661 Km&#8217;s.</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 11:13 hrs/ Chegada às 18:30 hrs]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Já tinha ido a Barcelona, e fui lá para rever uma outra amiga também, essa uma querida que fiz em Lisboa. Revi alguns lugares, mas fui mais para comprar lembranças para meus cunhados e amigos que gostam de futebol como eu. A loja do Barcelona é simplesmente demais, sem querer ser consumista, mas quem curte futebol e vai a Barça, TEM QUE ir no Camp Nou, ainda mais para assistir um jogo. Eu fiz isso: vi um Barça x Mallorca e foi algo que me marcou bastante!</p>
<p style="text-align:justify;">Dica importante para Barcelona: NÃO ESTACIONE O CARRO E ESQUEÇA DE PAGAR! Sim, meu carro foi guinchado porque não desci pra renovar o &#8220;parquímetro&#8221; e tive que pagar mais de 100 euros para tirar ele do depósito. Esse é um outro problema da europa: você gasta horrores com estacionamento. Claro que como bom brasileiro eu tentava fugir disso, e até fui multado DUAS VEZES no mesmo lugar em Roma! Fui multado uma vez, larguei a multa lá e fui passear, quando voltei, tinha uma outra multa: eu só consegui rir! Mais pra frente eu vou falar disso de multa, mas o certo é que quando você é GUINCHADO, como eu fui&#8230; não tem para onde correr: você desembolsa grana e pronto, não tem choro.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_674" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/eu-marcao-vinicius.jpg"><img class="size-full wp-image-674" title="eu marcão vinícius" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/eu-marcao-vinicius.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Toca do Cachorrão&quot;, no Bairro-Alto (Lisboa), é simplesmente o melhor lugar para samba e cachorro-quente de toda a história da humanidade. Marcão &amp; Vinícius: saudades de vocês, putos! Obrigado por tudo, por tudo MESMO!</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>Trecho 23 : Barcelona &#8211; Lisboa</strong></p>
<p><em>Dia</em>:  4 de Novembro de 2009.</p>
<p><em>Tempo de Estadia</em>: 9 dias (Lisboa)</p>
<p><em>Distância</em>:  1261 Km&#8217;s.</p>
<p><em>Tempo de Viagem</em>: [Saída às 16:22 (hr de Madrid)/ Chegada às 02:21 (hr de Lisboa)]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Observações</em>: Eu não queria dormir em Madrid, na verdade já estava BEM ansioso agora para acabar a viagem. Queria rever minha Lisboa querida, voltar pra Baixa, subir pro Bairro-Alto e sim, falar português: impressionante como uma viagem dessa também te deixa com saudades de coisas simples, como falar tua língua. Por isso fiz compras de comida, bebidas, e só parei o carro para ir no banheiro e colocar gasolina. Passei por dentro de Madrid, revi alguns lugares pela janela do carro (já conhecia Madrid de anterior viagem) e fui direto até Lisboa. Cheguei de madrugada, mas a cidade estava acordada, esperando-me chegar. Fui para um hotel na baixa, no Rossio, e dormi como um neném.</p>
<p style="text-align:justify;">No outro dia, coisa importante de se falar, fui procurar uma concessionária do carro que estava usando. Por que? Meu amigo ou amiga, você realmente acha que depois desse tempo todo viajando o carro ia estar ILESO? Não, não estava. Então fui atrás de mascarar alguns danos na pintura, trocar um pisca lateral que arranquei manobrando o carro PUTO no depósito de Barcelona. Consegui achar uma láááááááá em Telheiras, sem querer, e conversei com os caras e eles me deram uma força: o jeitinho brasileiro  é também o jeitinho luso! Mascarei os danos, depois deixei minhas tralhas todas num outro hotel.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui devolver o carro com aquele frio na barriga. Mas o pessoal da locadora estava tão impressionado com o tanto que andei e para onde fui, que fui recebido meio como herói: &#8220;Ah!, o gajo que estava na Grécia!&#8221; A mulher nem olhou o carro direito, os amassadinhos e arranhões. Entreguei o carro mais sujo que tudo, claro, e quando ela pegou a chave eu&#8230; sem sacanagem, saí CORRENDO! Desliguei o celular e fui pro hotel e fiquei um tempo tenso! Hoje eu lembro disso e dou risada, claro, mas tudo que me faltava era chegar dessa viagem toda e ter que desembolsar grana pra pagar arranhão em pintura de carro!</p>
<p style="text-align:justify;">Agora é a parte que você pergunta: e as MULTAS? Tomei algumas sim, mas não paguei nenhuma. Já é a segunda vez que viajo de carro por lá e não pago nada de multa. O porquê disso eu não sei explicar, sei que multa de velocidade, estacionamento, o que fosse, nunca chega. Claro que isso não dá aval para ninguém abusar, porque foi nessa que meu carro foi guinchado em Barcelona e eu me ferrei: quase não comprei uma camisa do barça por conta disso. De qualquer maneira fica o registro. Se acontecer de você tomar uma multa, relaxe.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois dessa saga pra devolver o carro, outra começava: ARRUMAR MALA! Céus! Gastei quase uma semana fazendo isso. Estressante, ainda mais quando você está vindo de mudança. Eu aconselho a planejar com antecedência, separar bem as coisas, que senão você paga excesso. Transfirir as coisas pesadas pra mala de mão ajuda bastante. No meu caso, pude contar com a ajuda da Emília querida, e do Sérgio, que estavam vindo pro Brasil e trouxeram duas malas pesadíssimas minhas! Queridos, mais uma vez, obrigado por isso!</p>
<p style="text-align:justify;">Depois disso tudo, dia 14 de novembro às 10:15 da manhã estava embarcando de volta pra Brasília. Resumidamente, ficam aqui os números gerais de toda essa minha odisséia, que tantas lições e coisas maravilhosas me trouxeram:</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_675" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1809.jpg"><img class="size-full wp-image-675" title="DSC_1809" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/02/dsc_1809.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">o    b    r    i    g    a    d    o    !    !    !</p></div>
<h2 style="text-align:center;"><strong>Zooropa Tour 2009</strong></h2>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Trechos</strong></em><strong>: 23</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Número de Países</strong></em><strong>: 6</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Número de Cidades</strong></em><strong>: 30 (sem contar as paradas pequenas em outras cidades)</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Tempo da Viagem</strong></em><strong>: 2 meses e 23 dias.</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Distância Percorrida</strong></em><strong>: 11.044.10 Km&#8217;s (contando deslocamento dentro das cidades)</strong></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Combustível gasto</strong></em><strong>: 1.010 Litros</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/625/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/625/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=625&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>ZTCT2009: The Trip Back.</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 20:53:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, dia 6 de Janeiro, há exato um ano atrás eu chegava em Londres vindo de Garulhos, São Paulo, depois de mais de 14 hrs cruzando o oceano, trazendo na bagagem um monte de planos e vontades, além da imensa curiosidade. E por ser essa data tão significativa que eu escolhi ela para fazer o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=614&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_622" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/01/e827.jpg"><img class="size-full wp-image-622  " title="E827" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2010/01/e827.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Iannes, Eu, Nathan e o dono do &quot;God&#39;s Temple&quot;, o restaurante que comíamos todos os dias em Atenas. Iannes foi nosso guia turístico, conselheiro e embebedador oficial. Entre várias de suas pérolas, disse para Nathan que Cricket era um &quot;lesbian&#39;s sport&quot;, e que duas coisas não se comiam com garfo e faca: &quot;seafood and women&quot;. Esteve no Brasil, trabalhando em um navio de cruzeiro turístico, e sentia saudades das damas da noite de Fortaleza. Atrás de nós está o Museu Arqueológico de Atenas.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Hoje, dia 6 de Janeiro, há exato um ano atrás eu chegava em Londres vindo de Garulhos, São Paulo, depois de mais de 14 hrs cruzando o oceano, trazendo na bagagem um monte de planos e vontades, além da imensa curiosidade. E por ser essa data tão significativa que eu escolhi ela para fazer o encerramento dos relatos da viagem. Comecei ela em Londres, terminei em Lisboa, e no meio existem miletantos outros lugares que fui, visitei, passei. Aqui no blog eu relatei o que vi e vivi nesse período. Um ano&#8230; eu me peguei pensando quanto coisa aconteceu. Eu ainda me considero em viagem, porque desde que cheguei mal deu um mês já tava na estrada de novo com meus pais, vindo pro Maranhão. Quando voltar pra Brasília vou com eles para São Paulo, e só devo aquietar em começo de fevereiro mesmo. Ainda sinto que estou em trânsito, só que em terras ao oeste de Tordesilhas.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje eu quero deixar o depoimento, contar como foi voltar, e encerrar. Depois farei um post com conclusões, com o vídeo do depoimento que prometi fazer ao fim da viagem, além de algumas fotos e comentários finais. Após isso encerro a ZTCT2009 e este blog volta à sua função original, de exercício sociológico.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, como já é de conhecimento geral, a <em>Zooropa Tour: The Car Trip 2009</em> acabou oficialmente em 14 de Novembro de 2009, quando às 10:30 da manhã eu embarquei no vôo 3571 da TAP direto para Brasília, Distrito Federal, Brasil-Terra-de-Deus. Às 16:30 (hora de Brasília) eu aterrisava, trazendo na bagagem aquilo que Belchior cantou, Caetano musicou e Chico poetou: saudades, muitas.</p>
<p style="text-align:justify;">Contarei agora como foi essa volta, como foi sair lá de Tessalônica no norte da Grécia e vir parar em Lisboa. Foi um período um tanto frenético e rápido, onde muita coisa aconteceu em pouco tempo. Mudanças de planos absurdas, descobertas e eventos que quando eu repasso mentalmente trazendo eles de volta à vida dos arquivos da memória, fico com aquela sensação de estranhamento, como se tivesse visto tudo em um filme que o ator principal era eu mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu fiquei exatos 27 dias em Atenas e só fui embora porque tive que. Estava tão triste de deixar a capital da Hélade, centro de tudo para mim, que fui embora numa manhã de inopino: simplesmente fiz as malas, dei check-out e me mandei. Sim, se fosse me despedir do Iannes e do pessoal do <em>God&#8217;s Temple</em>, o restaurante que comi todos os dias praticamente, se fosse dar uma última subida pela acrópolis para deixar uma oferenda à Deusa, eu teria ficado. Foi doloroso mesmo lembrar que ia acordar e não mais ver o <em>Parthenon </em>encarando-me com aquele jeito de coisa ancestral em cima da pedra. Que não ia mais tomar uma boa<em> Mythos </em>nem ouvir o som dos cantantes dos bares atenienses, com seus narizes aduncos e sorrisos calorosos. Foi uma experiência de quase-morte abandonar toda a alegria que a Grécia me devolveu. Foi de longe o melhor lugar que visitei na vida, mais lindo, com o povo mais amistoso, com a comida mais gostosa, com a cerveja boa, com o vinho melhor ainda, com o azeite divinal, com a gente na rua rindo e me saudando quando descobriam que eu era brasileiro, amante de futebol como eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Entrei no carro e fui. Peguei a auto-estrada rumo a <em>Tessaloniki</em>, a segunda maior cidade grega, espécie de capital da fronteira com o mundo de cima, do norte.</p>
<p style="text-align:justify;">Tessalônica é uma cidade bizantina, meio-mundo entre ocidente e oriente, e fascinante por isso. Lá eu pude entender como é isso de estar bem ali com os Turcos na porta. O norte da Grécia é o máximo daquilo que se convencionou entender por &#8220;experiência grega&#8221;: é um lugar de indefinição. A atendente do meu hotel falou-me do problema com os macedônios porque eles não se consideram gregos, e os gregos acham que Alexandre o Grande talvez fosse do norte da Grécia, já que Felipe II, seu pai, está lá enterrado. A cultura turca e média-oriental é forte, na música, na comida, nos jeitos. Enfim, o norte é um resumo atualizado da mania grega de se misturar. E fizeram isso com tanta eficiência que o mundo é ocidental hoje em dia porque um outro dia foi grego.</p>
<p style="text-align:justify;">
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/3Xamp-Mac-g/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Bem, eu fiquei alguns dias em Tessalônica, gostei do que vi, mas na verdade a cidade era meio caminho pro que viria a ser uma outra etapa da viagem: a volta. A idéia seria eu voltar pelo leste europeu, subindo pela Macedônia, cortando a Sérvia e indo até a Hungria. De lá para a Austria, depois República Tcheca. E aí eu ia subir para a Alemanha, depois descia pelo caminho usual França, Espanha, e Portugal.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa era a idéia, mas como eu fiz essa viagem toda sem grandes planos, apenas pegava o carro, mirava e ia, eu não estranhei quando as coisas mudaram de rumo.</p>
<p style="text-align:justify;">A confusão começou na fronteira da Grécia: o cara olhou para a placa do meu carro, que tinha o mês e o ano que foi comprado, e achou que minha licença estava vencida. Não estava, e isso me fez voltar até Tessalônica e ir até o aeroporto e procurar o pessoal da locadora do carro, além de ligações para Portugal. Voltei pra cidade, dormi lá e no outro dia fui de novo pra fronteira. Acabei resolvendo as coisas como se resolvem no Brasil: um outro guarda me atendeu, não prestou atenção em nada e me liberou.</p>
<p style="text-align:justify;">
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/eZSGrvm_xrA/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Já no lado Macedônico começou o estranhamento: que deabos um BRASILEIRO está fazendo aqui DE CARRO e querendo cruzar nosso país? Perguntas, passaporte retido, mais perguntas em inglês ruim. No final, lidei como se lida com as coisas no Brasil: sorri, falei de futebol, sorri mais ainda, fiz cara de tonto e turista feliz, passei.</p>
<p style="text-align:justify;">Cruzei a Macedônia toda, que deve dar uns 260 kms, se não me engano. Vi pobreza, gente simples, agricultores. Nada que lembrasse o que a gente achava existir nos tempos idos de Alexandre. Um povo sofrido em uma terra sofrida. Placas em russo, muitas delas sem tradução. Como tenho russo &#8220;funcional&#8221;, consegui ler e ter uma idéia de onde estava indo, se estava no caminho. Segui a autoestrada entre montanhas e vales verdes, claro, sentindo aquela sensação de estar pisando um solo cheio de história.</p>
<p style="text-align:justify;">
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/GpgTEH24wy4/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Cheguei na fronteira com a Sérvia, novamente mais perguntas, passaporte que ia e voltava, guardas nada educados que rasgaram a caixa com meus vasos gregos. No final, passei. Cheguei no lado sérvio, encontrei mais inglês ruim, e um estranhamento ainda maior. Para vocês sentirem o cúmulo, o guarda quando viu meu passaporte, ficou tão abismado que chamou TODO MUNDO da alfândega, repito, TODO MUNDO para ver &#8220;OLHA, UM PASSAPORTE BRASILEIRO&#8221; e depois me falou &#8220;eu nunca tinha visto um na minha vida&#8221;. Eu me senti estrela, falaram de Roberto Carlos, Ronaldinho, etc. Eu continuava rindo e sorrindo, achando que estava tudo bem&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não estava! O cara quando abriu meu passaporte viu que não tinha um visto para entrar no país. E eu pensei &#8220;que deabos de visto? pra que?&#8221;. Essa foi minha burrice. Eu que gosto tanto de geopolítica esqueci que a Sérvia sequer faz parte da União Européia. Poisé, não é! A Macedônia é, mas a Sérvia não, por conta das guerras e tudo mais. Para entrar lá só com visto. Eu fiz cara de &#8220;puta que pariu seu guarda, eu tô indo pra Hungria, mimdeixa, só são 600 kms&#8221; mas nada. Conversei com ele e ele me mandou pra Skopjia, capital da Macedônia, e ir atrás da Embaixada da Sérvia lá e pedir um visto. Perguntei o endereço, mas ele mandou o velho e bom &#8220;se vira cumpadi&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Dei meia-volta, entrei na Macedônia de novo. Os guardas que tinham acabado de me receber ficaram me olhando&#8230; mas carimbaram e eu entrei de novo. Acelerei o carro e fui no rumo Skopjia, que tinha que sair da autoestrada rumo ao oeste. E aí, fui chegando na cidade, feia por sinal, cinza, esquisita, e comecei a sentir uma sensação estranha em mim. Aliado a isso eu fiquei pensando &#8220;cara, como vou achar o deabo dessa embaixada num lugar que fala russo, que só tem placa em russo, céus!&#8221;. E aí, foi remoendo isso que entrei em Skopjia. Andei nem alguns kms dentro da cidade, olhando placa em russo quando dei meia volta num viaduto que achei e peguei a autoestrada de novo: naquele momento eu decidi voltar pelo caminho que fiz na vinda. Senti que era o mais certo a fazer, respondendo tanto à razão quanto à sensibilidade. Lembrei do quanto a burocracia russa é horrível, da dificuldade que seria achar essa embaixada, alguém pra conversar em inglês decente comigo, alguém disposto a me dar o visto, pegar o visto, conseguir entrar, etc. Fora isso, eu senti uma sensação estranha só de estar lá perto. Acho que meio que senti os miasmas das guerras e genocídios todos que andaram ocorrendo por lá e isso me deixou um tanto indisposto.</p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/4SciQ7HepcY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Enfim, sei que quando dei por mim, tava com o carro já cruzando a Macedônia toda. Parei na beira de um rio para fazer um lanche e fiquei naquele momento apreciando o que me restava da terra de Alexandre. Imaginei ele parando com as tropas ali, dando água pros cavalos, coisa que fez provavelmente, por ser um rio grande. Terminei meu lanche, fui rumo à fronteira.</p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pt35h6KUjf8/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Um sinal que tinha tomado a decisão certa foi que nada mais empatou minha viagem: entrei numa boa de volta na Grécia, e ao final do dia tinha chegado à Iougumenitsa, exatamente 2 horas antes de sair o próximo <em>ferry</em> rumo à Ancona, na Itália. O única parada que tive foi quando descobri que perdi meu cartão de crédito em algum lugar da Macedônia, sendo esse o ÚNICO evento negativo da viagem toda, que foi logo resolvido, porque era um cartão de um banco bom que mandou um novo para mim no meu hotel, já em Nice, na França. Fora isso, fui parado por guardas gregos por estar a mais de 170 km/h numa descida. E aí você pensa &#8220;perdeu, playboy&#8221; eu te digo que o guarda quando viu meu passaporte e eu disse que estava correndo porque queria ligar pro pessoal do cartão pra cancelar, etc, olhou-me com um sorriso na cara e me lembrou, em inglês razoável, que o bem mais precioso que temos é a nossa vida, e por isso que não corresse por conta de um cartão de crédito. Sim meu amigo e amiga, bem-vindo à Grécia, lar da civilização e onde até os guardas de trânsito tem algo filosoficamente precioso para te dizer, e sem te multar por conta disso.</p>
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<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/q36nYOT_XCA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Pois bem, peguei o <em>ferry</em>, desci em Ancona e tomei a estrada rumo a <em>Venezzia</em>! Sim, segunda vez que ia lá e foi muito bom andar de novo na sempre-romântica, com suas calçadas margeando suas ruas de água. Dormi num hotel muito bom, e descansei porque estava sentindo-me querendo gripar. Esse foi o momento tenso da viagem, porque eu não podia me dar o LUXO de ficar doente viajando sozinho de carro. Comprei uma vitamina C na Grécia, falei pro pessoal do <em>ferry</em> que achava que tava com gripe suína e nego me deixou quieto e só numa cabine. Em Veneza eu aproveitei para descansar mas também fiz alguns passeios no outro dia, e fui logo embora. Tinha passado mais de 4 dias lá da vez passada, conhecia tudo já, fui só ao Rialto, tirei fotos, fiz vídeos e peguei o carro e fui-me rumo à Nice.</p>
<p style="text-align:justify;">
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2010/01/06/ztct2009-the-trip-back/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Yz42OK7KxgA/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Sim, voltei à Nice para rever uma amiga daqui que está morando lá. Já tinha passado na cidade, no começo da viagem, tendo ficado alguns dias e onde tive experiências muito boas e pude curtir o verão na Riviera Francesa. Na volta tudo que eu fiz foi dormir e sair de noite. Eu começava a sentir a EXAUSTÃO dos mais de 2 meses viajando, e queria sossego, e sossego tive. Revi essa amiga querida, saímos bastante lá, tomei minha cerveja, e dormi, dormi e DORMI! Consegui combater o princípio da gripe e fiquei bom, e depois de oito dias lá, despedi-me dela e peguei a estrada de novo. Desta vez, rumo a Barcelona!</p>
<p style="text-align:justify;">Também já conhecia Barcelona da vez passada, e fui pra ver outra amiga, esta que fiz em Lisboa. Fui lá mais porque queria comprar presentes pros meus amigos fanáticos em futebol como eu e também para curtir um tanto a cidade, que é famosa pela noite excelente. Para não dizer que fui em algum lugar histórico, fui de novo no Templo da Sagrada Família, só que à noite e bêbado, ficar olhando pro Gaudi e dizendo &#8220;esse cara é realmente sem noção&#8221;. O resto foi ir no <em>Camp Nou</em>, fazer algumas fotos, sair e conhecer pessoas novas, discutir &#8220;Identidade Espanhola x Identidade Catalã&#8221; no bar com os bêbados locais, experiência essa que enriqueceu ainda mais meu projeto de ter uma visão mais próxima do velho mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de quatro dias em Barcelona, acordei tarde e resolvi aprontar as malas e ir embora. Eram mais de 1200 kms até  Lisboa e eu resolvi que ia fazer tudo de uma vez, e fiz. Peguei o carro, mirei na autoestrada e fui. Paradas só para ir no banheiro e colocar gasolina. O resto fui comendo e bebendo no carro mesmo, e depois de 11 hrs de estrada, chegava em Lisboa-a-Velha. Quando cruzei a fronteira da Espanha com Portugal eu senti um calor de &#8220;casa mia&#8221; no peito. Depois dessa viagem, eu pude descobrir que esse tempo todo morando em Lisboa fez-me um tanto mais português, o que se tornou algo hoje em dia inegável em mim. Aprendi a amar o país-nariz de Cabral. E por isso, quando cruzei a ponte 25 de Abril eu era só sorrisos e alegria. O carro foi quase que automaticamente até à Baixa, onde escolhi um hotel, pois depois dessas mais de 11 hrs viajando tudo que eu queria era dormir e dormir e DORMIR.</p>
<p style="text-align:justify;">Cheguei no dia 6 de Novembro em Lisboa. Comecei a arrumar as malas, empacotar muamba, e no dia 14 embarcava de volta. Fiquei essa semana indo ao Bairro-Alto, despedindo-me de amigos queridos que fiz, do samba, das morenas, brasileiras ou não. Tomei minhas Imperiais, comi meu último bacalhau e o meu polvo a lagareiro. Comprei castanhas nas ruas do outono que abria as portas pro inverno. Usei meu último casaco, deslizei pelos paralelepípedos da Rua Garret em cima dos trilhos do bonde e dei meu adeus ao Fernando, pessoa boníssima. Foi triste ir, foi sim, e só de lembrar aqui dessa última semana lá meu peito meio que se arma em Fado e meu coração chora saudade. Mas quando entrei no avião senti em mim um sentimento de dever cumprido.</p>
<p style="text-align:justify;">As conclusões da viagem deixo para um outro post. Basta dizer agora que pela segunda vez (que aconteceu na primeira também) eu acordei no exato momento que o avião passava por cima de Fortaleza. Vi o mar quebrar na praia do jeitinho que Caymmi disse: bonito. O peito era só alegria. Desci do avião, esquivei da alfândega. Do lado de fora? Minha família amada e uma sobrinha com mais de um ano de idade, que vi nascer e deixei com 2 meses de idade ainda, que acenou pra mim e pulou pro meu colo e me beijou, causando espanto a todos. Em suma: eu tinha voltado. Coloquei as malas no carro, e enquanto meu pai contornava o balão do aeroporto eu via Brasília do chão. Descobri que realmente amo não só meu país, mas a cidade que me educou e me deu a chance de ser quem eu sou. E foi com essa gratidão no peito que fomos todos no carro rindo e conversando até a churrascaria, onde eu ia matar a saudade de me empanturrar da nossa boa comida e comemorar meu aniversário: sim, minha volta foi planejada estrategicamente para ser no dia que completava 31 anos de muita vida.</p>
<p style="text-align:justify;">O post foi longo e imenso, mas assim foi tudo que eu vivi e ainda vou viver, porque essas experiências vão se extender no tempo. Sou grato a tudo que passei, mas sou mais grato ainda por voltar, e muito mais grato ainda de ter encontrado todos vocês aqui na volta, com seus rostos e sorrisos, piadas e brindes para celebrar meu retorno. Foi isso tudo que me fez um atual D. Pedro I, e de todos os meus dias, um Dia do Fico.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas essas sentimentalidades e demais constatações-de-coração ficam para o próximo post.</p>
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		<title>ZTCT2009: ΗΕΛΛΑΣ</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 18:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_597" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-597" title="DSC_1748" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_17481.jpg?w=594" alt="DSC_1748"   /><p class="wp-caption-text">Templo de Atena, Delfos.</p></div>
<p style="text-align:justify;">A Grécia é uma dessas senhoras respeitosas que se encontra à caminho da <em>ágora</em>, e que com um desses sorrisos que desculpam tua meninez, dizem-te &#8220;<em>kalimera</em> meu filho&#8221;. Uma dessas senhoras que sempre têm tempo para os mais novos, e que sempre querem saber como vais na escola, e quando tu timidamente respondes que vai bem tirando a maldita matemática, ela sorri e tira um desses Pitágoras de bolso que toda mãe da civilização ocidental carrega consigo e te entrega para que vás ao rio pescar fórmulas de Báscara.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_599" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-599" title="DSC_1802" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_1802.jpg?w=594" alt="DSC_1802"   /><p class="wp-caption-text">Uma ex-sacedortisa grega, e ao fundo, o Templo de Apolo. Delfos.</p></div>
<p style="text-align:justify;">A Grécia é tudo e não menos que isso. É uma mulher completa à moda dos antigos e novos. Não é amante de ninguém porque não se deita com meninos. É muito bem casada com o papiro, e engana-se que a acha consorte de algum deus, como suas amigas mais ao oeste. Ela é letra de fogo gravada na pedra, é o vento que sopra em Delos ao final da tarde quando tu sentas e olha os antigos caminhos que homens e demais pequenos caminharam tantas vezes à busca de sis mesmos. Em uma palavra: ela é mãe. Minha mãe, tua mãe, mãe dela e dele, e esta experiência que chamamos mundo é o seu jardim de infância. Somos todos filhos do papel e da palavra, amiga do conhecimento, Agia-mãe-Sophia de todos os pequeninos que ainda tropeçam na arrogância de se acharem caminhantes.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_600" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-600" title="DSC_1847" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_1847.jpg?w=594" alt="DSC_1847"   /><p class="wp-caption-text">Igreja Bizantina. O nome da cidade é impronunciável em português, por conta do &quot;X&quot; grego, mas é algo como &quot;Ararhova&quot;.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Nadei uns três mares para poder ter com ela, e ela me buscou no porto ainda com o espírito ofegante e ansioso, e vendo isso  logo me presenteou com aquela calma de Odisseu que acorda na praia vestido em linho. Sua mão enorme de escrever verdades universais pegou na minha e me colocou no colo como que para contar a História, toda ela. Da praia eu naveguei pra dentro do seu seio, respondendo àquela vontade de útero que me carcomia desde os tempos que pela primeira vez soletrei t-i-r-e-m-e em algum outro lugar que chamava casa por não saber de onde tinha vindo. Deitei minha cabeça e tentei não dormir, mas foi impossível porque até mesmo no ar que sopra dentro dela tem essa melodia de acalmar menino, por mais afoito que seja.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_601" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-601" title="DSC_1995" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_1995.jpg?w=594" alt="DSC_1995"   /><p class="wp-caption-text">Templo de Zeus. Atenas.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Passei meus dias reaprendendo o que eu já tinha como certo, o Βετα, Αλφα, BÁ do que decorei em ócio criativo. Fui nos dias de minha folga à Acrópolis e pude novamente conversar com os meninos mais velhos da escola, que calçados ou descalços praticavam desportos de arremessar conhecimento para lá do oceano ou marcavam lutas contra os rapazes das escolas vizinhas. Ao fim do dia, ia até o aeropágo para assistir o pôr-do-sol sobre a <em>ágora</em> e o mercado, mas não me demorava muito por lá: sabia que se chegasse tarde em casa, iria dormir com a orelha quente e a barriga vazia.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-602" title="DSC_1890" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_1890.jpg?w=594" alt="DSC_1890"   /><p class="wp-caption-text">Parthenon, face oeste. O ângulo é famoso, mas ao contrário do que muita gente pensa, a entrada era pelo outro lado, a face leste, menos fotografada porque foi a mais severamente atingida pelos bombardeios venezianos no século XVIII.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Ser hóspede da Grécia fez-me bem para o corpo, mente e espírito. De todos os portos que atraquei, de todas as estradas que caminhei, eu descobri a velha verdade de que não há lugar como a tua casa. E a nossa casa é lá, por mais que tenhamos essas manias de sol nascente. Certo que o multi ou trans culturalismo nos ensina a alargar os horizontes. Mais certo ainda é que hoje perdemos o orgulho de sermos ocidentais. Estamos sempre presos a um criticismo doentio de nosso valores, sem parar para lembrar a imensa contribuição que demos para a experiência-mundo. Foi voltar à Grécia que eu redescobri isso tudo, foi lembrando o que a tanto tempo está lá que me fez de novo arder essa pira no peito. Somos todos filhos da Hélade, do remo e da lira. Temos algo do mármore e Fídias em nós. Somos perfeitos, proporções matemáticas de um universo mais perfeito ainda. O mundo é uma esfera achatadinha, que é para tudo ficar mais perto, e para que pudéssemos colocar em prática a primeira contribuição grega pro mundo: o abraço.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_603" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-603" title="DSC_2143" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_2143.jpg?w=594" alt="DSC_2143"   /><p class="wp-caption-text">Santorini.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Depois de conversar com a Deusa-Virgem, consultar o Oráculo de Delfos. Depois de ir até Tessalônica e ver o oriente do cais, passando pelo Olimpo, por Termópilas. Depois de ir às ilhas e ver que até a natureza veste toga e escreve em cirílico, em suma, depois de cruzar de cima a baixo toda a extensão do corpo da mãe do mundo ocidental, eu virei minha biga rumo ao porto. Quando entrei novamente no navio que ia cruzar o Adriático novamente, eu senti um alívio. Sim, alívio por ter conseguido ir embora, porque não queria ir. Tive que fazer valer a alma cigana e deixar mãezinha novamente: acordei um dia de manhã e sem aviso arrumei minhas coisas e fui-me rumo à boca do mar. No caminho pensava dos amigos que deixava, do pôr-do-sol sobre o Parthenon, dos dias a estudar e das noites a tomar vinho com a juventude ateniense nas ágoras modernas. Das conversas que tive, da beleza do que vi, do <em>souvlaki</em> de cordeiro que comia todos os dias. E mais do que tudo isso, eu pensava nela: na Grécia. Pensava na beleza dessa senhora e no carinho que ela me recebeu.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-604" title="DSC_2225" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_2225.jpg?w=594" alt="DSC_2225"   /><p class="wp-caption-text">Santorini. Só um adendo: Santorini é composta de 2 ilhotas e a ilha principal, com algumas vilas. Eu não lembro o nome de todas. Essa foto por exemplo, é de uma das vilas ao sul da ilha principal.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Fui novamente para o deck azul do navio, só que desta vez sem vídeo, sem nada. Só eu e o mar de Adriano, barbudo romano de alma grega. Fiquei ali, mas sentindo o vento como que vindo de Tróia. Era novamente Ulisses, que mesmo cruzando o mar de problemas ainda era assombrado pelo grito de Polifemo às portas de casa. Por algum tempo senti essa melancolia de quem deixa o lar para construir cavalos de madeira e semear infelicidade.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_606" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-606" title="DSC_2185" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_2185.jpg?w=594" alt="DSC_2185"   /><p class="wp-caption-text">Outra igreja de Santorini. Notem no canto inferior direito: Um quadriciclo de 250 cc. Eu preciso dizer o tanto que me diverti com esse brinquedinho, preciso?</p></div>
<p style="text-align:justify;">Durou pouco essa sensação, porque logo senti o toque de deusa no ombro. Era a Virgem da Hélade, Nikki, vitoriosa com as asas abertas. Abraçou-me e em sonho levou-me para um vôo com as águias de Zeus. Vi o mundo pequeno lá embaixo com suas ilhas, grandes e pequenas. Vi a deusa do meu lado sorrindo e senti-me de novo a alegria de quem não precisa de oráculos: ao olhar para dentro de mim vi que meu coração era o Peloponeso e Delos, átrio direito e esquerdo da mesma recordação. Onde eu estivesse, Hellas estarias comigo, sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_607" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-607" title="DSC_2218" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_22181.jpg?w=594" alt="DSC_2218"   /><p class="wp-caption-text">Santorini ainda. Diga-se de passagem, um dos lugares mais bonitos que vi na vida.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Acordei ao outro dia e me embrenhei no ocidente: a volta tinha começado. Olhei para trás e para o mar e lá do outro lado vi ela, a mãe. Acenou-me e gritou-me para não esquecer de fazer minhas lições todos os dias, e caso tivesse dificuldades, olhasse em meu bolso, pois tinha deixado um pequeno Pitágoras comigo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-609" title="DSC_1933" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/11/dsc_19331.jpg?w=594" alt="DSC_1933"   /><p class="wp-caption-text">Platão (D) e Aristóteles (E). Fotógrafo: Rafael Sanzio.</p></div>
<p style="text-align:justify;"><em>Ethkaristó</em> mãe querida, e até à volta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/592/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=592&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ZTCT2009: Costa di Amalfi, Paestum, Brindisi e o Deck Azul.</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 17:50:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem, vamos voltar aos trabalhos, que agora sossegou. Estou no caminho da volta já, neste momento na França. Tenho só mais alguns posts e aí fecho essa etapa da minha vida e do blog. Costa de Amalfi é conhecida por ser a Riviera Italiana. Logo, não tenho muito o que falar que não esteja nos vídeos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=573&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_575" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-575" title="DSC_1369" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1369.jpg?w=594" alt="DSC_1369"   /><p class="wp-caption-text">Costa di Amalfi: Positano.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Bem, vamos voltar aos trabalhos, que agora sossegou. Estou no caminho da volta já, neste momento na França. Tenho só mais alguns posts e aí fecho essa etapa da minha vida e do blog.</p>
<p style="text-align:justify;">Costa de Amalfi é conhecida por ser a Riviera Italiana. Logo, não tenho muito o que falar que não esteja nos vídeos e nas fotos que fiz de lá. Sinceramente, acho que esses lugares a natureza, a paisagem, o azul do céu falam por si e são todo argumento, com toda legitimidade auto-inclusa no olho de quem viu. Como eu poderia te descrever um almoço em Positano, olhando o mar arrebentar na pedra? A parada com o carro pra ver a Ilha de Capri ao fundo, o barco cortando o azul infinito de um mar que tanta gente já navegou, gente que a gente chama de antepassados? A noite de sono no hotel com vista para o Vesúvio, que me  encarava como o olho de Polifemo, lá atrás, mas mesmo assim tão perto que não tive medo de passar frio de noite?</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_578" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-578" title="DSC_1416" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1416.jpg?w=594" alt="DSC_1416"   /><p class="wp-caption-text">Praia em Amalfi.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Em suma, eu prefiro deixar algumas fotos aqui que marcam esse momento de descanso para a cabeça e deleite pros olhos. A Costa de Amalfi realmente é espetacular pela beleza. O banho que tomei no mar, logo depois de Positano, também valeu para relaxar músculos e cabeça da caminhada sobrenatural em Pompéia.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_577" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-577" title="DSC_1377" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1377.jpg?w=594" alt="DSC_1377"   /><p class="wp-caption-text">Eu me pergunto como eles cravavam essas cidades na pedra, dessa maneira.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Bem, passei uma noite em Sorrento, depois fiz a volta na Costa e fui para Salerno. Dormi lá e no outro dia acordei e fui para Paestum. É uma antiga colônia grega, assim como Pompéia e tantas cidades romanas. O interessante é que lá há os mais bem conservados templos gregos da Itália. Novamente, foi lição de arquitetura e da relação dela com a religião.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_579" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-579" title="DSC_1521" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1521.jpg?w=594" alt="DSC_1521"   /><p class="wp-caption-text">Templo de Ceres. Paestum</p></div>
<p style="text-align:justify;">Passei uma tarde lá olhando os templos e pensando no que a Grécia me reservava. Sim, nesse momento da viagem eu só pensava na Grécia, nos deuses, nas praias, no ferry, etc. Paestum foi como uma introdução, um prefácio pro que eu ia ver lá do outro lado do Adriático. Falar muito agora vai tirar a graça do que vou falar depois, e não só isso, seria também cair em repetição: apesar da riqueza arqueológica da antiga cidade, Paestum é parte da regra, ou seja, típica cidade romana do período clássico.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_580" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-580" title="DSC_1465_1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1465_1.jpg?w=594" alt="DSC_1465_1"   /><p class="wp-caption-text">Eu &amp; Templo de Netuno (Vulgo Poseidon, nada amigo de Odisseus)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Depois disso, peguei o carro e cobri voado a distância até Brindisi, no salto da bota da Itália. Dormi uma noite lá, no outro dia fui comprar meu ticket para fazer a viagem. Dormi mais uma noite e de tardezinha fui até o porto. Era a primeira vez que andava de Ferry-Boat, primeira vez que via um de tão perto assim, já que no Brasil nem temos esse costume de viajar assim, então eles residem como lendas, criaturas mitológicas que habitam o porto de Santos.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_581" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-581" title="DSC_1545" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1545.jpg?w=594" alt="DSC_1545"   /><p class="wp-caption-text">Grraaaauuuurrr! (Elli T. Pireus)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Cheguei cedo e fiquei lá observando os caminhoneiros entrarem de marcha-ré pela boca de engolir automóvel do barco gigante. Quando foi minha vez, entrei, estacionei o carro, peguei minha sacola com os itens pra noite e fui pra minha cabine. Deixei tudo lá e fui pro <em>deck</em> ver o navio deixar o cais. Não tenho como descrever também a sensação de ver a terra ir ficando pequenina, até ficar tão miúda que cabia na cabeça de um alfinete. De ouvir o navio bater na água, e de estar sentado lá sozinho, olhando a lua. Desci, bati papo com os gregos, tomei uma cerveja, e aí veio a idéia de fazer o depoimento. Peguei  a cam, voltei de novo para o deck e fiz o vídeo.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://tea2break.wordpress.com/2009/10/28/ztct2009-costa-di-amalfi-paestum-brindisi-e-o-deck-azul/"><img src="http://img.youtube.com/vi/e8cAz3s7edk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Foi um dos melhores momentos meus-comigo-mesmo da viagem, porque ali eu estava só, passando uma experiência totalmente nova num lugar totalmente novo. Eu estou escrevendo aqui, fecho os olhos, e consigo sentir o vento batendo em mim, ouço a água, sinto tudo de novo. Isso nunca vai sair de mim, nunca. Toda a vez que eu quiser, é só fechar os olhos e eu estou de novo naquele deck pintado de azul, com as cadeiras de ferro, sentado, vendo a luz refletir no mar, a costa da Itália beeeem ao longe. Sou eu em cima do Mar de Adriano, o mar que me levou pra Grécia querida, que tanto bem e tantas experiências fantásticas me trouxe. Eu pensava que a viagem estava ótima, mas a Grécia me fez rever conceitos como &#8220;tá bom&#8221; &#8220;demais&#8221; e &#8220;puta que pariu&#8230; sensacional!&#8221;.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_583" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-583" title="DSC_1555" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1555.jpg?w=594" alt="DSC_1555"   /><p class="wp-caption-text">Companheiro de viagem.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Uma viagem como essa é cheia de momentos mágicos, lugares mágicos. Mas uma coisa que eu fui aprendendo, e que agora está se consolidando em mim, é curtir mais ainda o simples. Nos posts anteriores eu falei de museus, quadros, igrejas, lugares mil. Neste eu falei disso um pouco, mas tudo serviu para chegar aqui e eu te contar da cadeira de ferro no deck azul. Eu não consigo sintetizar o poder daquela cadeira de ferro no deck azul, e por isso gravei o vídeo para falar de tudo, porque falando de tudo eu não falava da cadeira em específico. Eu fecho os olhos agora e lembro da paz do céu aberto de noite de lua cheia no meio do mar. Olho pra baixo da minha mesa aqui e láaaaa embaixo vejo o mar batendo na proa branca do barco da cadeira de ferro do deck azul. Todo lugar que eu for, eu já te disse isso, eu estou de novo na cadeira de ferro do deck azul. Para isso, basta fechar os olhos.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_584" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-584" title="DSC_1590" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1590.jpg?w=594" alt="DSC_1590"   /><p class="wp-caption-text">Terra à vista: Patraso, Grécia.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Depois de algum tempo de solilóquio, eu desci pra minha cabine. Deitei ao som da lua lá fora, iluminando a água. Fechei os olhos e não sonhei, porque sonho geralmente é o nome daquilo que a gente quer pra gente, que se deseja, que se espera. Tudo que eu queria estava acontecendo comigo. Por isso, nesse dia eu dormi e quando fechei os olhos, tudo que eu vi foi um céu azul infinito, e um menino em órbita que flutuava numa cadeira.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_585" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><img class="size-full wp-image-585" title="DSC_1604" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1604.jpg?w=594" alt="DSC_1604"   /><p class="wp-caption-text">Parákalo Hellas!!!</p></div>
<p style="text-align:justify;">No outro dia acordei na terra dos meus deuses pessoais. Patraso, meu destino, se desenhava no horizonte como uma dessas águias que Zeus manda para avisar os mortais do inevitável que está para acontecer. Com a minha câmera comecei a registrar os augúrios do dia que começava. O barco aportou, retirei meu carro. Do lado de fora, vi uma placa escrita assim:</p>
<p style="text-align:justify;">ΑΘΗΝΑ -&gt; (Atenas -&gt;)</p>
<p style="text-align:justify;">Olhei, balancei a cabeça num gesto de incredulidade, e quando engatava a quinta-marcha pensei de mim para comigo mesmo:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É deusa, CHEGAMOS!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Lá do alto Atena sorriu: mais alguns quilômetros eu entraria debaixo das cobertas do berço da civilização ocidental.</p>
<p> </p>
<p><div id="attachment_586" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-586" title="DSC_1584" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1584.jpg?w=594" alt="DSC_1584"   /><p class="wp-caption-text">(Y)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Mas isso é papo para a próxima Odisséia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/573/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=573&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ZTCT2009: Pompei</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 23:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu deixei Nápoles em um dia chuvoso: final de setembro, outono ali na porta já batendo para entrar. Peguei uma secundária cortando algumas cidadezinhas no caminho até Pompéia. Dia fechado, frio e eu buscando ser racional e pensando: &#8220;ok, nada de fotos, passeio rápido&#8230; não tem jeito&#8221;. Cheguei na entrada para o sítio arqueológico, descobri que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=545&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_547" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-547" title="IMG_0121" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0121.jpg?w=594" alt="Bem vindo à cidade-fantasma."   /><p class="wp-caption-text">Bem vindo à cidade-fantasma.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu deixei Nápoles em um dia chuvoso: final de setembro, outono ali na porta já batendo para entrar. Peguei uma secundária cortando algumas cidadezinhas no caminho até Pompéia. Dia fechado, frio e eu buscando ser racional e pensando: &#8220;ok, nada de fotos, passeio rápido&#8230; não tem jeito&#8221;. Cheguei na entrada para o sítio arqueológico, descobri que tinha perdido meu guarda-chuva azul e tive que comprar um outro enorme, colorido com as cores da bandeira italiana, que quando uso me tornam localizável por satélite. Carreguei comigo só o iPhone (L) e pensei que ia ter um dia só para mim também. Sim, quem viaja fica preocupado com o registro, tirar fotos, mostrar para família, amigo, cachorro. Além disso, eu ainda me fiz o favor de comprar outra cam, e agora além das fotos, tenho que me preocupar com os vídeos para mostrar para a família, amigo, cachorro. Fiquei até aliviado com essa chuva, e larguei tudo no carro, e como o celular tava a tira-colo mesmo, tomei o rumo da entrada e desencanei.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_569" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-569" title="IMG_0082" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_00821.jpg?w=594" alt="A Basílica de Pompéia. A basílica era uma construção que tinha várias funções, mas funcionava como um lugar de reunião pública geralmente com fins sociais ou políticos. Julgamentos, inclusive, eram realizados dentro dela."   /><p class="wp-caption-text">A Basílica de Pompéia. A basílica era uma construção que tinha várias funções, mas funcionava como um lugar de reunião pública geralmente com fins sociais ou políticos. Julgamentos, inclusive, eram realizados dentro dela.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu tinha uma idéia de Pompéia como uma enorme ruína. &#8220;- Sim, caramba, o que uma cidade que foi soterrada por uma ERUPÇÃO VULCÂNICA tinha para mostrar?&#8221; pensava eu. Isso me ajudou também a me sentir mais aliviado de não estar carregando a parafernália de registro comigo: &#8220;- Tem nada pra ver mesmo, vou passear, relaxar, e depois tomo o rumo da Costa de Amalfi&#8221; (próximo post).</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_550" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-550" title="IMG_0125" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_01251.jpg?w=594" alt="Eu esperava encontrar SÓ isso..."   /><p class="wp-caption-text">Eu esperava encontrar SÓ isso...</p></div>
<p style="text-align:justify;">Paguei a entrada, peguei o <em>audio guide</em> e cruzei a porta e aí, susto: não é só ruína, é uma cidade quase totalmente de pé. Sim, construções e construções e mais construções muito bem conservadas. Fiquei meio bobo, pensando &#8220;Hã?!?!?&#8221; e aí quando fui descendo mais para dentro da cidade, e que num dos muros de uma das casas eu vejo um GRAFITE romano no muro eu pensei &#8220;ô vulcãozinho de merda!&#8221;. Ok, nem pensei isso que eu nem sou louco, que ando tanto tempo aqui pelo mundo clássico que já estou acreditando em deuses de novo: pedi inclusive permissão para POSEIDON para tomar banho de mar em Santorini. De qualquer maneira, eu fiquei um tempo parado no meio da rua tentando me localizar e entender. Ouvindo a conversa do <em>audio-guide</em> eu descobri que Pompéia começou a ser escavada ainda no século XVIII, ou seja, é um trabalho antigo, e por isso, muito da cidade pode ser conservado. Minha postura mudou de <em>blasé</em> para eufórico-triste, porque senti que o tempo que tinha não ia ser suficiente: sim, precisava de uma três vidas lá dentro, revirando pedra e falando com caramujo. Mas eu me conformei, e disse pra mim mesmo que só ia embora arrastado pelos seguranças, alta noite, quando não conseguisse mais me esconder deles.</p>
<div id="attachment_552" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-552" title="IMG_0084" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0084.jpg?w=594" alt="Pichação romana em uma casa de Pompéia. Na parede está escrito &quot;É nóis!&quot; (tradução-livre do autor do blog)."   /><p class="wp-caption-text">Pichação romana em uma casa de Pompéia. Na parede está escrito &quot;Eh nóis nah fita truta!&quot; (tradução-livre do autor do blog).</p></div>
<p style="text-align:justify;">Bem, faço piada, mas o que eu senti está longe disso. Gradativamente, ao andar pelas ruas e entrar na casa dos antigos residentes e ver as pinturas nas paredes, tudo conservado como exatamente era ou ao adentrar no &#8220;coleseum&#8221; da cidade pela mesma entrada que os gladiadores usavam e me ver no meio da arena, eu consegui mergulhar naquele tempo de novo. E isso foi possível justamente por conta da chuva: a cidade estava praticamente vazia, com poucos turistas se aventurando a andar por lá. A chuva passou mas ficou o número reduzido de pessoas. Bem, museu quanto mais vazio melhor: por isso gostei tanto do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, porque não tinha quase ninguém e eu ficava pensando &#8220;-TODO MEU HAHAHAHAHA TODO MEU!!!!!&#8221;. Imaginem agora eu com UMA CIDADE toda pra mim? Não é exagero, eu sentia tanto prazer, mas tanto, que minhas ex-namoradas que me desculpem, mas chorei por vós! Se não fosse o profundo sentimento de respeito e admiração que me veio não sei de onde, eu não andaria pela cidade, eu quicaria pelas paredes, tipo noviça rebelde do mundo clássico.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_553" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-553" title="IMG_0087" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_00871.jpg?w=594" alt="Uma cidade arqueológica VAZIA! Zenzazional..."   /><p class="wp-caption-text">Uma cidade arqueológica VAZIA! Zenzazional...</p></div>
<p style="text-align:justify;">Bem, passada a euforia dessas descobertas eu me concentrei. Logo depois de um tempo ouvi uma voz no meu ouvido, que dizia algo assim:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;- Ouvi os mortos.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não entendi de começo. Ouvir os mortos? Bem&#8230; eu me concentrei e a voz continuou dizendo isso e eu vi que tinha algo para acontecer COMIGO ali. Eu não tinho ido a Pompéia à toa, tinha um porque deu estar ali. Não era só passeio e masturbação cultural para nerd-feliz, tinha algo mais no ar da cidade, algo em cada pedra velha que eu pisava. Eu fui concentrando, concentrando, concentrando&#8230;. e aos poucos fui entendendo o que eu tinha para fazer na cidade fantasma. Quando em Roma, seja como os romanos certo? Em Pompéia, você tem que aprender a se portar como os habitantes de lá, e para isso, tem que ouvir os mortos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_554" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-554" title="IMG_0090" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0090.jpg?w=594" alt="O atrium de uma casa romana. Peculiaridade arquitetônica: as casas romanas não tinham janelas voltadas para o exterior, para preservar a privacidade dos moradores, que ficavam voltadas para o átrio. "   /><p class="wp-caption-text">O atrium de uma casa romana. Peculiaridade arquitetônica: as casas romanas não tinham janelas voltadas para o exterior, para preservar a privacidade dos moradores, que ficavam voltadas para o átrio.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu me sentia estranho, estranhamente feliz. Muito feliz, calmo, sereno&#8230; sim, sereno é a palavra. O vento frio da chuva que varria o pé da Montanha-vulcão tinha algo a mais nele, como um perfume de um tempo que eu tinha visto. Era mais que um <em>dejá vu</em>, porque eu me sentia ali de fato. Eu parava em esquinas da cidade, e não fazia nada mais que sentar na calçada e olhar para as casas. Eu fui até o extremo norte dela, já no fim do dia, na <em>Via Vesuvio</em>, e sentei. Fiquei ali só ouvindo o vento, só. Eu e ninguém, ou ninguém que a gente veja assim. Um vento frio, bom e o barulho dele no ouvido, aquele assovio que mais parecia um convite: ouvi os mortos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_555" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-555" title="IMG_0093" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0093.jpg?w=594" alt="Detalhe da decoração interna da casa da foto anterior."   /><p class="wp-caption-text">Detalhe da decoração interna da casa da foto anterior.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu ouvia isso, mas não tinha conseguido ver nenhum: sim, há exposto em Pompéia pessoas que foram soterradas pelas cinzas do vulcão, e estão lá até hoje. O problema que eu não sabia onde era. A cidade é enorme, tinha pouco tempo, queria ver, mas não sabia. Estava na rua pensando nisso quando um grupo de BRASILEIROS passam e comentam que ouviram um inglês dizer que era no número 36 do mapa. Eu nem puxei conversa com eles, como faço normalmente, porque gosto de ouvir as impressões de brasileiros aqui pela Europa, e só me contentei a rir: para que não tivesse erro, eu ouvi em bom português onde estavam os mortos da cidade.</p>
<div id="attachment_556" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-556" title="IMG_0085" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0085.jpg?w=594" alt="A cozinha de uma casa romana ficava literalmente na ENTRADA da casa. Eu fiz essa foto da calçada, na rua."   /><p class="wp-caption-text">A cozinha de uma casa romana ficava literalmente na ENTRADA da casa. Eu fiz essa foto da calçada, na rua.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Fui andando, chego lá e vejo que área toda está interditada. E agora? Agora? Simples, invadir. Sim, eu não tinha andado mais de 5000 kms, tinha ouvido o que tinha ouvido para chegar lá e não ver eles. Passaram o dia me chamando, o dia me contando aquele fatídico dia de 79 d.C., e eu tinha ido longe demais para deixar de vê-los por conta de uma cancela vermelha. Pulei e fui andando até o endereço, e não me espantei de não ter um segurança sequer na área, ninguém de ninguém. Era o meu dia, o dia de ouvir, conversar e ver os mortos.</p>
<div id="attachment_558" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-558" title="IMG_0095" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0095.jpg?w=594" alt="A arena (&quot;coleseum&quot;) de Pompéia."   /><p class="wp-caption-text">A arena (&quot;coleseum&quot;) de Pompéia.</p></div>
<p>Cheguei ao número 36, que é uma elevação numa casa, protegido por um vidro. No chão, 3 corpos soterrados de cinzas. Um rapaz sozinho, e uma mulher abraçando o que me pareceu um jovem. Cobertos das cinzas, elas conservaram nos rostos a impressão da força do vulcão, aquela expressão de terror-resignado de quem sabe que encontrou a morte. Ninguém perto de mim, eu e eles. Fiquei um tempo ali, mas não fiquei satisfeito. Fiz algo que é condenável arqueologicamente, apesar do meu cuidado: eu pulei o murinho e fui até alguns passos deles. Fiquei longe, não toquei em nada, e me concentrei na área que vi as marcas das botas dos pesquisadores, mas não me orgulho do que fiz. Todavia, fiz o que fiz porque sentia uma força em mim que me compelia, algo que eu não sei explicar, como não sei explicar muito do que senti o dia todo. Digo isso, porque eu sou do tipo que não tira foto com flash, não toco nada, não avanço, enfim, respeito todas as regras. Mas esse dia, não sei o que tinha comigo e com o lugar, eu simplesmente sentia esse &#8220;TENHO que&#8221; dentro de mim.</p>
<div id="attachment_557" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-557" title="IMG_0102" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0102.jpg?w=594" alt="A foto é de celular, não é boa... mas bem na esquerda está o rapaz sozinho deitado. Dá pra ver o formato da perna dele, e o calcanhar, pé. Abstraiam e façam força, dá pra ver o pedaço do esqueleto dele a mostra. Foi o que consegui fazer de foto."   /><p class="wp-caption-text">A foto é de celular, não é boa... mas bem na esquerda está o rapaz sozinho deitado. Dá pra ver o formato da perna dele, e o calcanhar, pé. Abstraiam e façam força, dá pra ver o pedaço do esqueleto dele a mostra. Foi o que consegui fazer de foto.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Cheguei perto deles, e bem, a intenção era dar a volta pelo círculo e vê-los de todos os ângulos, porém&#8230; eu não consegui! Sim, quando eu pulei o muro eu senti uma &#8220;força&#8221; que enterrou meus dois pés no lugar. Olha, se eu não acreditasse em tudo que já acredito, saíria de lá acreditando, porque eu esbarrei numa espécie de &#8220;redoma&#8221; que ordenava a não avançar mais um centímetro do lugar que estava. Foi tão forte isso, mas tão forte, que eu senti dificuldades de virar as costas e ir embora. Eu fiquei lá olhando pra eles. Um deles, o rapaz sozinho, a cinza tinha caído do calcanhar e os ossos estavam expostos. Ele estava na minha frente, eu fiquei ali contemplando aquela família, os pés fixos no chão, dificuldade de me mover para tirar foto. Só fui embora depois de um tempo, quando me senti &#8220;autorizado&#8221; a ir. E aí, pulei o muro de volta e fui embora. Realizado, porém, receoso: senti que tinha ido longe demais, passado dos limites. Meu palpite estava certo: passei as duas noites seguintes experimentando sensações estranhas, que só passaram quando eu juntei as duas mãos e pedi desculpas a &#8220;eles&#8221;, ao mesmo tempo que expliquei o que senti. Funcionou, e a partir da terceira noite, a paz voltou, ficando só as impressões maravilhosas do passeio todo.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_559" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-559" title="IMG_0111" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0111.jpg?w=594" alt="Uma imagem &quot;inspiradora&quot; na parede de um dos bordéis de Pompéia. Os bordéis geralmente eram para a plebe: os ricos recebiam os &quot;serviços&quot; em casa mesmo."   /><p class="wp-caption-text">Uma imagem &quot;inspiradora&quot; na parede de um dos bordéis de Pompéia. Os bordéis geralmente eram para a plebe: os ricos recebiam os &quot;serviços&quot; em casa mesmo.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Ficou a lição de que esses lugares antigos estão recheados de energias, que lá foram colocadas por pessoas que pensavam e muitas vezes pensam diferente de nós. Isso é o que eu acredito claro, mas se você quer o meu conselho, eu te digo para no seu ceticismo manter o respeito: não toque, não invada, não faça piada, mantenha-se na postura de quem quer aprender, ver, se maravilhar. Além do dia fantástico, Pompéia me ensinou isso, ensinamento que eu comecei a aplicar e que aqui em Atenas me reservaram os melhores dias da viagem: caminho por entre ruínas e mortos agora e em todos esses lugares faço amigos nos dois planos, porque sempre peço permissão antes de avançar um passo sequer.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_566" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-566" title="IMG_0120" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_01202.jpg?w=594" alt="A &quot;Casa do Fauno&quot;, de onde foi retirado o mosaico da &quot;Batalha de Issus&quot;, que falei no post de Napoli. "   /><p class="wp-caption-text">A &quot;Casa do Fauno&quot;, de onde foi retirado o mosaico da &quot;Batalha de Issus&quot;, que falei no post de Napoli.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Vi o pôr-do-sol no fórum da cidade, ao lado de onde ficava o antigo local onde se trocava moedas estrangeiras por moedas da cidade. Na minha frente o Vesúvio, naquele jeito dele de dizer que sempre vai estar lá, e que nós não. Fiquei alguns minutos sentado ali ainda, fiz algumas fotos (do carro, minhas câmeras arrumaram um jeito de me assediar mentalmente, obsessoras que são) olhando pro velho vulcão. Pensei de novo em tudo que vi, nas casas, inclusive no Bórdel que entrei, com as pinturas na parede, e naquela cidade que parou no tempo. Fechei os olhos e vi a praça cheia de vendedores, de pregadores convocando alguma assembléia, do patrício que passava na sua liteira, da gente apressada que esbarrava em mim sem esbarrar, sem a mínima curiosidade comigo, afinal para eles eu sou o morto, cego, que não vê nada.  Deixei com eles o meu carinho, ajeitei a minha toga e quando estava para ir, olhei para o lado: era o meu amigo, a voz no meu ouvido, Ovídio ocasional de quem se aventura a ser Dante por ali. Ele me abraçou, e fui tomando o rumo da porta da cidade, enquanto sentia no peito a gratidão por esse dia nada convencional.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_567" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-567" title="IMG_0123" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_01231.jpg?w=594" alt="O mercado de moedas. "   /><p class="wp-caption-text">O mercado de moedas. </p></div>
<p>O que eu tinha ido fazer lá? Ouvir os mortos de novo. Tinha passado esse tempo todo longe deles, sentindo-me o mais injustiçado dos humanos. E aí eles me convidam para a cidade deles, cantam para minha aquela canção antiga e me lembram do enorme carinho que eles têm não só por mim, mas por todos nós.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_568" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-568" title="IMG_0133" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_01331.jpg?w=594" alt="Farewell. Ao fundo, o Vesúvio."   /><p class="wp-caption-text">Farewell. Ao fundo, o Vesúvio.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Quando você for a Pompéia, peço que lembre-se de mim, e faça como eu: ouvi os mortos. Garanto que a estória que eles vão te contar, guia de carne e osso nenhum vai conseguir reproduzir.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_565" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-565" title="IMG_0098" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/img_0098.jpg?w=594" alt="Arena &amp; um esgrimista do bigode de volta perdido."   /><p class="wp-caption-text">Arena &amp; um esgrimista do bigode de volta perdido.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Vejo vocês do outro lado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tea2break.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tea2break.wordpress.com/545/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=545&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ZTCT2009: Napoli</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 22:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatinerário]]></category>
		<category><![CDATA[Zooropa Tour 2009.]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegando em Nápoles eu cumpri um dos side-quests da viagem: visitar as três cidades-portos de onde o capitalismo pela primeira vez hasteou vela. Tinha visto Veneza em 2007, vi Genova quando entrei na Itália, e agora entrava na última delas. E minha exploração da cidade consistiu parte nisso: de andar pela beira do mar e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tea2break.wordpress.com&amp;blog=6997578&amp;post=525&amp;subd=tea2break&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_526" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-526" title="DSC_1254" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1254.jpg?w=594" alt="&quot;A Primavera&quot; (Museu Nacional Arqueológico de Nápoles). "   /><p class="wp-caption-text">&quot;A Primavera&quot; (Museu Nacional Arqueológico de Nápoles).</p></div>
<p style="text-align:justify;">Chegando em Nápoles eu cumpri um dos <em>side-quests</em> da viagem: visitar as três cidades-portos de onde o capitalismo pela primeira vez hasteou vela. Tinha visto Veneza em 2007, vi Genova quando entrei na Itália, e agora entrava na última delas. E minha exploração da cidade consistiu parte nisso: de andar pela beira do mar e ficar vendo caravela ou tireme fantasma chegando e partindo. De observar como nessas três cidades, manifesto na estética das ruas à arquitetura, a cidade inteira parece querer se lançar ao mar, num desses ímpetos saudosos de amante de marinheiro. Cada pedacinho de terra abraça, e não só toca, o mar. Cada espaço na areia ou na pedra é um porto.</p>
<div id="attachment_527" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-527" title="DSC_1142_1" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1142_1.jpg?w=594" alt="Castelo Nuovo. "   /><p class="wp-caption-text">Castelo Nuovo.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Minha estada na cidade foi mais também para descanso. Sim, eu estava com estafa mental dos mais de 10 dias em Roma enfiado em cada buraco que me falasse de algo que tinha acontecido miletantosanosatrás. Eu gastei um dia inteiro no Coleseum, lendo tudo da exposição do Vespasiano. Fiquei enfiado outro dia nos Museus do Capitólio, lendo cada inscrição em pedra. Outro no Fórum, de cabeça torta pra entender o mármore no chão, e por aí vai. Tudo isso com <em>audio-guide</em> no ouvido, guia na mão, leitura da internet, etc. E aí, no final, senti que não estava mais conseguindo absorver muita coisa, e resolvi descansar.</p>
<div id="attachment_529" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-529" title="DSC_1214" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1214.jpg?w=594" alt="Museu Arqueológico."   /><p class="wp-caption-text">Museu Arqueológico.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, em Nápoles está um dos Museus Arqueológicos mais importantes do mundo. Por isso, fiquei um dois dias andando na beira da praia, pedindo à Júpiter-Capitolino aquela força que antecede triunfo. Dormi até tarde, enchi a barriga de espagueti e frutos do mar e no terceiro dia ressucitei a cabeça e fui lá, ainda meio cético se o que ia ver ia me impressionar tanto assim&#8230;.</p>
<div id="attachment_528" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-528" title="DSC_1164" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1164.jpg?w=594" alt="O famoso &quot;Hércules&quot; que Napoleão deixou pra trás no saque que fez quando da conquista da Itália. Segundo contam, o pequeno-notável teria manifestado mais de uma vez o pesar por ter cometido esse &quot;erro&quot;."   /><p class="wp-caption-text">O famoso &quot;Hércules&quot; que Napoleão deixou pra trás no saque que fez quando da conquista da Itália. Segundo contam, o pequeno-notável teria manifestado mais de uma vez o pesar por ter cometido esse &quot;erro&quot;. (Museu Arqueológico)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Impressionou. O <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Arqueológico_Nacional_de_Nápoles">Museu Arqueológico Nacional de Nápoles</a></em> é onde está a coleção dos mosaicos romanos encontrados em Pompéia. Além disso, no &#8220;Gabinete Secreto&#8221; está a mostra de arte erótica romana, que geralmente adornava bordéis, mas que também se encontrava na casa da gente comum, porque pra quem não sabe, <em>Venerius</em> era um deus, que se pedia proteção e sucesso, antes de cada orgia. Era uma espécie de Baco, um deus das &#8220;festas&#8221;, mas você faz o favor de ler &#8220;festa&#8221; com um sorriso no canto da boca. Doença &#8220;Venérea&#8221; vem daí.</p>
<div id="attachment_531" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-531" title="DSC_1202" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1202.jpg?w=594" alt="O &quot;Gabinete Secreto&quot;. M.A"   /><p class="wp-caption-text">O &quot;Gabinete Secreto&quot;. (M.A).</p></div>
<p style="text-align:justify;">De qualquer maneira, tempos atrás eu comprei aquele documentário da BBC sobre Alexandre o Grande, que o repórter fez os passos dele pela Ásia. E quando ele foi falar da batalha dele contra o Dário III, mostrou um mosaico criado por um artista romano retratando justamente o momento da batalha, quando Dário percebeu que o jovem macedônio ex-tutelado de Aristóteles era encrenca demais pra ele. No mosaico, os olhos abertos em gesto de terror e incredulidade de Dário de um lado, do outro, a face da serenidade e confiança do herói do helenismo, que precisou de 2 anos apenas para unir ocidente com oriente. Os cavalos macedônicos e gregos atropelando soldados persas no chão, estatelados.</p>
<div id="attachment_532" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-532" title="DSC_1203" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1203.jpg?w=594" alt="O Mosaico da Batalha de Issus. Encontrado na &quot;Casa do Fauno&quot; em Pompéia. Autor, até onde eu sei, desconhecido."   /><p class="wp-caption-text">O Mosaico da Batalha de Issus. Encontrado na &quot;Casa do Fauno&quot; em Pompéia. Autor, até onde eu sei, desconhecido. (M.A.).</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu lembro de assistir o documentário e ficar impressionado pela vividez dessa obra-de-arte, coisa que o pessoal da BBC ressaltou na narração. E, bem, eu estava lá andando pelo museu, faço uma curva ali, outra aqui, e no canto do meu olho vi algo enorme na parede, na parte dos mosaicos. Eu me viro e vejo: era o mosaico do documentário. Esse mosaico foi encontrado na famosa &#8220;Casa do Fauno&#8221; em Pompéia, que eu visitei e que falo no próximo post. Não tem autoria certa, mas retrata a <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Issus">Batalha de Isso</a></em>, entre Alexandre o Grande e  Darius III e marca a vitória decisiva do general macedônico sobre os persas.</p>
<div id="attachment_533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-533" title="DSC_1257" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1257.jpg?w=594" alt="As memórias sobre Alexandre são diferentes, se nos deslocamos para o oriente. No Irã, ele até hoje é lembrado pela alcunha de &quot;demônio&quot; em vez de &quot;o Grande&quot;. Vencedor e derrotado geralmente não vêem as coisas do mesmo jeito. (Pintura encontrada em Pompéia, de Baco - M.A.)"   /><p class="wp-caption-text">As memórias sobre Alexandre são diferentes, se nos deslocamos para o oriente. No Irã, ele até hoje é lembrado pela alcunha de &quot;demônio&quot; em vez de &quot;o Grande&quot;. Vencedor e derrotado geralmente não vêem as coisas do mesmo jeito. (Pintura encontrada em Pompéia, de Baco - M.A.)</p></div>
<p style="text-align:justify;">O painel é impressionante, arrebatador, como toda obra-única. Tem por volta de 3 para 4 metros de altura, por 6 ou 7 de comprimento. Levou 6 anos para ficar pronto, e o artista utilizou mais de um milhão de pedrinhas coloridas. Tudo isso para te colocar de volta no campo de batalha num dos momentos mais importantes para a história mundial: depois dessa batalha, Alexandre consolida o poder ocidental sobre a ásia. O mundo a partir de agora se tornava uma ágora, e o conhecimento grego se espalha e se mistura, enriquecendo e sendo enriquecido.</p>
<div id="attachment_534" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-534" title="DSC_1188" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1188.jpg?w=594" alt="Os famosos mosaicos de Dióscorides de Samos, artista romano que trabalhou para as famílias ricas de Pompéia."   /><p class="wp-caption-text">Os famosos mosaicos de Dióscorides de Samos, artista romano que trabalhou para as famílias ricas de Pompéia. (M.A.).</p></div>
<p style="text-align:justify;">Eu podia ficar mileumanoites falando de Alexandre aqui, Sherazade que sou do mundo helênico no geral. Pouparei-os de meu tietismo, mas fica mais um registro disso que foi uma das grandes lições que esta viagem me trouxe: o potencial de ensinamento que uma obra de arte pode te trazer. Olhando pro painel eu pude ressucitar em mim coisas que muito tempo não refletia. Alexandre o Grande (Ἀλέξανδρος ὁ Μέγας ou Μέγας Ἀλέξανδρος, em grego), filho de Felipe II da Macedônia. Aos 20, com o assassinato do seu pai se torna rei. Pouco antes ouviu dele a profecia que o fez ir até os confins da Mongólia: &#8220;Meu filho, conquite para você outro reino, porque este que lhe deixo é muito pequeno para ti&#8221;. Tal fez. Aos 22 se tornava senhor supremo da Ásia-Menor, com a derrota de Darius III. Aos 32, morre no Egito. Em menos doze anos, um jovem que nem era homem ainda mudou a história mundial e uniu o globo. Os gregos aprendem mais matemática e conhecimentos de navegação com os orientais. O oriente agora lia a escola socrática. O grego se torna a língua-comum do mundo antigo. O grosso disso consolidado em quatro anos, quatros míseros anos. Quatros anos eu levei sentado na UnB para receber o grão-título-da-ordem-dos-Bacharéis. E, pasmem, isso não colocou meu nome nos anais da história mundial, e serviu apenas para criar algumas pontes entre a minha ignorância e o lado de lá do que eu devia aprender.</p>
<div id="attachment_535" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><img class="size-full wp-image-535" title="DSC_1186" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1186.jpg?w=594" alt="Todo relacionamento envolve conflito. (Outro mosaico encontrado em Pompéia)."   /><p class="wp-caption-text">Todo relacionamento humano envolve conflito. (Outro mosaico encontrado em Pompéia - M.A.)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Quatro anos, algumas tropas, cavalos. Imaginem quanto tempo levava pra viajar tal distância no lombo de um animal (um dia de marcha com tropas, dependendo do volume dela, você cobre uns 30, 40 kms). E nesse curto espaço de tempo, contando todas as vicissitudes possíveis, esse MOLEQUE me une o mundo. Isso 2400 anos atrás, quando a internet ainda era movida a pergaminho amarrado na bota de neguinho, que corria mais que ladrão pra chegar a tempo da notícia não ter sido dada por uma pomba do inimigo dizendo &#8220;Perdeu Playboy!&#8221;.</p>
<div id="attachment_536" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-536" title="DSC_1235" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_12351.jpg?w=594" alt="M.A."   /><p class="wp-caption-text">&quot;- Perdeu bodinho!&quot; (M.A.).</p></div>
<p style="text-align:justify;">À emoção que eu tinha experimentado em Florença com o talho de Michelângelo &amp; Cia, e à força orgulhosa do mármore que o tempo derrubou em Roma, agora se juntavam ao monte de pedrinha que me davam, mais uma vez, aquele tapa de luva de prego da história na minha cara. Pelo tempo que eu estive dentro do Museu Arqueológico de Nápoles, eu tive que tomar cuidado para não tropeçar nos corpos dos persas no chão, esquivar das flechas e lanças e procurar um canto sereno no canto de batalha para ficar apenas olhando a face do menino da Macedônia, temido e respeitado, que com uma espada abriu o crânio do mundo e o deixou ali exposto, preparado para receber os ventos que, com ele, agora vinham de todas as direções.</p>
<div id="attachment_538" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-538" title="DSC_1223" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1223.jpg?w=594" alt="Oriente e Ocidente começam a caminhar juntos numa mesma direção. (M.A.)"   /><p class="wp-caption-text">Oriente e Ocidente começam a caminhar juntos numa mesma direção. (M.A.)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Saí do museu e novamente me localizei no tempo e no espaço. Fui descendo a <em>Via Toledo</em>, passei pela <em>Piazza Dante</em> e fui caminhando até o restaurante e fiquei olhando o mar, enquanto esperava os frutos dele para acalmar a fome que me deu depois dessa viagem de dois mil e muitos anos que fiz em algumas horas. Olhava o mar, enquanto agradecia a Júpiter pela força especial do dia e pela vitória que concedeu às forças da história. Estava assim, pensando no que o filho tinha feito, quando na minha frente vi a figura do pai. Parado ao meu lado eu vi Felipe II da Macedônia, vestido ainda com os trajes que o levaram até Bizâncio, me olhando firme nos olhos. Senti aquele arrepio de quando se vê gente morta na rua, mas a sua face orgulhosa e agradecida pelo meu carinho me acalmaram. Ele caminhou até mim, pôs a mão no ombro, e falando uma língua morta disse aquilo que eu já imaginava que ia ouvir. Falou as palavras que nunca vou conseguir traduzir, a não ser que o coração viesse a boca, e em vez de sangue, salivasse sabedoria.  Todavia, a conversa durou o tempo desse toque. A sua mão levantada o tempo todo me mostrava o sudeste, porto da minha alma.</p>
<div id="attachment_537" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-537" title="DSC_1162" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1162.jpg?w=594" alt="M.A."   /><p class="wp-caption-text">Mármore, a pedra de esculpir fantasma. (M.A.). </p></div>
<p style="text-align:justify;">Chegou a comida e ele se foi. Enquanto flutuava no ar, eu pensei no meu caminho. Logo-logo estaria na Grécia. E para se certificar disso, Zeus fez questão de mandar um dos seus filhos diletos lembrar-me que todo o reino vale a pena, quando a alma não é pequena.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, antes disso, eu tinha alguns espíritos e demais fantasmas para visitar e conversar. Próxima parada: Pompéia.</p>
<div id="attachment_539" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-539" title="DSC_1208" src="http://tea2break.files.wordpress.com/2009/10/dsc_1208.jpg?w=594" alt="O campo de batalha. (M.A.)"   /><p class="wp-caption-text">O campo de batalha. (M.A.)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Até já.</p>
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